Por que deixei o Islã e agora ajudo outros a deixar

Texto de Imtiaz Shams

A primeira coisa que você deve saber sobre os ex-muçulmanos é que o termo em árabe para nos descrever é basicamente um palavrão: murtardd, que significa “voltar as costas” ao Islã. A palavra tem uma conotação suja, um sentimento de cuspida no chão, com um R pronunciado de maneira rolante e um som pontudo ao final. Isso é o começo do que você deve passar se alguma vez quiser desempacotar a discriminação sistemática e ubíqua que enfrentamos em todos os aspectos de nossas vidas.

Uma forma chave de discriminação é a rasura, ou a minimização de nossa experiência pelos estereótipos, sendo o mais comum aquele que diz: “Provavelmente você não era um muçulmano de verdade”. Eu passei metade da minha vida crescendo na Arábia Saudita, viajando para Meca para a Umrah, a sagrada peregrinação. Meu primeiro livro foi uma cópia de capa lindamente vermelha com detalhes em ouro de uma compilação dos hadiths (tradições) do profeta Maomé e seusSahaaba (companheiros). Eu tenho rezado, jejuado e memorizado o Alcorão desde que posso me lembrar e devoraria livros que sondava as verdades do Islã através de seus milagres científicos e códigos morais.

Minha família se mudou ao Reino Unido antes do 11 de setembro, e muitos muçulmanos vão entender o que quero dizer quando falo que a atmosfera mudou depois daquele dia. Na escola, os meninos me apelidavam “terrorista” e até os dias de hoje eu tenho uma camiseta onde alguns deles desenharam explosivos e bombas no meu último dia de aula no Ensino Médio. Aquela discriminação não afetava o que era então um profundo e duradouro amor pelo Islã – apenas o fortificava.

Então o que aconteceu? Se tudo estava planejado para que eu passasse minha vida como muçulmano praticante, por que eu deixaria de sê-lo? Um dos pilares chaves da ortodoxia islâmica é a sua natureza perfeita e a infalibilidade do Alcorão, afirmações essas firmemente sustentadas por duas décadas. Mas quando eu fiquei mais velho e meu senso crítico se desenvolveu, as verdades aceitas sobre moralidade das ações do Profeta e os milagres do Alcorão ficaram mais difíceis de digerir.

Eu parei de acreditar que as montanhas eram “estacas” ou “marcações” protegendo a Terra de terremotos. Ironicamente, as montanhas são mais comuns onde os terremotos acontecem mais plenamente: nas zonas tectônicas.

Eu não mais acreditava que o Islã tinha vindo para eliminar progressivamente a instituição repugnante da escravatura. Em vez disso, eu comecei a sentir que a institucionalização da escravatura nos textos islâmicos veio sob os auspícios dos “prisioneiros de guerra”, permitindo que milhões de africanos e não árabes fossem feitos escravos por vários Califados, em alguns lugares, excedendo o horrível comércio transatlântico de escravos.

Eu pensava que o Islã tinha dado às mulheres direitos iguais aos dos homens, e isso pode ou não ser verdade, se levarmos em conta que nos referimos a 1.400 anos atrás. Todavia, tomado literalmente, a mesma escritura pode ser usada para reduzir sua herança e seus direitos legais, reforçar vestimentas ritualísticas e outras práticas, bem como transformá-las em objetos de escolha ou invisíveis aos homens, bani-las de se casar com os não muçulmanos mas dar esse direito aos homens… a lista prosseguia na minha mente.

Apesar de tudo isso, eu não podia aceitar internamente que eu tinha deixado o Islã pois eu não sabia que podia.  Só a ideia de que alguém pudesse ser um muçulmano praticante e deixar o Islã era completamente alheia a mim. Eu finalmente fui forçado a aceitar que eu não mais acreditava no Islã no começo de 2012, mas eu não em que me espelhar, e ninguém que entendesse aquilo que eu ia falar. Minha amiga Aliyah descreveu esse estágio como ser “um alienígena em sua própria pele” e eu me senti completamente exilado.

Outro sentimento que permeava minha apostasia era o medo. O Islã se apresentava como um diagrama completo e objetivo para a minha vida, com a missão de ditar meu papel neste mundo e minhas relações com a morte e com a vida póstuma. Isso me fez crer que sem a religião, mesmo que eu vivesse fazendo a diferença neste mundo, eu não mais seria um abd Allah, um escravo de Alá, e assim minha vida seria sem lógica. Narrava-se que o dia do julgamento (Yawm al-Qiyamah) viria e eu seria julgado como apóstata, um dos piores pecados; e lançado ao Jahannum (inferno). A linguagem que gira em torno do inferno na escritura islâmica pode ser aterrorizante – será que é alguma surpresa que os ex-muçulmanos tenham que lidar com a ansiedade que isso cria?

Este período de isolamento e medo não durou muito tempo, pois eu rapidamente encontrei outros quando acabei indo parar em um grupo no Reddit que se chamava /r/ exmuslim. Subitamente, eu tive acesso a milhares de ex-muçulmanos ativos, suas histórias, conselhos e experiências de discriminação. Quase todos esses usuários eram anônimos porque herdavam riscos sociais e físicos por deixar o Islã, então eu comecei a me identificar. Eu cheguei com um protocolo de identificação, checando cuidadosamente as pessoas uma por uma. Compartilhar a história pela primeira vez com outro ex-muçulmano é emocionante, havia tantos de nós para partilhar. Claro que ainda nos sentíamos como aliens, mas havia muitos aliens então nos sentíamos mais confortáveis dentro de nossa própria pele.

Nessa época, eu tive a chance de conhecer dois advogados gays que me deram um conselho: o que realmente mudou para a comunidade GLBT na Grã-Bretanha não foi apenas ficar em comunidades organizadas, mas o fato de que eles vieram a público. Isso fez muito sentido para mim, então eu juntei forças com Aliyah Saleem, uma ex-muçulmana feminista e ativista, e nós começamos o que se tornaria o “faith to faithless”, uma organização que cria plataformas tanto dentro da internet quanto fora dela, para promover a voz dos apóstatas.

O primeiro evento do Faith to Faithless foi há um ano, na Universidade Londrina de Queen Mary (QMUL). Embora tivéssemos membros da sociedade islâmica e grupos de da’wah (pregação) panfletando no nosso evento, o sucesso foi massivo. Alguns dos ex-muçulmanos que conhecemos lá haviam palestrado em outros eventos. Recebemos apoio do público em geral (incluindo muçulmanos), também recebemos muitas cartas de ódio e abuso. Havia pessoas que cuspiam no chão e me chamavam de murtadd, enquanto que os insultos às mulheres do Faith to Faithless eram sempre recheados de termos asquerosamente sexistas. Pior ainda é que éramos rebaixados por aqueles que deviam estar nos ajudando, incluindo algumas feministas e ativistas de esquerda, que usavam termos raciais como “informantes nativos” para nos descrever, subestimando nossa agência como uma minoria dentro de uma minoria.

Como você pode imaginar, muitos ex-muçulmanos entram em contato com o Faith to Faithless por querer conselhos ou ajuda urgente e tem enfrentado abuso em diferentes formas. Alguns, embora aceitos como membros por suas famílias, são advertidos constantemente que vão “queimar no inferno” e deveriam se arrepender. Outros são jogados na rua sem nenhum tipo de ajuda financeira. Outros são fisicamente agredidos, tal como uma ex-muçulmana que levou um murro no estômago dado pelo irmão e depois foi trancada no quarto pelos pais.

É importante notar que nem todos os muçulmanos tem tratado os apóstatas desse jeito. Algumas das vozes mais importantes para mim foram a de meus amigos muçulmanos que me mandaram mensagens privadas mostrando seu apoio e amor. Nós precisamos ser capazes de ficar de pé e lutar contra ambas as discriminações: contra os muçulmanos e contra os apóstatas, o que frequentemente vem junto. Se você é um jovem ex-muçulmano que deixou sua fé e se sente só ou isolado, entre em contato. Você definitivamente não está sozinho.

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Um tributo a Answar Shaikh [1928 – 2006]

Por Khadija Kafir 25/02/2016

Uma grande mente do século XX, cujas descobertas sinistras sobre o Islã abalaram o mundo, Faleceu dia 25 de novembro de 2006. Anwar Shaikh nasceu em 1 de junho de 1928, em Gujrat, na Índia. Sua família era extremamente religiosa, o que o influenciou a seguir o Islã com paixão. Em 1947, a Índia estava em processo de independência da Grã-Bretanha, e os muçulmanos e os hindus estavam em guerra civil. Nessa época, Anwar Shaikh era um muçulmano devoto e matou dois Sikhs e um hindu sem sentir nenhum remorso. Suas convicções religiosas eram afins àquelas de um muçulmano jihadista, o tipo que encontramos hoje.

Todavia, com a idade de 25 anos, Anwar foi tocado pela luz da humanidade e deixou o Islã.

Anwar era um professor no Paquistão, mas ele imigrou para a Grã-Bretanha em 1956 e se tornou um próspero homem de negócios. Ele se casou com uma dama celta e se integrou a sociedade britânica. Talvez seu remorso por ter matado três pessoas o assombrasse pelo o resto da vida. Ele assim abraçou o Hinduísmo.

Em 1973, Anwar começou sua missão pública para erradicar o Islã. Desde então, ele se tornou muito crítico dessa religião, escreveu muitos livros e se engajou em uma missão para educar o mundo sobre os perigos da religião. Como crítico sério e por ter muitos familiares muçulmanos, ele tinha simpatia por eles, como muito bem apontou: “o problema não é o muçulmano. O problema é o Islã”. Durante a década de 90, Anwar Shaikh se tornou vítima de uma fátua pelo conteúdo de seus livros.

Anwar Shaikh já faleceu, mas seu legado viverá pelas suas palavras.

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Fonte: http://www.islam-watch.org/AnwarSheikh/Koenraad.htm

Por que deixei o Islã

Texto de Waleed Al-Husseini. Link para o original (2010)

Os muçulmanos frequentemente me perguntam por que deixei o Islã. Curioso é que os muçulmanos parecem não entender que renunciar o Islã é uma escolha oferecida a todos e que qualquer pessoa tem esse direito. Eles pensam que todo mundo que deixa o Islã é um agente ou um espião de um Estado Ocidental, chamado Estado de Israel, e que recebem somas em dinheiro dos governos de países ocidentais e seus serviços secretos. Eles realmente não acreditam que as pessoas são livres para pensar e acreditar no que é melhor para elas.

Antes que eu comece, gostaria de enfatizar que ao escrever este artigo, não quero implicar que o Cristianismo ou o Judaísmo são melhores que o Islã, e o leitor não deve se enganar pensando que eu rejeito apenas o Islã entre as religiões, pois para mim todas as religiões são lendas enganadoras do cérebro e um monte de bobagens que competem umas com as outras em termos de estupidez.

Aqui está uma lista de motivos que me levaram a apostasia:

O Islã é uma religião de tolerância?  

O Islã é uma religião autoritária que não respeita as escolhas individuais da pessoa, o que é facilmente verificável pelas suas sentenças bárbaras tais como apedrejamento de adúlteros, atirar homossexuais de despenhadeiros e matar os apóstatas por ousarem expressar um ponto de vista diferente. Depois disso segue o destino dos membros de outras religiões nos países islâmicos. O Islã comanda que seus seguidores lutem contra os infiéis até que se convertam ou concordem em pagar uma taxa chamada de “Jizya” por cabeça, em total submissão. Os textos sagrados do Islã também encorajam guerras flagrantes e a conquista de novos territórios para espalhar a religião de Maomé, ao invés de usar métodos pacíficos para transmitir a mensagem, e usar um esquema argumentativo racional, coisa que o Islã – bem como as outras religiões- carece. É simplesmente um insulto aos valores humanos e uma prova de demência sem precedentes.

O Islã é a religião da igualdade?

O Islã apresentou a tribo dos coraixitas como “a escolhida” para reinar sobre a raça humana. Maomé não concedeu uma só responsabilidade social para alguém que não fosse de sua tribo. O Islã legitimou a escravidão, reforçou as classes sociais e legitimou o roubo dos bens dos infiéis, da posse das mulheres como cativas (Sabaya) durante as guerras e o abuso sexual de tais cativas (Ima’a). Também tem provocado dano às relações maritais com as leis do dote (Mahr) e do divórcio, transformando assim a relação do matrimônio em uma transação comercial.

O Islã é uma religião de justiça social?

Alguns dos princípios mais ultrajantes do Islã são a pilhagem e o roubo, bem como a exploração das pessoas pelo sistema de taxação chamado Al-Jizya. O Islã reconheceu a desigualdade social ao impor o Zakat, de acordo com o seguinte ditado: “um homem rico e grato é melhor do que um homem pobre e paciente”.

O Islã foi justo com as mulheres?

Uma mulher no Islã tem menos razão e menos fé. Ela distrai as orações, do mesmo jeito que os burros e cachorros pretos; e é considerada impura durante a menstruação. A ela deve ser dada apenas a metade da herança de um homem e seu testemunho nos tribunais de justiça vale a metade.

O Islã a coloca sob a guarda do marido e implicou que a aprovação de Deus se dá pela obediência a ele. Um homem também tem o direito de corrigir sua mulher batendo nela e/ou deixando o leito marital se ela se recusar a se submeter a suas vontades.

Ela não tem escolha quando se trata de satisfazer seus desejos sempre que ele quiser, sem levar em conta seus sentimentos e desejos. Não sou feminista e não sou daqueles que defendem as mulheres com ardor contra as inúmeras formas de injustiça que elas sofreram por séculos por causa da religião, mas eu tenho uma mãe, uma irmã e uma companheira, e eu não posso aceitar que sejam humilhadas e estigmatizadas de maneira tão horripilante. Elas são preciosas para mim e eu as amo muito para trata-las dessa maneira asquerosa e falha, e que desmascara as pretensões do Islã ser uma religião de igualdade e liberdade!

O Islã e a criatividade humana.

Todas as formas de expressões artísticas são banidas no Islã: a música, o canto, a dança, a pintura, a escultura, o teatro e também a literatura, a poesia e o uso da lógica! Se você acha difícil de acreditar, eu convido você a conferir as fontes islâmicas, bem como as frases de Maomé, para ter certeza de que eu não estou exagerando e que estou dizendo a mais absoluta verdade.

O Islã e a ciência.

O Islã é rico em alegorias, começando com o mito dos Oráculos (a palavra de Deus comunicada a Maomé via anjo Gabriel), por todo o caminho chamado de Jornada Noturna e Ascensão, quando Maomé supostamente ascendeu aos céus nas costas de um fantástico animal chamado “Burâaq”, voando na velocidade da luz, para finalizar com as mirabolantes histórias que ninguém testemunhou e que nenhuma civilização registrou em seus arquivos históricos, e nem mencionou os fatos que poderiam corroborar essas alegações.

O Islã é assim baseado em fé cega que cresce e domina a mente das pessoas onde há irracionalidade e ignorância. Se essa ideologia tinha métodos de persuasão apelando para a lógica e a razão e abordou cada aspecto da vida humana, como nós os ex-muçulmanos somos ensinados a crer desde o princípio, por que então precisa recorrer a essas histórias malucas para provar sua precisão e apoiar suas ideias? Não é essa a atitude dos mentirosos e dos impostores? Não se esqueçam da contradição flagrante entre os textos sagrados e as verdades científicas básicas, tais como dizer que a Terra é fixa e que o céu fica suspenso acima do solo sem ser sustentado por nenhuma pilastra, e que os meteoritos foram feitos com o propósito de apedrejar os demônios que espiam de cima o que os seres humanos estão fazendo.

Os milagres científicos do Alcorão.

Nós os ex-muçulmanos conhecemos todos os absurdos, as falcatruas e as burlas dos sheikhs que dizem existir milagres científicos no Alcorão, e eu acho bom perguntar por que essas pessoas fabricam uma mentira colossal depois da outra em torno da religião.

A resposta é simples: somente uma teia de mentiras é capaz de perpetuar outra mentira. O Islã não pode se segurar frente a ciência que revela seu mito e sua inegável fraqueza, tal como afirmar que a Terra é plana e que duas pessoas que mamam no seio de uma mesma mulher se tornam parentes biológicos.

Tais pessoas protegem o Islã de passar da moda e perecer desesperadamente tentando reconciliá-lo com a ciência usando o engano e a distorção. Se o Islã fosse uma religião divina e uma mensagem vinda do criador do universo, seria esse objeto de escárnio da ciência e alvo de ilimitadas críticas?

O deus islâmico

Ele é um deus beduíno, primitivo e antropomórfico, o qual tem suas características derivadas do ser humano e experimenta sentimentos de raiva, vingança, ressentimento, superioridade, etc.

A imagem do deus que foi descrita nos textos sacros islâmicos reflete bem a civilização humana, como o trono majestoso carregado pelos anjos, em que ele assentou quando terminou o processo de criação, que nos traz a mente o ritual do Honga-Bonga feito com o chefe da tribo.

Pior ainda é que algumas ações humanas tais como homossexualismo podem fazer este trono magnífico tremer. Aqui está um Hadith que chamou minha atenção: “qualquer trabalho feito pelos filhos de Adão é da conta deles, exceto o jejum, que é da minha conta e eu dou sua recompensa”.

A pergunta que me atormenta é esta: que prazer pode o todo poderoso deus achar nessas pobres pessoas que o adoram? Que benefício isso faria a ele?

O profeta do Islã e o Alcorão.

Maomé não era diferente de um bandido bárbaro que massacrava, roubava e estuprava mulheres. Há muitas provas nas Sunnas, eu convido você a fazer esse dever de casa (de ler) antes de me acusar de mentir tão somente pelo propósito de danificar a imagem do profeta do Islã. Ele era um maníaco sexual, e contornava as leis que promulgava para aquietar seu apetite voraz. Ele dividiu a humanidade e aprisionou a nação com leis retrógradas de um beduíno arcaico. Ele não fez nenhum milagre que pudesse provar sua habilidade profética; tudo que ele tinha era um livro que mostrava semelhanças com a poesia de seus contemporâneos, cheio de erros científicos e dilemas filosóficos.

Conclusão: eu provavelmente teria que escrever um livro inteiro para falar de maneira suficiente sobre as razões que me levaram a renunciar o Islã como religião, mas esses poucos itens listados são as coisas mais importantes que me intrigaram e me levaram a repensar a essência do corolário da fé que, como qualquer outra religião, é uma ideologia mitológica a serviço da política.

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Waleed Al-HusseiniSobre o autor: Waleed Al-Husseini  é um ex-muçulmano palestino e blogueiro ateísta. Já foi preso sob a acusação de blasfêmia contra o Islã e sua prisão chamou a atenção internacional. Depois de ser torturado uma vez e passar 10 meses preso, Waleed Al-Husseini conseguiu fugir para a França, onde pediu asilo e vive até hoje.

#ExMuculmanoPorque

O texto de Ali A. Rizvi (24-11-2015). Tradução e adaptação: Khadija Kafir (29-11-2015) Link para o original.

Onde estão os liberais secularistas no mundo islâmico?

Eu perdi a conta de quantas vezes ouvi essa pergunta. A resposta é tanto surpreendente quanto desoladora. Nos países de maioria muçulmana, eles são frequentemente açoitados e aprisionados por ter blogs, hackeados até a morte em plena luz do dia, ou sentenciados a morte por escrever poemas. Aqui no Ocidente, eles são frequentemente desonrados pelas suas próprias famílias, segregados de suas comunidades, e até assassinados pelas suas próprias famílias em “assassinatos em nome da honra”.

Quanto àqueles que escolhem deixar a religião, o que vem depois é ainda mais sinistro. Há treze países, todos de maioria muçulmana, onde o ateísmo é punível com a morte. E na Arábia Saudita – o lugar que deu origem ao islã, a seu profeta, e onde há os dois lugares mais sagrados, Meca e Medina – declarou que todos os ateus são terroristas. Lembre-se, este é o país não apenas de Osama bin Laden, mas de quinze dos dezenove sequestradores do 11 de setembro.

Quando mudar de pensamento vem com um preço tão alto, não é de se surpreender que você não escute muita coisa vinda de secularistas, ateus e agnósticos no mundo islâmico.

Mas na última terça (17 de novembro), isso mudou. O Conselho dos Ex-Muçulmanos da Grã-Bretanha, de Maryam Namazie (Irã), começou uma campanha na semana passada encorajando os dissidentes ao redor do mundo a aparecer e dizer por que eles deixaram o islã.

A resposta foi tremenda. Nesta sexta feira pela manhã, a hashtag #ExMuculmanoPorque foi a hashtag mais popular no Reino Unido. Nós ouvimos gays sauditas, mulheres que foram forçadas a se casarem, ateus “dentro do armário” no Egito e no Paquistão tweetando usando pseudônimos, mulheres jovens deserdadas pelas próprias famílias nos EUA e mais.

Eu compilei alguns dos tweets mais populares abaixo. Alguns vem de forma racional, e outros são zangados, o que é compreensível se você pensar na barra que passam muitos ex-muçulmanos. Há também os tweets dos muçulmanos que não são muito amigáveis, bem como daqueles que foram apoiadores. O que você vai ver abaixo é o que nunca se escuta, o terceiro lado da conversa internacional que temos testemunhado desde os ataques de Paris – uma conversa que representa uma alternativa de pensamento que só aumenta e que está se desenvolvendo no mundo islâmico, onde o ateísmo está crescendo.

Alguns tópicos para se ter em mente antes de ler:

1- Por fazer parte de uma família ou comunidade muçulmana, o ex-muçulmano não apenas recebe o mesmo tratamento intolerante que os muçulmanos recebem (no Ocidente), mas são também perseguidos pelos próprios muçulmanos, que os consideram heréticos e apóstatas.

2- Os ex-muçulmanos frequentemente se encontram entre os intolerantes de extrema direita, que demoniza todos os muçulmanos; e o apologismo da extrema esquerda, que relega qualquer crítica legítima contra o islã como “islamofobia”. Criticar o islã e demonizar os muçulmanos como pessoas são duas coisas completamente diferentes.

Aqui estão alguns dos tweets:

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Alguns muçulmanos não gostaram da campanha:

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Outros deram muito apoio:

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Alguns não muçulmanos que deixaram suas religiões mostraram solidariedade:

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headshotSobre o autor: Ali A. Rizvi é um ex-muçulmano nascido no Paquistão e que mora em Toronto (Canadá). Ele é médico e músico; e está escrevendo seu primeiro livro que se chama The Atheist Muslim: Losing My Religion but Not My Identity (O muçulmano ateu: deixando minha religião mas não a minha identidade).

Pensando por si mesmo: apostasia

O texto abaixo constitui o capítulo 18 do livro Leaving Islam- apostates speak out (Deixando o Islã- os apóstatas desabafam) de autoria de Ibn Warraq. O livro é um resumo de várias biografias de ex-muçulmanos. Hoje contaremos a história de Faisal Muhammad, do Paquistão.

Texto de Faisal Muhammad.  Tradução de khadija kafir (28-10-2015).

Eu nasci em 1947 em Lahore. Sendo eu uma criança reflexiva desde o início de minha vida, eu sempre quis descobrir sozinho a verdade sobre a existência humana. Embora meu pai fosse uma pessoa religiosa, ele não era muito devoto. Meus pais eram divorciados e minha mãe tomou a decisão sábia de me deixar ficar com meu pai. Ela acreditava que em uma sociedade paquistanesa de classe média uma mulher divorciada não podia providenciar proteção e o apoio necessário a uma criança a fim de educá-la. Com dor no coração, ela tomou a decisão de me deixar viver com meu pai e com minha madrasta.

Meu pai tinha desenvolvido uma afeição por uma mulher que beirava os 18 anos quando ele tinha mais de 40. Ele pronunciou o “talak” divórcio rapidamente para se livrar da minha mãe e trazer sua nova esposa. Eu tinha apenas três anos na época. Cresci sem amor nem afeição, mas meu pai cuidou para que eu fosse para a melhor escola da cidade. Eu não podia aceitar as respostas superficiais do islã que eram oferecidas como resposta às minhas perguntas. Por um tempo, fiquei interessado no Sufismo mas em breve descobri que meu mestre sufista era um mentiroso e um intolerante, que não condizia com suas pretensões de ser um especialista e um professor de misticismo. Todas as vezes que ele falava sobre os hindus que tinham vivido em Lahore antes de 1947 ele esquecia sua mensagem de amor humano e o lado fanático nele aparecia. Durante momentos de distração ele admitia que muitos hindus e sikhs eram boas pessoas, mas todas as vezes em que eu tocava no assunto, ele me dava a explicação padrão de que todos os hindus eram “kafirs” (infiéis) e assim sendo matá-los ou expulsá-los de Lahore era correto.

Às vezes eu dava voltas por Lahore em minha bicicleta e, sem qualquer planejamento ou objetivo, ia através de diferentes partes da cidade. Isto incluiria Krishan Nagar e Sant Nagar, que não eram longe de onde eu morava. Tais locais eram de classe média e classe média baixa e de religião hindu antes da partição. Aqui ainda se podia ler nomes hindus e sikhs inscritos na pedra na entrada. Às vezes a casa se chamava “Sunder Nivas” ou “Bharat Nivas”. Eu sempre quis saber quem eram as pessoas que moravam lá e porque elas foram expulsas com a partição. Por acaso eu consegui adquirir romances e contos escritos por Krishan Chander, Rajinder Singh Bedi, Saadat Hasan Manto e outros autores.

O maravilhoso trabalho deles sobre a partição histórica do Paquistão (e da Índia) abriu novos horizontes diante de mim. Comecei a ver o papel crucial perpetrado pela religião e pelo fanatismo na sociedade. Eu acho que naquela época eu me tornei um cético em relação às crenças religiosas. Em 1968 eu comecei a estudar na Universidade de Punjab. Foi o ano em que o movimento estudantil no Paquistão se tornou radical. Muitos de meus novos amigos eram esquerdistas e alguns dos professores eram marxistas. Assim começava um interesse meu pela política marxista e eu li todas as grandes obras do Marxismo.

Naquela época eu tinha percebido que o islã, como muitas outras religiões, era um código moral primitivo que tinha sobrevivido a sua inutilidade na época presente. As sociedades muçulmanas que existem são corruptas, repressivas, opressoras de não muçulmanos e com tendência ao chauvinismo masculino e a dominação. A classe governante sempre invocava os escritos mais reacionários do Alcorão para se opor ao progresso e a reforma.

Eu li uma boa parcela da literatura islâmica e estudei a vida de Maomé e seus vários sucessores com profundidade. Ficou bastante claro que ele tinha estabelecido um sistema totalitário no qual não havia escopo para a inovação e o livre pensamento. Nada disso me impressionou, mas eu nunca consegui entender como tantos milhões de pessoas continuavam a seguir seus ensinamentos às cegas e de maneira fanática. Talvez a falta de educação e o medo da morte se combinem para torná-los vítimas de ameaças sobre punições e fogo do inferno. Embora o deus islâmico seja apresentado como o mais misericordioso, o Alcorão está repleto de referências a punições severas.

O sistema totalitário do Marxismo e as práticas não democráticas dos grupos e partidos comunistas no Paquistão também se mostraram frustrantes. Eu então me tornei um humanista e um racionalista. Eu acho que somente uma democracia secular pode providenciar liberdade de escolha e crença. Eu acho que o islã é atualmente a ideologia mais retrógrada e atrasada da Terra. É de fato uma ameaça a paz mundial porém o mais crucial é que seu veneno é dirigido aos livre pensadores de origem muçulmana.

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