O Islã é para todos? O Alcorão diz que não!

Texto de Ali Sina

Os muçulmanos estão promovendo o Islã incansavelmente e dizem que em breve ele irá dominar o mundo. Ao fazer assim, vão contra o Alcorão. Então é justo chamá-los de Kafir.

O Alcorão capítulo 10 verso 47 diz:

Para cada nação, há um Mensageiro.

E o capítulo  14 verso 4 diz:

Nunca enviamos um Mensageiro senão com o idioma de seu povo para que possa tornar tudo claro para eles.

Se esses versos forem verdadeiros, então o Islã não é para pessoas não árabes. O Alcorão atesta que todo povo tem recebido a divina mensagem em sua própria língua, de modo que possa entender, então o Alcorão é para árabes. Este conceito é tão importante que é repetido numerosas vezes.

Alcorão 16:36.
Enviamos a cada nação um mensageiro a proclamar (…)

Alcorão 5:48
A cada um de vós, determinamos uma lei e um caminho.

Alcorão 32:3
 O Livro (o Alcorão) é a verdade vinda de teu Senhor para que advirtas um povo a quem não foi enviado admoestador algum.

Alcorão 36.6
Para admoestar homens cujos pais não foram admoestado e estão por isso desatentos. 

Estes versos não deixam lugar para a dúvida. Alá está dizendo que cada povo teve seu próprio profeta, que os advertiu em sua própria língua, e que Maomé é para aqueles que ainda não recebeu nenhuma orientação, e cujos pais não advertiram: o árabes. Assim, eles não têm desculpas para dizer “mas não recebemos mensagem nenhuma!”

O Alcorão  6: 156- 157 explica:
Foi-vos revelado para que não dissésseis: “O Livro foi revelado a apenas duas seitas (judeus e cristão) antes de nós; ignoramos o que liam nele.”

Nem que dissésseis: “Se o Livro nos tivesse sido revelado, estaríamos mais adiantados do que eles na senda da retidão”.

Os muçulmanos insistem que nenhuma tradução do Alcorão pode ser exata. Portanto, jamais pode ser clara para não árabes. E isso é lógico, pois não foi escrito para eles.

Outra confirmação de que o Alcorão foi enviado apenas para árabes é o capítulo 26 versos 198-199:

Se o tivéssemos revelado a um não árabe, e ele o tivesse transmitido, não teriam acreditado.

Do mesmo jeito que os árabes não têm motivo para crer nos livros escritos em línguas estranhas, os não árabes não têm motivo para crer em um livro escrito em Árabe. Por isso Alá envia um mensageiro para cada povo, e que fale sua própria língua, para que eles possam compreender. Isso faz sentido.

Para ter certeza de que não haja mal entendido, o Alcorão 5:19 reitera:

Ó adeptos do Livro, foi-vos enviado Nosso Mensageiro para instruir-vos, num intervalo entre os Mensageiros, a fim de que não digais: “Não nos veio nem anunciador nem admoestador”. Foi-vos enviado um anunciador e um admoestador. Deus tem poder sobre tudo.         

De acordo com o Alcorão, todos os povos receberam alguma revelação. os versos citados dizem que o Alcorão foi feito para aqueles que nunca receberam nenhuma, para que não diga: “Não chegou a nós alvissareiro nem quem advertisse”.

Isso fica claro, mas Alá quer que fique bem claro até para as pessoas mais burras. Ele cita a localização geográfica exata para a qual Maomé foi enviado.

Alcorão 6:92
 Este é um livro abençoado que baixamos para confirmar o que havia sido revelado antes dele, e para que advirtas com ele a cidade-mãe e os arredores.   

A mãe de todas as cidades, Umul Qura, é Meca. Este verso diz que o Islã foi enviado para advertir Meca e suas proximidades. Como é que pode ser para a humanidade inteira?

Agora fica claro até para o povo mais estulto.  Mas Alá sabe que algumas pessoas são realmente muito burras e quer tornar claro até para elas. Então ele repete a mesma coisa em 42: 7

 Assim te revelamos um Alcorão árabe para que advirtas a cidade-mãe e seus arredores.

Já ouvi os muçulmanos falarem que “em volta” significa “por toda a parte”. Essa não é a definição de “em volta”. Quando falamos Roma e arredores, não incluímos Paris, Londres, Tóquio e Nova Iorque como se fossem arredores de Roma. Aqueles que trazem esse argumento estão dizendo que Alá diz uma coisa mas quer dizer outra. Ele assim está enganando as pessoas. O Alcorão frequentemente diz ser “um livro evidente” (5:15), “fácil de recordar” (44:58, 54:22, 54:32, 54:40), “explicado em detalhes” (6:114), “iluminado e claro” (5:16, 10:15) e “sem dúvidas nele” (2:1).

Agora, eu tenho consciência de que os muçulmanos podem citar outros versos atestando que o islã é para toda a humanidade. Se eles fizerem isso, provarão que os versos citados aqui são falsos.

De duas uma: o Alcorão é uma pilha de mentiras e contradições, ou foi feito apenas para árabes de Meca e arredores. Você decide!

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Ali Sina AuthorSobre o autor: Ali Sina é um ex-muçulmano nascido no Irã e que hoje vive no Canadá. É um dos críticos mais importantes da religião islâmica e também um dos mais ferrenhos. Escreveu vários livros e artigos, e possui um website chamado Faith Freedom, qua ajuda ex-muçulmanos em todo o mundo.

A vida de uma ex-muçulmana no armário

Texto de Chista Pantea

A neve branca cai na montanha hoje à noite, e não se vê uma pegada sequer.

Se já leram meus posts antigos, já sabem que sou uma ex-muçulmana no armário (não assumida). Eu tenho ficado escondida neste armário por quinze meses. Ainda tenho que fazer os rituais. Ainda frequento aulas islâmicas de vez em quando. Ainda uso o hijab. Tenho que escutar palestras islâmicas e de alguma maneira encaixá-las no meu dia-a-dia. Eles leem livros islâmicos, citam escrituras religiosas islâmicas e falam provérbios religiosos dentro de casa.

Eu não faço parte disso.

Um reino de isolamento e parece que sou a rainha.

“Hijab. Alcorão. Manzil. Orações. Inferno. Inferno. Inferno. Dia do Julgamento. Mulheres sabem o seu lugar. Haram. Allah. Muhammed. Allah. Muhammed“… depois de um tempo, parece ser uma música chata de rap.

O vento sopra como essa tempestade interna.

Os membros da minha família têm muita preocupação em como as mulheres se vestem porque aparentemente, a quantidade de honra de uma família está diretamente proporcional ao tamanho de tecido que ela usa. Eu conheci muita muçulmana no armário, mas muito poucas ainda são obrigadas a usar o hijab. Todas as manhãs, enquanto eu ponho meticulosamente o meu hijab, eu lembro para a garota no espelho que ela não deveria deixar que sua coleira a definisse ou a constrangesse. Eu digo a ela que um dia ela será capaz de…

“A curva de seu seio está aparecendo. Seu top está muito apertado. Cubra-se apropriadamente, ou vai ficar em casa hoje”. Eles me ordenam. Fecho a porta espelhada, como uma mocinha, e me recolho. Este é outro dia que deve ser vencido.

Não foi possível aguentá-lo, os céus sabem que tentei.

Eles não podem saber. Não vão aguentar saber. Não sei o que poderiam fazer comigo. Temo que meus pais interrompam minha educação e me coloquem em uma madrassa em tempo integral, como aconteceu com outras amigas, cuja apostasia foi descoberta em uma série de eventos azarados. Minha educação é minha única saída. Minha educação é empoderamento. Minha educação é libertadora. Minha educação é a esperança.

Eu silencio minha mente quando eles começam a pregar. Levo a cabo os rituais como eles almejam. Eu minto. Eu trapaceio. Eu sou falsa. Eu não os questiono mais. Faço como eles mandam.

Não os deixe entrar, não os deixe ver.  Seja a boa menina que deve ser.

Estou perdendo minha memória. Estou perdendo minha mente, ainda assim, permaneço sã. De alguma maneira. Minhas madrugadas são praguejadas pela ansiedade e pelo medo, e minhas tardes são aflitas pela depressão.

Finja, não sinta, não os deixe saber.

Enquanto as coisas permanecem, construo uma arca para escapar desta tormenta. Eu faço uma imersão pelos deleites da pintura e da literatura de terras distantes, e meus sonhos de viajar para tais terras. Quero ser lótus, que sobrevive e prospera no barro.

Minhas lágrimas secaram. Mas não posso me dar ao luxo de fazer meu espírito secar também.

Deixa assim.  Pois haverá um amanhã.

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chista-panteaSobre a autora: Chista Pantea (@ChistaPantea) é uma ex-muçulmana que se define como ateia e humanista. É blogueira para o site Ex-Muslims of North America e vive no Canadá. Também escreve para o www.theexmuslim.com

Conversa com minha mãe

Texto de Chista Pantea

Esta semana, minha mãe me arrastou junto com ela para visitar um santuário. Ela queria que eu prestasse homenagem a um santo islâmico enterrado lá. Aparentemente, ele era bem conhecido por seus esforços em pregar e pelos seus ditos “talentos sobrenaturais”. Durante o caminho, minha mãe mostrava um grande entusiasmo em contar a vida dele e todos os milagres que ele fez. Como ele era grandioso! Como ele era um pioneiro em pregar o Islã em nosso país. Como ele tinha grande influência e poder espiritual! “Que pateta incrível “, eu pensei. Tive que abafar meu riso, pois as contestações e réplicas já me afloravam na língua. Eu as engoli e meneei a cabeça em vez disso. O Que eu poderia fazer?

Enquanto eu entrava na mesquita, uma diferença gritante se manifestou ante meus olhos.

Apartheid sexual

Bem, até aí nenhuma surpresa, claro. Mas era algo mais do que apartheid sexual. Eu percebia como a sala masculina de orações era opulenta e decorada com candelabros e mobília fina. Observei como as cortinas tinham um bom design, e foram penduradas antes do Mihrab, e como os tapetes de oração eram bem decorados, e haviam sido generosamente espalhados pelo solo. Mais importante ainda, observei como a sala era bem ventilada. As portas estavam destrancadas. Os painéis das janelas foram destravados. Havia uma bela mistura de luz solar e de candelabros pela grande sala.

E então, havia a sala de orações das mulheres, pequena como uma caixa de sapato, lá nos fundos. Um compartimento dilapidado, que poderia facilmente se confundir com um galpão. Uma luz simples e alguns tapetes de reza. Mais importante, percebi como era separada do resto do mundo e coberta por pesadas cortinas. Era tão abafada e sufocante. Todas as quatro portas estavam trancadas e as mulheres tinham que abri-las com muito cuidado para que não dessem aos de fora a menor visão das mulheres que estavam dentro. Era como fornecer a elas a privacidade, algo que os homens não precisavam. “Apenas outra desculpa patética para a objetificação sexual das mulheres“, eu pensei com ceticismo.

“Mãe, as mulheres podem ser tornar imames?”, perguntei inocentemente, embora já soubesse a resposta.

“Bem, as mulheres podem só liderar outro grupo de mulheres. Mas se houver imames de ambos os sexos e se ambos tiverem o mesmo conhecimento islâmico, então a mulher deve dar lugar a ele”. Ela respondeu quase como um robô.

“Por que isso?”, perguntei firmemente.

“Por que ela deveria assumir um papel masculino de liderança?”, ela perguntou de volta. Minha face deve ter mostrado um olhar aturdido, pois ela disse: “Há coisas que é melhor que se deixe para os homens. Eles sabem como lidar com elas”.

Que diabo seria isso? Pregar o ódio e a intolerância, levar a cabo a mutilação genital, ignorar as mortes em nome da honra e os crimes cometidos em nome do Islã, ou pregar ideias do século VII?

“Quem disse que as posições de liderança são apenas para homens?” Eu continuei, de alguma forma perplexa. “As mulheres se tornaram presidentes. As mulheres conquistaram o Monte Everest. As mulheres já foram ao espaço. As mulheres fizeram muito mais do que se supunha delas”. 

“Então você acha que uma mulher deveria ser capaz de liderar as orações? Sabe por que os homens e as mulheres não podem orar lado a lado? Por causa da Hayaa (modéstia). O Islã nos ensina sobre o pudor e nós as mulheres devemos proteger nossa Awrah (partes íntimas, ou pudor)” ela retorquiu. Ela prosseguiu enfatizando como era dever das mulheres não causar Fitnah (tentação) aos “pobres homens”.

Eu olhei para ela sem acreditar. Os impulsos sexuais deles, ou sua falta de controle, não são nossa responsabilidade ou dever– eu gritei em minha mente. Mas eu não ousei falar, pois podia parecer muito controverso para ela. Em vez disso, eu interrompi o contato visual e olhei para outro lugar, em fúria.

“Eu sinto muito, Chista. Eu sei que é muito difícil ser mulher. Eu já chorei muitos dias e muitas noites por ter nascido mulher. É um pecado, Chista. É um pecado”.

“Sabe, eu acho que é um pecado nascer uma idiota preconceituosa que se sente mais segura e melhor com a desigualdade. Na época em que os negros foram submetidos a escravidão, eles se ergueram e lutaram por direitos civis em vez de se resignar ao destino e pensar que nascer negro era um pecado. Na época em que o povo de nosso país estava sendo morto pelos colonos, os guerreiros da liberdade se ergueram e lutaram pela independência, em vez de se resignar ao destino e achar que nascer naquele país era um pecado. Do mesmo modo, deveríamos estar pleiteando por nossos direitos e por respeito, em vez de cegamente aceitar ideologias que nos tratam como subumanas”. Eu fiz uma pausa para me perguntar se eu havia passado dos limites, de maneira tola ou destemida. Mas saboreei minha vitória sem pensar nas consequências de minhas afirmações sacrílegas.

“Eu não tenho vergonha de ser mulher. Eu não preciso pedir desculpas. Eu nem mesmo escolhi o sexo que tenho, e ainda assim, foi imposto a mim. Eu sei de muitas mulheres fortes ao redor do mundo que superaram o intransponível. Eu quero ser uma delas, e eu aconselho a você a repensar sua posição”- conclui com fervor.

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chista-panteaSobre a autora: Chista Pantea (@ChistaPantea) é uma ex-muçulmana que se define como ateia e humanista. É blogueira para o site Ex-Muslims of North America e vive no Canadá. Também escreve para o www.theexmuslim.com