A vida de uma ex-muçulmana no armário

Texto de Chista Pantea

A neve branca cai na montanha hoje à noite, e não se vê uma pegada sequer.

Se já leram meus posts antigos, já sabem que sou uma ex-muçulmana no armário (não assumida). Eu tenho ficado escondida neste armário por quinze meses. Ainda tenho que fazer os rituais. Ainda frequento aulas islâmicas de vez em quando. Ainda uso o hijab. Tenho que escutar palestras islâmicas e de alguma maneira encaixá-las no meu dia-a-dia. Eles leem livros islâmicos, citam escrituras religiosas islâmicas e falam provérbios religiosos dentro de casa.

Eu não faço parte disso.

Um reino de isolamento e parece que sou a rainha.

“Hijab. Alcorão. Manzil. Orações. Inferno. Inferno. Inferno. Dia do Julgamento. Mulheres sabem o seu lugar. Haram. Allah. Muhammed. Allah. Muhammed“… depois de um tempo, parece ser uma música chata de rap.

O vento sopra como essa tempestade interna.

Os membros da minha família têm muita preocupação em como as mulheres se vestem porque aparentemente, a quantidade de honra de uma família está diretamente proporcional ao tamanho de tecido que ela usa. Eu conheci muita muçulmana no armário, mas muito poucas ainda são obrigadas a usar o hijab. Todas as manhãs, enquanto eu ponho meticulosamente o meu hijab, eu lembro para a garota no espelho que ela não deveria deixar que sua coleira a definisse ou a constrangesse. Eu digo a ela que um dia ela será capaz de…

“A curva de seu seio está aparecendo. Seu top está muito apertado. Cubra-se apropriadamente, ou vai ficar em casa hoje”. Eles me ordenam. Fecho a porta espelhada, como uma mocinha, e me recolho. Este é outro dia que deve ser vencido.

Não foi possível aguentá-lo, os céus sabem que tentei.

Eles não podem saber. Não vão aguentar saber. Não sei o que poderiam fazer comigo. Temo que meus pais interrompam minha educação e me coloquem em uma madrassa em tempo integral, como aconteceu com outras amigas, cuja apostasia foi descoberta em uma série de eventos azarados. Minha educação é minha única saída. Minha educação é empoderamento. Minha educação é libertadora. Minha educação é a esperança.

Eu silencio minha mente quando eles começam a pregar. Levo a cabo os rituais como eles almejam. Eu minto. Eu trapaceio. Eu sou falsa. Eu não os questiono mais. Faço como eles mandam.

Não os deixe entrar, não os deixe ver.  Seja a boa menina que deve ser.

Estou perdendo minha memória. Estou perdendo minha mente, ainda assim, permaneço sã. De alguma maneira. Minhas madrugadas são praguejadas pela ansiedade e pelo medo, e minhas tardes são aflitas pela depressão.

Finja, não sinta, não os deixe saber.

Enquanto as coisas permanecem, construo uma arca para escapar desta tormenta. Eu faço uma imersão pelos deleites da pintura e da literatura de terras distantes, e meus sonhos de viajar para tais terras. Quero ser lótus, que sobrevive e prospera no barro.

Minhas lágrimas secaram. Mas não posso me dar ao luxo de fazer meu espírito secar também.

Deixa assim.  Pois haverá um amanhã.

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chista-panteaSobre a autora: Chista Pantea (@ChistaPantea) é uma ex-muçulmana que se define como ateia e humanista. É blogueira para o site Ex-Muslims of North America e vive no Canadá. Também escreve para o www.theexmuslim.com

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Conversa com minha mãe

Texto de Chista Pantea

Esta semana, minha mãe me arrastou junto com ela para visitar um santuário. Ela queria que eu prestasse homenagem a um santo islâmico enterrado lá. Aparentemente, ele era bem conhecido por seus esforços em pregar e pelos seus ditos “talentos sobrenaturais”. Durante o caminho, minha mãe mostrava um grande entusiasmo em contar a vida dele e todos os milagres que ele fez. Como ele era grandioso! Como ele era um pioneiro em pregar o Islã em nosso país. Como ele tinha grande influência e poder espiritual! “Que pateta incrível “, eu pensei. Tive que abafar meu riso, pois as contestações e réplicas já me afloravam na língua. Eu as engoli e meneei a cabeça em vez disso. O Que eu poderia fazer?

Enquanto eu entrava na mesquita, uma diferença gritante se manifestou ante meus olhos.

Apartheid sexual

Bem, até aí nenhuma surpresa, claro. Mas era algo mais do que apartheid sexual. Eu percebia como a sala masculina de orações era opulenta e decorada com candelabros e mobília fina. Observei como as cortinas tinham um bom design, e foram penduradas antes do Mihrab, e como os tapetes de oração eram bem decorados, e haviam sido generosamente espalhados pelo solo. Mais importante ainda, observei como a sala era bem ventilada. As portas estavam destrancadas. Os painéis das janelas foram destravados. Havia uma bela mistura de luz solar e de candelabros pela grande sala.

E então, havia a sala de orações das mulheres, pequena como uma caixa de sapato, lá nos fundos. Um compartimento dilapidado, que poderia facilmente se confundir com um galpão. Uma luz simples e alguns tapetes de reza. Mais importante, percebi como era separada do resto do mundo e coberta por pesadas cortinas. Era tão abafada e sufocante. Todas as quatro portas estavam trancadas e as mulheres tinham que abri-las com muito cuidado para que não dessem aos de fora a menor visão das mulheres que estavam dentro. Era como fornecer a elas a privacidade, algo que os homens não precisavam. “Apenas outra desculpa patética para a objetificação sexual das mulheres“, eu pensei com ceticismo.

“Mãe, as mulheres podem ser tornar imames?”, perguntei inocentemente, embora já soubesse a resposta.

“Bem, as mulheres podem só liderar outro grupo de mulheres. Mas se houver imames de ambos os sexos e se ambos tiverem o mesmo conhecimento islâmico, então a mulher deve dar lugar a ele”. Ela respondeu quase como um robô.

“Por que isso?”, perguntei firmemente.

“Por que ela deveria assumir um papel masculino de liderança?”, ela perguntou de volta. Minha face deve ter mostrado um olhar aturdido, pois ela disse: “Há coisas que é melhor que se deixe para os homens. Eles sabem como lidar com elas”.

Que diabo seria isso? Pregar o ódio e a intolerância, levar a cabo a mutilação genital, ignorar as mortes em nome da honra e os crimes cometidos em nome do Islã, ou pregar ideias do século VII?

“Quem disse que as posições de liderança são apenas para homens?” Eu continuei, de alguma forma perplexa. “As mulheres se tornaram presidentes. As mulheres conquistaram o Monte Everest. As mulheres já foram ao espaço. As mulheres fizeram muito mais do que se supunha delas”. 

“Então você acha que uma mulher deveria ser capaz de liderar as orações? Sabe por que os homens e as mulheres não podem orar lado a lado? Por causa da Hayaa (modéstia). O Islã nos ensina sobre o pudor e nós as mulheres devemos proteger nossa Awrah (partes íntimas, ou pudor)” ela retorquiu. Ela prosseguiu enfatizando como era dever das mulheres não causar Fitnah (tentação) aos “pobres homens”.

Eu olhei para ela sem acreditar. Os impulsos sexuais deles, ou sua falta de controle, não são nossa responsabilidade ou dever– eu gritei em minha mente. Mas eu não ousei falar, pois podia parecer muito controverso para ela. Em vez disso, eu interrompi o contato visual e olhei para outro lugar, em fúria.

“Eu sinto muito, Chista. Eu sei que é muito difícil ser mulher. Eu já chorei muitos dias e muitas noites por ter nascido mulher. É um pecado, Chista. É um pecado”.

“Sabe, eu acho que é um pecado nascer uma idiota preconceituosa que se sente mais segura e melhor com a desigualdade. Na época em que os negros foram submetidos a escravidão, eles se ergueram e lutaram por direitos civis em vez de se resignar ao destino e pensar que nascer negro era um pecado. Na época em que o povo de nosso país estava sendo morto pelos colonos, os guerreiros da liberdade se ergueram e lutaram pela independência, em vez de se resignar ao destino e achar que nascer naquele país era um pecado. Do mesmo modo, deveríamos estar pleiteando por nossos direitos e por respeito, em vez de cegamente aceitar ideologias que nos tratam como subumanas”. Eu fiz uma pausa para me perguntar se eu havia passado dos limites, de maneira tola ou destemida. Mas saboreei minha vitória sem pensar nas consequências de minhas afirmações sacrílegas.

“Eu não tenho vergonha de ser mulher. Eu não preciso pedir desculpas. Eu nem mesmo escolhi o sexo que tenho, e ainda assim, foi imposto a mim. Eu sei de muitas mulheres fortes ao redor do mundo que superaram o intransponível. Eu quero ser uma delas, e eu aconselho a você a repensar sua posição”- conclui com fervor.

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chista-panteaSobre a autora: Chista Pantea (@ChistaPantea) é uma ex-muçulmana que se define como ateia e humanista. É blogueira para o site Ex-Muslims of North America e vive no Canadá. Também escreve para o www.theexmuslim.com

Como o Islã desrespeita as mulheres

Texto de Amer Manasra.   Tradução de khadija kafir em 06-03-2016. Link para o original.

A propósito, o que me levou a escrever este artigo foram os pregadores islâmicos no mundo ocidental, suas afirmações falsas sobre o Islã, a fim de embelezarem sua imagem, se aproveitando da ignorância das comunidades ocidentais, e dizendo que o Islã é uma religião pacífica. Também dizem que o Islã aceita outras religiões e que dignifica a mulher. O problema é que gente com pouco conhecimento acaba acreditando nisso, e outros, que enxergam as ações dos muçulmanos, se recusam a aceitar este tipo de discurso emocional dos pregadores islâmicos, mas não sabem como responder a eles. Neste artigo, vou dar alguns argumentos que você pode usar em um debate com um muçulmano. É também útil para alguém que deseja aprender sobre o tópico Islã e mulheres.

Cada tópico será referenciado ao fim do artigo, com o número correspondente.

1- O Islã permite que o marido bata na mulher [1]; Os defensores da religião dizem que Deus não mandou bater com força, ainda que o verso não especifique isso, mas surra é surra, não importa se forte ou fraca. Que tipo de vida eu terei com minha mulher se eu bater nela?

2- Poligamia. Um muçulmano pode se casar com quatro mulheres [2]. Na verdade, o Islã olha o casamento sob o ponto de vista sexual e não espiritual. Isto se nota pelos procedimentos que se seguem ao casamento os quais explicarei abaixo.

3. Uma mulher não pode liderar no Islã. Quero dizer liderança política [3]. Maomé, o profeta do Islã, dizia que nenhuma nação iria prosperar se fosse liderada por uma mulher. Que grande respeito ele tinha pelas mulheres! Eu fico a pensar no que ele diria se voltasse a vida e visse como as mulheres lideram os países nos dias de hoje!

4. As mulheres possuem mente defeituosa e seu testemunho também é defeituosos [4] e [5].

5. Casamento. Uma mulher não pode se casar sem o consentimento de seu pai [6]. Na realidade, o consentimento dele é o que importa afinal.

6. O pai dela deve receber um dote [7], embora não seja claro quem deveria receber o dote, mas de qualquer forma é repulsivo. A ideia de pagar ao pai dela é na verdade a ideia de comprar a garota. Por que eu deveria pagar para casar com alguém? E o amor? Será que ela é uma prostituta para que eu pague por ela?

7. Divórcio. O muçulmano tem permissão para pôr fim ao casamento com apenas uma única palavra “Taleq” e é tudo. Ele na verdade tem três oportunidades, pois pode toma-la de volta na primeira vez (em que se divorcia), na segunda vez (dentro de três meses), mas não pode toma-la de volta na terceira vez. [8]

Mas a mulher não pode se divorciar do homem! Aliás, se ela pedir a ele para se divorciar dela sem uma razão, ela irá para o inferno, não para o céu [9].

8. Uma mulher muçulmana não pode se casar com um não muçulmano [10].

9. Se seu marido a chamar para ir para a cama, para fazer sexo, ela não tem direito a recusar. E se ela fizer isso, os anjos a amaldiçoarão até o amanhecer [11], além disso, é um dos motivos pelos quais o homem pode bater nela. Vide referência [1].

Chamamos a isso de estupro hoje em dia, mas os homens muçulmanos chamam isso de direito. É apenas uma relação sexual de fato.

10. Véu ou burca. Ela deve cobrir seu corpo e seu cabelo [12], pois seu corpo é tentador aos homens.

Então: ela não tem direito a se divorciar, será comprada em casamento, não pode recusar a fazer sexo e o homem ainda pode ter mais três mulheres, deve cobrir o corpo e o cabelo. Que tipo de casamento é esse? É um casamento ou uma escravidão?

11. Mulheres escravas. Um homem pode comprar e vender escravas. Uma mulher é considerada escrava se for pega em uma batalha, ou se ela nasceu de uma mãe escrava. Mas o homem tem direito ao intercurso sexual com ela [13], uma vez que a comprou com seu dinheiro! Também pode mandá-la como presente a outro homem. Que maneira respeitosa de tratar as mulheres!

A escrava deve ser cristã ou judia.

Maomé não tinha qualquer respeito pelas mulheres. Ele teve doze esposas durante sua vida, onze de uma só vez, além de uma delas ter 9 anos [14] quando ele consumou o matrimônio!

FONTES:

[1] Os homens têm autoridades sobre as mulheres pelo que Deus os fez superiores a elas e por que gastam de suas posses para sustentá-las. As boas esposas são obedientes e guardam a virtude na ausência de seu marido conforme Deus estabeleceu. Aquelas de quem temeis a rebelião, exortai-as, bani-as de vossas camas e batei nelas. Se vos obedecerem, não mais as molesteis. Deus é elevado e grande.  Alcorão 4: 34

[2] E se receardes não poder tratar os órfãos com equidade, desposai tantas mulheres quantas quiserdes: duas, três ou quatro. Contudo, se não puderdes manter igualdade entre elas, então desposai uma só ou limitai-vos às cativas que por direito possuís. Alcorão 4:3

Muitos muçulmanos na época de Maomé casaram com mais de uma esposa.

[3] “Um povo que faz de uma mulher sua governante nunca será próspero”- relatado por Al-Bukhari, o Livro do Julgamento.

[4] “Eu nunca vi ninguém mais defeituoso na razão e na religião do que vós, as mulheres”. Uma mulher perguntou: “Qual é o defeito na razão e na religião?” Ele disse: “O defeito na razão é que o testemunho de duas mulheres equivale ao de um homem; e o defeito na fé é que vocês não jejuam completamente durante o Ramadã”*. Sunan Abi Dawud, o Livro do Comportamento Modelo do Profeta.

* Durante o Ramadã, as muçulmanas deixam de jejuar nos dias de sua menstruação, podendo jejuar depois do Ramadã, compensar.

[5] (…) Acrescentai o testemunho de duas testemunhas dentre vossos homens, e, na falta de dois homens, de um homem e de duas mulheres; pois se uma delas se equivocar, a outra a ajudará. Alcorão 4: 282

[6] “O casamento de uma mulher que se casa sem o consentimento de seu guardião é nulo. (Ele disse essas palavras) três vezes. Se há coabitação, ela toma seu dote pelo intercurso que o marido teve. Se houver uma disputa, o sultão (homem no comando) é o guardião daquela que não tem nenhum”. Narrado por Aisha, o Livro de Nikah (casamento).

[7] (…) Às mulheres de que gozastes, dai as pensões devidas. E não sereis censurados pelo que for livremente convencionado entre vós, além das prescrições legais. Alcorão 4: 24

[8] O divórcio revogável é permitido até duas vezes. Depois, tereis que vos conciliar com elas conforme os bons costumes ou repudiá-las com benevolência. Alcorão 2: 229

Como podemos ver, o homem é quem tem a escolha aqui.

[9] “Se uma mulher pedir ao marido o divórcio sem uma boa razão, o odor do paraíso será proibido para ela”. O livro do talaq*, da Sunan Abi Dawud.   * Obs.: Talaq significa “divórcio”.

[10] (…) E não deis vossas filhas em casamento a idólatras até que se convertam (…)  Alcorão 2: 221

[11] “Se um homem chamar sua mulher para a cama e ela recusar, e fazendo com que ele passe a noite zangado, os anjos a amaldiçoarão até o amanhecer”. Al-Bukhari e Muslim, o livro das ações proibidas.

[12] Asma, filha de Abu Bakr, apareceu na frente do mensageiro de Alá (saw) usando roupas de tecido fino. O mensageiro de Alá (saw) desviou a atenção dela. Ele disse: “Ó Asma, quando uma mulher alcança a menstruação, não fica bem para ela mostrar as partes do corpo, exceto esta e esta” – ele então apontou para o rosto e para as mãos.  Narrado por Aisha, o Livro das roupas.

[13] E refreiam sua concupiscência, exceto com suas esposas e servas – e neste caso não sereis censurados. Alcorão 23: 5-6

[14] “O mensageiro de Alá casou comigo quando eu tinha seis anos; e consumou o matrimônio comigo quando eu tinha nove anos. Eu costumava brincar com bonecas”. Narrado por Aisha, o Livro do Nikah (casamento).  Mais informações e fontes sobre Maomé e Aisha, clique aqui.

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amer manasra 2Sobre o autor: Amer Manasra é um estudante de Gestão de Riscos e Seguros, no Jordão. É um ex-muçulmano interessado em problemática social, psicologia e está tentando fazer sua parte em prol de um iluminismo no mundo árabe. Ele é defensor do Estado secular e dos direitos das mulheres. Amer Manasra diz que ama a humanidade e considera a todos como seus irmãos e irmãs.

Conversa sobre nu feminista

Texto de Aliaa Magda Elmahdy.  Link para o original.

Por que a nudez? A mídia já me perguntou isso trilhões de vezes, mas minhas respostas nunca foram publicadas como são. Hoje, pela primeira eu vou responder sem passar pelo filtro de alguém… Sem que alguém faça o polimento de minhas palavras para se adequar a sua agenda conformista ou sexista.

Contra o que nós estamos protestando? Acredito que a resposta a essa pergunta não é difícil de achar, mas eu vou responder. Vou contar para vocês a minha própria história sobre o abuso dirigido ao meu corpo, que é apenas uma história comum a qualquer mulher egípcia.

Eu me lembro de como o rosto do meu pai ficou furioso naquele dia. Eu tinha 11 anos. Nós estávamos prontos para ir ao clube, e eu pulava ao redor dele pela expectativa, principalmente porque nunca tinha saído com meus pais, e eles não saíam muito, quando eu percebi a raiva em seus olhos enquanto ele olhava para mim. Eu pensei no motivo de ele estar tão furioso desta vez, até que ele ralhou com minha mãe sobre como as minhas costas estavam aparecendo e do top que eu estava usando, e ele se recusou a sair até que eu trocasse de roupa. Desde a minha infância, eu nunca fui uma pessoa que aceitasse tudo que ouvia, principalmente se eu achasse injusto ou humilhante, então eu resisti a troca de roupa, e discuti com meus pais sobre isso o dia todo.

Eles me disseram que eu deveria me cobrir, ou os homens iriam me estuprar e dizer que eu estava nua na frente deles… E que eu deveria me cobrir mais quando ficasse mais velha… E que nós éramos muçulmanos, e as mulheres muçulmanas deveriam usar o hijab desde o dia em que menstruassem, ou pelo menos cobrir partes do corpo como as costas. Eles apontaram para outras meninas no clube e me perguntaram: “você vê outra garota vestida como você?” e me disseram que eu deveria me adaptar à sociedade em que eu vivia. Tudo isso me ultrajava e não fazia sentido para mim. Eu não entendia o que era estupro naquela idade, mas eu disse a eles que ninguém tinha o direito de me machucar não importasse a minha roupa, porque não sou um produto feito para que outros consumissem. Sou uma pessoa que tem uma vontade… E que não fazia sentido para mim fazer algo ou deixar de fazer algo só para ser igual aos outros… E que eu não escolhi ser uma muçulmana e eu desejava não ser uma. Isto foi o começo do policiamento do meu corpo que continuou por uma década depois.

Alguns anos antes, eu fui sozinha com meu pai para a praia. Não havia mais ninguém para me dar banho depois que eu me banhei na praia, mas como eu fui ensinada de que ninguém deveria me ver nua, principalmente um homem, eu estava envergonhada de tirar a roupa na frente dele. Quando eu fiz isso, ele tocou meus seios com as mãos em concha e disse: “o que você está escondendo? Você não tem seios para esconder”. Eu me senti desconfortável, então eu me recusei a deixar que ele me desse banho outra vez, e usei uma roupa molhada durante todo o caminho de Ismealia ao Cairo. Quando minha mãe me perguntou por que eu não tinha me banhado e me trocado, eu contei a ela o que aconteceu. Ela disse que ele não devia ter feito aquilo e iria falar com ele, mas isso foi só para eu ser chamada de mentirosa que inventara toda aquela história e fazer os pais se divorciarem horas depois.

Na escola primária, os professores começaram a me dizer para não lutar de volta contra os garotos quando eles fizessem bullying comigo, ou se eles tocassem meu corpo… E que eu usasse uma saia mais longa, ou que usasse shorts embaixo da minha saia. As garotas eram forçadas a usar jaquetas em uma clima de 40°C para cobrir os seios que despontavam, enquanto que os garotos usavam apenas camisetas. Os professores diziam que as meninas que não usam hijab serão penduradas pelos cabelos no inferno. Nas provas de religião, eu tinha que escrever que as mulheres somente deviam trabalhar em profissões que fossem “adequadas” a elas, se vestirem de forma “modesta” e ter contato limitado com seus colegas masculinos do contrário perderiam pontos. Eu escolhi perder pontos. Havia um professor muito religioso que me fez ficar em pé durante toda uma palestra depois que ele me viu brigando com um garoto que tinha feito bullying comigo no recreio. O garoto imitava voz fina de garota e fez comentários sobre meu gênero, e o professor me disse que meninas da minha idade não deveriam se misturar com meninos daquele jeito. O mesmo professor tocava em meninas de 10 ou 11 anos.

Antes que eu começasse o Ensino Médio, meu pai me disse que eu deveria ter o menor contato possível com garotos e não tomá-los como amigos ou inimigos, senão eles iriam tocar meu corpo.

Minha mãe conversava sobre meu corpo em várias ocasiões. Ela me explicou sobre menstruação para me fazer parar de perguntar o que eram absorventes na frente das pessoas. Ela me disse que seria um escândalo se alguém visse uma mancha de sangue na minha roupa. E que eu deveria esconder minha menstruação como escondo meu corpo despido. Depois que eu menstruei, eu fiquei chocada pelo jeito como eu fui sexualizada e como eu deveria me comportar. De mim se esperava que ficasse menos brincalhona, mas eu sentia falta de andar sem sentir que cada átomo do meu corpo era um fardo. Eu tinha que me trancar no banheiro por longos períodos para evitar que meu pai me visse com absorvente nas mãos.

Alguns vendedores embalavam os absorventes com papel ou sacolas de plástico como se eles fossem ilegais. Minha mãe também me falou sobre assédio sexual. Ela me disse que era normal isso começar a acontecer na minha adolescência e que as mocinhas respeitáveis não reagem. Ela me explicou sobre o sexo antes que eu tivesse contato por outra fonte. E que eu não devia fazer sexo antes do casamento e que perceberiam no meu corpo se eu fizesse… E que eu deveria preservar minha virgindade e que eu não deveria deixar algum garoto me enganar para fazer sexo com ele, negando que as garotas também podem querer o sexo e fazendo-as parecerem objetos sexuais a serem usados pelos homens. Ela disse que as campanhas governamentais contra a mutilação genital feminina eram desperdício de impostos… Que as mulheres mutiladas não perdiam nada, porque ela acha que as mulheres não têm direito ao desejo sexual… Porque as mulheres que não agem de maneira não sexualizada são consideradas ninfomaníacas pelos homens, que passam a maior parte do tempo assistindo pornografia.

O que meus pais mais temiam aconteceu quando eu estava no Ensino Médio. Eu senti atração por alguém, eu o abracei e decidi contar para ele os meus sentimentos, então eles avisaram a escola. Disseram-me que nunca iriam me deixar sair sozinha. Eu consegui escutá-los planejando me buscar todos os dias, de modo que eu não pudesse ter uma chance de sair com ele, temendo que eu fizesse sexo, e eu fiquei chocada quando eles justificaram por que as pessoas não mandavam as garotas para a escola em épocas passadas, para que elas não encontrassem garotos e fizessem o que eu fiz. Quando eles souberam que eu tinha feito para ele uma carta de amor, meu pai me pegou pelos cabelos a metade do caminho da escola para casa, enquanto os transeuntes assistiam.

Eu ainda posso me ver no banheiro, pensando sobre a minha genitália que mudava e eu não sabia como era, e desejando que as pessoas não tivessem órgãos sexuais, de modo que eu pudesse sair e me envolver em relacionamentos românticos.

Eu tive dois outros namorados mais tarde, porém meus pais não sabiam sobre eles. Eu aprendi a não manter um diário e a não deixar nada para que eles achassem quando vasculhassem as minhas coisas; mudar minha rotina para que eu pudesse me encontrar com alguém entre as lições. Eu fiz sexo pela primeira vez uma semana antes do meu 18º aniversário, e eu me senti vitoriosa de andar sem o pedaço de carne para o qual eles me privaram de ter uma vida, para se certificarem de que ele ficasse intacto entre as minhas pernas.

Eu planejei confrontá-los depois que eu me formasse da escola. Alugar uma moradia e viver de forma independente apesar das proibições da sociedade. Eu não podia imaginar viver minha vida sob o controle do meu pai e então sob o controle de um marido que ele escolheria para mim, e pedindo a permissão todas as vezes em que fosse passar da porta, mas eu era psiologicamente atormentada por fazer as coisas em segredo quando eu acreditava que ninguém tinha direito ao meu tempo, meu corpo ou minha mente. Eu tive muitas brigas com meus pais que me chamavam de louca por coisas como fazer objeção a que as meninas se casassem com seus estupradores para provar que elas tinham perdido a virgindade através do casamento, mas eu escondia minhas amizades porque eu não tinha poder para impedi-los de tirar meus amigos de mim.

Uma vez tive uma infecção bacteriana, mas eu não sabia o que era. Podia ser qualquer coisa, desde uma candidíase ou um câncer. Tanto o ginecologista que eu visitei quanto meus pais disseram que um exame ginecológico não deveria ser feito em mim porque se presumia que eu era virgem. Então fiquei doente por anos, e eu sabia que minha virgindade era mais valiosa para eles do que a minha saúde ou até a minha própria vida. Eu disse a minha mãe que eu mesma tiraria minha virgindade, porque não sou uma caixa de molho de tomate cujo invólucro não deve ser aberto antes de ser comprada, e que invólucros não devem ser mais importantes do que minha saúde. Ela ficou escandalizada e disse: “você perdeu o juízo?”

Quando eu tinha 19 anos, eles descobriram através de parentes que estavam me monitorando sobre um novo envolvimento que expus no Facebook, e eles viram que eu curtia páginas sobre o direito das mulheres fazerem sexo antes do matrimônio e removerem seu hímen. Eu os confrontei sobre isso, e que eu não largaria meu namorado, nem me casaria com ele, ou deixar que eles o vissem e decidissem se eu continuaria com ele ou não. Eles me trancaram, me bateram, me chamaram de prostituta estúpida que quer fazer de graça e eles teriam feito um teste de virgindade em mim se eu não tivesse me defendido com uma faca. Eles desconfiaram muito que eu havia feito sexo com ele porque “que outra coisa poderia ele fazer comigo por nove horas em que saí com ele”.

Eu tinha 19 anos; e ele, 27, mas meus pais disseram que eu era uma criança e que ele estava me molestando. E que eles iriam pedir à polícia para checar minha virgindade e reivindicar “o direito deles sobre o meu corpo” contra meu namorado, pois para eles, o sexo é algo com o qual os homens usam as mulheres, não algo que os homens e as mulheres fazem juntos, e eu sou um corpo que pertence a eles. Eu pude escapar depois de uma semana. O dia de minha fuga foi o dia em que eu comecei a viver e a ter minhas próprias escolhas. Foi o dia mais feliz de minha vida.

Assédio Sexual

Se uma pessoa que entendesse Árabe passeasse nas ruas do Egito, ele ou ela poderia perceber que uma grande porcentagem das conversas é sobre o corpo das mulheres: como elas não o cobrem o suficiente… como o braço de alguma mulher está aparecendo… poderiam ouvir as mães dizendo para suas tristes filhas que elas não podem comprar a maioria das roupas que desejam porque mostra muita pele, e ver as mulheres veladas perguntando a cada 5 minutos se seu cabelo está aparecendo. Dizem que as mulheres devem se cobrir para não excitar os homens, o que reforça a ideia de que as mulheres são culpadas por nascerem mulheres. Não é surpresa que quanto mais as mulheres se cobrem em um país, mais frequentes e violentos são os assédios que há nesse país.

Eu fui assediada dezenas de vezes diariamente, o que ainda me dá pesadelos, mas eu só tenho tempo de mencionar alguns poucos incidentes aqui. Quando eu era uma criança pequena, um menino também pequeno ficou pegando na minha nádega em um supermercado. Eu o mostrei para meus pais, mas eles me disseram que era normal e meu pai deveria caminhar atrás de mim para evitar isso. No Ensino Médio, eu estava sentada próxima a um garoto quando ele agarrou meu seio na frente de um professor que me mandou parar quando eu comecei a ralhar com o garoto. De outra vez, outro garoto me abusou verbalmente, e outro professor me disse que eu deveria usar blusas mais folgadas. Mais frequentes eram os comentários com insultos: “o que você está vestindo, vadia?…” “Eu vi sua bunda”… “Quero te comer”. “Hey, garota estúpida”… “Posso estourar esse saco plástico na sua cara?”… Eles comentavam quando eu me vestia do jeito que eu queria, quando eu usava uniforme escolar, quando eu ria, quando eu tomava sorvete, quando eu parecia doente, quando parecia zangada, quando eu corria, quando eu tinha qualquer outra postura que não fosse com as pernas bem fechadas e olhando para o chão… E minha mãe tentava de tudo para mudar meu jeito de ser com a finalidade de evitar os assédios deles.

Estar consciente do meu corpo toda hora. Ela ralhava comigo quando os garotos me assediavam e eu não percebia, e queria que eu fizesse como outras garotas, que corriam do assédio com medo de serem estuprada, e se recusava a andar comigo quando eu usava minissaia. Elas temiam o estupro porque elas pensavam que não teriam futuro se elas perdessem a virgindade e não pudessem se casar, mas eu recusava a deixar a sociedade definir meu valor e o colocasse na minha virgindade e na reputação de ser uma mulher submissa. Eu tinha orgulho de mostrar que eu rejeitava a moral deles, e minha raiva era mais forte do que o meu medo. Eu revidava e me sentia mal comigo mesma todas as vezes em que ficava petrificada. Eu abria a boca para falar, coisa que meus pais não gostavam. Meu pai uma vez esquentou uma faca e ameaçou cortar minha língua. Ele disse que tudo que ele queria era que eu ficasse quieta. Falar era punível com o estupro. Ele me dizia que os vizinhos iriam me estuprar se ouvissem minha voz.

Quando eu reclamei para minha mãe sobre o assédio, ela disse que ela iria falar com meu pai sobre isso. Meu pai disse: “você quer relatar para a polícia toda vez que um homem diz algo a você ou a toca?”… “Você está mentindo”… “Você é suja por pensar em seu corpo e ficar repetindo o que eles falam para você”… “Aqueles que a assediam vão ensinar a você as boas maneiras que eu não consegui ensinar”. O mesmo homem que gritara “minha honra” quando eu abracei um garoto que eu gostava disse que eu tinha um complexo.

Quanto mais eu era assediada, mais meus pais me limitavam, então eu não falei quando eu fui assediada e atacada com uma faca por dois homens enquanto caminhava e fazia compras. Um homem que testemunhou o incidente insistiu que eu não deveria caminhar sozinha em ruas desertas depois do pôr do sol. O que me machucava mais do que o assédio em si era quando as outras pessoas se faziam de vítima, especialmente minha família. Eu tinha conciência de como o assédio sexual e o estupro eram usados para suprimir a mulher… para fazê-las pensar em evitar o estupro todas as vezes em que quizesse fazer alguma coisa. Para reduzi-las a meras presas sexuais… Quando eu disse isso a minha família ela sugeriu sarcasticamente:  “saia nua de casa e diga para eles ‘estou aqui’”.

Bem, isso era uma boa ideia. Aos 18 anos, eu pude dançar com facilidade pela primeira vez, e quando eu fiz 19, na casa de meus pais, eu fechava a porta do meu quarto, usava roupas proibidas, usava itens proibidos em uma cor proibida: vermelho cigano, sapatos vermelhos, um buquê de flores, e meu corpo nu. Esses itens são proibidos porque chamam atenção… Eles expressam individualidade quando um indivíduo, principalmente uma mulher, tem a obrigação de esconder qualquer sinal de sua própria identidade… Eles mostram que eu não tenho vergonha do meu corpo, e eu me recuso a carregar a culpa do pecado original. Eu tirei uma foto e postei no meu blog mais tarde, em 23 de outubro de 2011.

Agora eu vou fazer a mim própria as mesmas perguntas que as pessoas me fazem com frequência e vou respondê-las.

Por que você não protesta de outro modo?

Eu fiz outras coisas antes de postar a foto sem roupa e continuo a fazer depois que postei. Fui criticada por escrever abertamente sobre minhas opiniões, postar fotos minhas usando roupas inaceitáveis, fotos com meu namorado e fotos criativas que uma garota não deve tirar de si mesma. Mas não há nada errado com a nudez. A nudez é usada na arte para expressar diferentes coisas. Na minha foto, eu expresso meu desafio contra a visão de que o corpo feminino é uma mercadoria a ser possuída e controlada, então não acho que eu rebaixei meu preço em mostrar meu corpo gratuitamente. Além disso, uma atitude vale mais que mil palavras, e a foto de uma mulher desobedecendo a ideia de que as mulheres são mercadorias menos inteligente e que existem apenas para os homens é mais forte do que os textos que pedem regras corporais para as mulheres.

Você acha que saindo muito fora das normas da sociedade vai conseguir mudar essa sociedade?

E o que mais poderia mudar? Se policiar na hora de desobedecer ou questionar as normas que queremos mudar? Aqueles que fazem essa pergunta escolhem a segurança e a aceitação social ao invés da liberdade, mas eu prefiro ser rejeitada pelo que eu sou do que ser aceita pelo que tenho vergonha de ser.

Quais as reações que você recebeu depois de publicar as fotos?

Eu tive reações positivas e negativas: muitos psicopatas controladores se sentiram ameaçados quando uma mulher não se importou em tentar fazer a sociedade enxergá-la como uma respeitável mulher submissa, mas saiu do sistema apesar de toda a pressão nas mulheres. Eu fui vítima de cyberbullying, legalmente processada, ameaçada de morte e de estupro, atacada várias vezes na rua e sequestrada por dois homens e três mulheres por causa da foto e por outras coisas como deixar a casa dos meus pais e ter um namorado. Um dos meus sequestradores pensou que a única razão pela qual eu havia resistido ao estupro era porque eu não era quem ele pensava ter sequestrado, e era apenas uma virgem protegendo a virgindade. Muitas pessoas sexistas disseram que um homem me mandou fazer, porque na visão deles, uma mulher não teria cacife para reagir com essa força. Eu também tive apoio de muitas pessoas ao redor do mundo, porém o que significou mais para mim foram as mensagens que eu recebi de outras garotas árabes que compartilharam suas histórias comigo e me fizeram saber que eu havia mostrado a elas que é possível ser livre.

Você se arrepende? Por que não muda de nome e apenas vive uma vida normal?

Esta pergunta implica que a minha reação é o problema, mas estou reagindo e tolerando o que for. Eu não me arrependo e faria tudo de novo e de novo.

Obrigada.

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freedomSobre a autora: Aliaan Magda Elmahdy é uma ex-muçulmana egípcia, e integrante do grupo feminista FEMEN, que ficou muito conhecida pela polêmica que causou ao postar fotos sem roupas no seu blog. Procurou asilo político na Suécia depois de ser ameaçada por suas visões feministas e anti-islâmicas. Uma de suas fotos mais polêmicas é uma em que ela aparece menstruando na bandeira do ISIS, junto com outra integrante do grupo FEMEN, que por sua vez faz pose de estar defecando em cima dessa bandeira.

A escravidão sexual na Arábia Saudita vai acabar?

Texto de Taslima Nasreen (2015). Tradução de kadija kafir 13 -10 – 2015 link para o original

Uma notícia intrigante foi publicada no mundo árabe uns dias atrás – uma sex shop está chegando na cidade mais sagrada da Arábia Saudita, Meca. E é uma sex shop “halal” (permitida). Não tenho a menor ideia de quais são as condições e termos para que uma sex shop seja considerada halal (lícita) ou haram (ilícita). Eu também quero saber se nesta sex shop uma mulher será capaz de comprar sozinha para suas necessidades pessoais. Em um país onde as mulheres não têm a mínima liberdade pessoal além de serem escravas sexuais dos homens, não existe dúvidas de que uma sex shop aberta lá será exclusivamente para os prazeres sexuais deles.

Os homens da Arábia Saudita gastam muito de sua enorme riqueza em sexo. Eles vão a vários países em turismo sexual e gozam da companhia de prostitutas caras, e então perambulam livremente em sex shops de países estrangeiros. De agora em diante, todavia, eles não vão mais ter o problema de ter que fazer uma viagem para fazerem compras, pelo menos as relacionadas a sexo. Para EL Asira, a marca que se ajusta a Sharia e que se originou em Amsterdam e que tem o apoio de Beate Uhse, irá em breve se ramificar à cidade sagrada.

Até agora, as sex shops da Europa e da América ainda não chegaram em países progressivos da Ásia, mas chegaram a Arábia Saudita, a sociedade mais conservadora e ortodoxa do mundo, onde as mulheres são vistas como meras genitálias ambulantes.

O rei saudita, Abdullah, tinha 30 esposas. Uma delas era Alanoud al Fayez, de quem se divorciou em 1985. Mas as quatro filhas são prisioneiras nos palácios reais sauditas. Jawaher, Maha, Sahar e Hala são encarceradas em todo o sentido da palavra. Elas não são livres para colocar os pés fora das paredes do palácio. Elas mal recebem duas refeições diárias e seus meios irmãos as espancam sem pena. Algumas das irmãs estão com idade próxima dos 40 anos, mas não foram autorizadas a se casarem.

Alanoud, que impôs a si mesma um exílio em Londres nos últimos anos, quebrou o silêncio e falou para a mídia internacional dos abusos impostos a suas filhas. Sem sucesso, é claro. Se a nação mais poderosa do planeta, os Estados Unidos, abaixa a cabeça e presta obediência à poderosa casa de Saud, quem ousa protestar?

Barack Obama fez uma visita de alto perfil para a Arábia Saudita uns meses atrás, acompanhado pela mulher. Ninguém se lembra de nenhum pedido a ele para que alivie a situação das irmãs presas no palácio real, ou a condição das mulheres do país em geral.

É assim com a Arábia Saudita. É como uma criança teimosa – o que lhe dá na telha ela vai em frente e faz. As mulheres sauditas não podem respirar ao ar livre se não estiverem cobertas dos pés a cabeça. Elas não têm direito a liberdade de expressão. Elas não podem conversar com pessoas do sexo oposto porque é considerado proibido. Não podem pegar carona com ninguém sem o medo de uma execução. Elas são punidas cruelmente se forem vítimas de estupro ou tortura.

As leis primitivas do século sete ainda prevalecem sobre as do século 21. Não se houve falar em liberdade de expressão. O blogueiro ativista Raif Badawi, criador do web site Free Saudi Liberals (liberais sauditas livres) ainda leva chicotada toda semana por ousar em ter aspirações de liberdade de pensamento. Arábia Saudita não dá a mínima para os pilares da modernização e civilização. Este país, sem o menor senso de ética e caráter, fica sem punição uma vez que não existe nação corajosa o suficiente para enfrentar a ira de um país rico em petróleo.

Tais são as circunstancias sob as quais a Arábia Saudita abriu suas portas para uma sex shop. O que essa novidade vai fazer com os homens sauditas? Bem, agora eles podem ter cintos de couro, máscaras, grilhões e todo tipo de armamento que podem usar para tratarem as mulheres como escravas sexuais. Para forçá-las em jogos sexuais de dominante vs submissa. Trazer o primitivismo brutal de suas atitudes patriarcais contra as mulheres, infringindo-as um novo tipo de tortura sexual. E como já é de praxe isso vai ficar sem punição.

Se houver de fato qualquer prazer a ser acrescentado por essas lojas, será exclusivamente para os homens. As mulheres não participam dessas coisas. Aquelas que não têm direitos humanos tampouco devem aspirar a direitos sexuais. E aquelas que não têm liberdade sexual ou direito, não têm prazer. Escravas sexuais não sentem prazer com o sexo – precisam primeiro sair de sua escravidão.

O mundo fica se perguntando quando é que esta nova geração de jovens politicamente conscientes irá soletrar a sentença de morte para esta dinastia. O tempo os aguarda.

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taslima nasrinSobre a autora: Talisma Nasrin é uma ex-muçulmana lésbica nascida em Bangladesh. Formada em Medicina, Nasrin é mais conhecida no mundo por seus escritos e suas críticas à religião islâmica e sua nefasta influência na opressão das mulheres. Em sua autobiografia, intitulada Amar Meyebela, relata sua sofrida infância e faz críticas a Maomé, o que lhe valeu represálias e proibição de vender o livro. Nasrin se define como humanista secular, e não tem hoje nenhum tipo de crença.

Justificando a pedofilia de Maomé

Artigo original: http://alisina.org/?p=5076    Justifying Muhammad’s paedophilia.

Texto de Ali Sina (2015). Publicado em 16/09/2015

Alguns muçulmanos têm vergonha pelo fato de seu profeta ter tido relações sexuais com uma criança quando ele tinha 53 anos. No entanto, em vez de recriminá-lo, eles mentem sobre a idade de Aisha e se esforçam muito para provar que ela era muito mais velha do que o que ela mesma disse em inúmeros Hadiths. Outros são tão sem vergonha que nem sequer tentam essa abordagem, mas continuam justificando a pedofilia de seu profeta.

Maomé cometeu muitos crimes egrégios. Um dos mais desprezíveis e vergonhosos talvez tenha sido sua relação pedófila com uma criança de 9 anos de idade. Nenhum ser humano decente, de fato ninguém digno de ser chamado humano, perdoaria ou justificaria tal crime. Infelizmente, os muçulmanos abdicaram sua humanidade. Não há vestígio disso neles. Eles olham, falam, comem e defecam como uma pessoa normal, mas o que falta neles é a consciência. Isso é o que separa os humanos das criaturas menores como répteis e insetos.

Só em justificar esse crime de seu profeta, já mostra a profundidade de sua hediondez. Quando eles defendem um pedófilo só fazem provar para o mundo as bestas vis que são. Alguém escreveu um livro reunindo tudo o que os muçulmanos dizem a este respeito.

Perguntas dos muçulmanos e respostas de Ali Sina.

1- A finalidade é criticar o casamento de meninas ou distorcer a imagem do profeta Maomé?…

O objetivo é mostrar que esse homem desprezível era imoral, pervertido e doente da cabeça; e não o ser humano perfeito e o melhor exemplo a ser imitado, como ele alegava. Tal pessoa não pode ser um profeta de Deus. Suas ações eram demoníacas e do mal. Ele deve ser condenado não emulado.

  1. Se tal casamento era estranho, então por que os descrentes dentre os Quraysh não usaram isso contra Maomé?

Não é normal para um homem adulto ter sentimentos sexuais por uma criança, a menos que ele seja um pedófilo, como também não é possível para um homem heterossexual ter sentimentos sexuais por outro homem, a menos que ele seja homossexual. Não se trata de moral ou cultura. Trata-se de um transtorno da mente. Somente os pedófilos se sentem atraídos por crianças.

Em meus anos de estudo sobre a Arábia pré-islâmica, eu nunca vi um incidente de um velho se casar com uma criança. Os árabes costumavam desposar seus filhos em tenra idade, mas ambos em idade similar. O casamento real ocorria quando as crianças viravam adultos. Este costume de idosos se casarem com crianças pequenas começou com Maomé, a quem os muçulmanos consideraram como o melhor exemplo a ser seguido.

Além disso, mesmo supondo que isso fosse uma prática antiga dos árabes, por acaso é algo bom? É sem dúvida um ato desprezível. Uma criança não tem capacidade mental para decidir seu futuro, e obrigá-la a se casar com alguém a quem não tenha escolhido é violar seus direitos humanos, especialmente se o homem for velho o suficiente para ser avô da menina. Eu não vou nem falar sobre os danos causados ao seu corpo, como eu acredito que qualquer pessoa em sã consciência já saiba. A questão é por que, em vez de condenar essa prática vil, Maomé a praticou? Ao fazer isso, ele estabeleceu que esse mal virasse uma sunna para seus seguidores ignorantes e de cérebro morto. Os muçulmanos fazem o que Maomé fez como se fossem zumbis: não há inteligência nessas pessoas. Eles até mesmo bebem urina de camelo, porque Maomé bebeu também. Quando alguém vira muçulmano, o cérebro já era. Ele não é mais gente.

  1. Será que os críticos sabem a Idade para o casamento no judaísmo?

Estamos falando do casamento de um homem velho com uma criança. Muitas culturas casam seus filhos em tenra idade. Gandhi se casou com sua esposa, quando ambos tinham 10 anos de idade. Tais casamentos foram destinados a permitir que o casal crescesse junto e formasse algum tipo de vínculo. Esta era uma antiga crença tola, nada a ver com a pedofilia que Maomé legitimou.

  1. A Europa também permite casamento de meninas!

A idade legal do casamento em todos os países europeus é 18. Os dois únicos países que permitem a idade mínima de 16 anos são a Albânia e Malta, ambos fortemente influenciados pela cultura islâmica. Mais uma vez: estamos falando da relação sexual de um homem velho com uma criança. Isso não é o mesmo que dois adolescentes que se amam um ao outro e brincam. É normal que dois adolescentes se apaixonem. Mas não é normal um homem maduro de mais de 50 anos cobiçar uma criança de 6 anos.

  1. Qual a idade para o consentimento na maioria dos países em todo o mundo?

A idade do consentimento em todo o mundo varia entre 18 e 21 anos, com muito poucas exceções que permitem o casamento aos 16.

Fonte em Inglês: http://en.wikipedia.org/wiki/Marriageable_age

  1. É justo julgar um casamento que aconteceu há uns 1400 anos com a moral de hoje?

Sim, é muito justo. Se não estamos autorizados a fazer tal juízo, então não podemos julgar os crimes de qualquer figura histórica. Aquele que é incapaz de reconhecer esse ato como mau não merece ser chamado de uma pessoa com juízo.

Além disso, isto não tem nada a ver com o passado. Os muçulmanos consideram Maomé como o melhor exemplo a ser seguido em todas as épocas. Assim, crianças são estupradas em todos os países islâmicos a cada dia, em pleno século XXI, só porque Maomé fez isso no século VII.

  1. As noivas na África têm menos de 10 anos.

Não é verdade. Veja no link acima. Os muçulmanos fazem isso violando a lei e se safando.

  1. Não é para satisfazer desejos sexuais.

Este é o argumento mais estúpido. Então pra que é? Se a ideia é fazer alianças com tribos hostis, como alegam os muçulmanos, significa então que a criança é usada como peão político? E os direitos da criança? Por que não se casar com uma mulher adulta? Além disso, Abu Bakr (pai da menina) já era um discípulo de Maomé, que não precisava estuprar sua filha pequena para ganhar sua amizade. Abu Bakr era um cultista de neurônios mortos. Aquele idiota permitiu que Maomé estuprasse sua filhinha pela a ganância de ir para o céu a fim de “comer” 72 virgens. Ambos estão agora no inferno e algum demônio está “comendo” os dois. Os muçulmanos que defendem as práticas de Maomé vão depois participar.

  1. Não faz lógica comparar uma menina americana ou ocidental do século XXI com uma menina árabe oriental de 1400 anos atrás.

A fisiologia humana não mudou durante o último par de milhões de anos. O feto humano amadurece em nove meses, independentemente da raça e do clima, e todas as meninas atingem a puberdade em torno da idade de 13 anos. Estes números não mudaram nos últimos dois milhões de anos. Uma pessoa de nove anos é uma criança, seja na África, no Alasca ou na Arábia. Aisha narrou que, apesar de as brincadeiras com bonecas serem proibidas no Islã, Maomé não se opôs a que ela brincasse com suas bonecas, porque não tinha ainda atingido a idade da puberdade, quando o “profeta” a levou para a cama. Ela estava brincando com bonecas e Maomé queria ter relações sexuais com ela.

Os muçulmanos sabem disso, mas ainda defendem esse homem doente e a ironia nisso tudo é que eles exigem respeito. Não! Você não merece respeito. Os porcos merecem mais respeito do que qualquer pessoa que segue um pedófilo depravado.

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Sobre o autor: Ali Sina é o pseudônimo de um ex-muçulmano nascido no Irã, que atualmente mora no Canadá. É um dos críticos mais respeitáveis da religião islâmica e também um dos mais ferrenhos. Fundador do fórum FAITH FREEDOM INTERNATIONAL (http://www.faithfreedom.org), que ajuda ex-muçulmanos em todo o mundo, Ali Sina é autor de várias obras, entre elas Understanding Muhammad (Para entender Maomé), com tradução prevista para o início de 2016.

Por que minha mãe me quer morta

Texto de Sabatina James (2012). Link para o original.

Tradução khadija kafir 01-09-2015

Quando eu tinha 18 anos, meus pais ameaçaram me matar. E eles realmente iam fazer isso. Se eles tivessem tido oportunidade, eu provavelmente estaria morta hoje.

O problema começou quando eu tinha 15 anos. Naquela época, minha família estava vivendo na cidade australiana de Linz, a uma grande distância de nosso Paquistão, onde eu havia nascido numa vila rural na sombra das montanhas Kashmir. Eu amava as liberdades da minha nova vida na Europa – as camisetas, os batons e delineadores. Meus pais conservadores não gostavam. Nós tivemos uma briga sobre aula de natação e teatro, coisas que meu pai dizia que era para prostitutas. Os absorventes internos também eram um tabu – minha mãe pensava que eles iriam arruinar minha virgindade.

Quando minha mãe achou meu diário um dia e descobriu que eu tinha beijado um rapaz no estacionamento depois da escola, ela agarrou pela bochecha, empurrou-me contra uma parede e chutou minhas pernas, chamando-me prostituta. Quando ela mesma tinha a minha idade, ela estava comprometida em um casamento arranjado.

Eu discordava. Então entrei em um conflito com minha mãe que durou três anos. Em famílias como a minha, enraizadas em tradições tribais, o casamento é o destino de uma filha. E os pais nem sempre são os que primeiro enfatizam- às vezes é a mãe. Isso é muito pior, na minha opinião. Quando você se torna uma mulher jovem e madura e sua mãe ainda bate em você, é muito traumático. Você fica sem apoio.

Minha mãe começou a vigiar cada passo meu. Um dia, quando ela encontrou uma camiseta que ela achou muito pequena, ela me deu um tapa bem forte no rosto, cortando meu lábio. Ainda assim, eu me recusava a me submeter. Eu não queria me anular em um casamento forçado. Eu queria minha liberdade.

Para meus pais, minha rebelião era uma fonte de grande vergonha. Eles se sentiam envergonhados diante dos outros paquistaneses na Áustria. Eles se tornaram mais determinados a me casar e restaurar a “honra” da família.

Quando eu tinha 16 anos, minha família visitou o Paquistão. Eu me lembro de sair para caminhar com uma roupa que considerei bem modesta- uma calça larga e uma blusa. Outros viram aquilo de maneira diferente. Uma multidão de homens se formou, vaiando e assoviando. Naquele dia minha mãe me bateu outra vez, numa sala cheia de parentes.

E daí ela bateu em si mesma. Eu sabia que havia paquistaneses que se flagelavam quando sofriam, mas nunca esperei que minha própria mãe fosse fazer isso. Eu a vi bater em si mesma repetidamente no peito com uma vara, dizendo: “eu dei a luz a uma prostituta!”

Meus pais me mandaram para uma escola islâmica, ou madraça, em Lahore, para que eu “me educasse”, como minha mãe dizia. Eu fiquei em um quarto com 30 outras meninas – não havia cadeiras, camas, ventiladores. Naquele quarto não fazíamos outra coisa a não ser estudar o Alcorão, rezar, e ouvir palestras do mulá sobre o profeta, que falava atrás de uma cortina. Se uma menina falasse, ela seria publicamente jogada nos fundos do alojamento. Moscas e vermes habitavam o banheiro. Não havia papel higiênico, apenas toalhas com manchas de sangue. O sanitário era um buraco no solo.

Depois de três meses, eu parei de comer e fui expulsa. Acabei concordando em me casar com um homem que minha família tinha escolhido, de modo que pudesse voltar a Áustria durante o noivado. Mais tarde, quando os meus pais perceberam que eu não ia levar o casamento adiante, meu pai disse: “a honra dessa família é mais importante do que a minha vida ou a sua”.

Aquilo era uma ameaça direta a minha vida. Parece extremo, mas acontece. De acordo com as Nações Unidas, 5,000 mulheres e meninas são assassinadas a cada ano por “desonra” a família por agir de modo desobediente e imodesto.

Eu fugi, sobrevivendo por dormir em um abrigo num café local em Linz. Meus pais me incomodavam em ambos os lugares, aparecendo lá e me mandando casar. Todos os dias eles apareciam, parecendo demônios possuídos, até que eu perdi meu emprego. Eu tinha 18 anos.

Escapei para Viena com a ajuda de amigos. Lá eu comecei uma nova vida, mudando o meu nome e me convertendo ao catolicismo. Eu escrevi um livro sobre minha experiência, e minha família me processou por difamação. O juiz sentenciou em meu favor.

Hoje eu estou tentando quebrar a tradição do “case ou morra”. Eu dirijo uma fundação chamada Sabatina, na Alemanha, onde vivo. Meu grupo atua como um trilho subterrâneo, ajudando as mulheres a escaparem de suas famílias, e a encontrar emprego e abrigo.

Raramente saio sozinha. Sempre fico a pensar se alguém está me espionando por aí. Eu amo minha liberdade, mas paguei um preço bem alto.

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Não tenho conexão com qualquer Deus, religião ou seita

Neste pequeno artigo, a médica e escritora bengali Talisma Nasrin diz o que é preciso fazer para melhorar a situação das mulheres do Oriente, bem como africanas e asiáticas.

Texto de Talisma Nasrin. Para ler o original, clique aqui.

Publicado por khadija Kafir em 21/07/2015

A maioria das pessoas confunde espiritualidade com alguma forma de crença religiosa. Todavia, por mais que se queira separar a ambos, uma pitada de religião sempre consegue aparecer na espiritualidade. É por essa razão que a palavra não significa nada para mim. Eu não tenho conexão com qualquer religião, qualquer Deus, qualquer seita.

Eu só acredito no humanismo secular. Eu era muito jovem quando comecei a argumentar e lutar por direitos iguais para homens e mulheres. Mesmo quando eu era uma menininha, eu nunca podia entender porque havia um conjunto de regras para meninos e outros para meninas. Eu acho que minha habilidade de questionar me fazia especial. Eu nunca obtive uma resposta satisfatória. E minha busca só continuava… Se eu puder fazer algo por aqueles que são oprimidos e explorados, se eu puder ajudar a melhorar seu destino, se eu puder criar consciência nas mulheres, eu poderia dizer que achei a felicidade.

Eu não chamaria isso de paz- nunca estou em paz – mas eu diria que uma distancia significativa foi percorrida. Não sou uma pessoa muito corajosa. Minha força vem quando eu vejo mulheres lutando. A luta delas me dá resiliência para continuar lutando pelos seus direitos.

Minha abordagem para lidar com toda problemática é a mesma – vá até a raiz e corte-a para sempre. Não existe utilidade nenhuma em achar soluções superficiais para problemas perenes. Creio que a resposta científica é o melhor caminho para resolver complicações. Fé cega não é meu forte. Não creio em baixar minha cabeça para ninguém ou para nada.

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Sobre a autora: Talisma Nasrin é uma ex-muçulmana lésbica nascida em Bangladesh. Formada em Medicina, Nasrin é mais conhecida no mundo por seus escritos e suas críticas à religião islâmica e sua nefasta influência na opressão das mulheres. Em sua autobiografia, intitulada Amar Meyebela, relata sua sofrida infância e faz críticas a Maomé, o que lhe valeu represálias e proibição de vender o livro.