Por que deixei o Islã e agora ajudo outros a deixar

Texto de Imtiaz Shams

A primeira coisa que você deve saber sobre os ex-muçulmanos é que o termo em árabe para nos descrever é basicamente um palavrão: murtardd, que significa “voltar as costas” ao Islã. A palavra tem uma conotação suja, um sentimento de cuspida no chão, com um R pronunciado de maneira rolante e um som pontudo ao final. Isso é o começo do que você deve passar se alguma vez quiser desempacotar a discriminação sistemática e ubíqua que enfrentamos em todos os aspectos de nossas vidas.

Uma forma chave de discriminação é a rasura, ou a minimização de nossa experiência pelos estereótipos, sendo o mais comum aquele que diz: “Provavelmente você não era um muçulmano de verdade”. Eu passei metade da minha vida crescendo na Arábia Saudita, viajando para Meca para a Umrah, a sagrada peregrinação. Meu primeiro livro foi uma cópia de capa lindamente vermelha com detalhes em ouro de uma compilação dos hadiths (tradições) do profeta Maomé e seusSahaaba (companheiros). Eu tenho rezado, jejuado e memorizado o Alcorão desde que posso me lembrar e devoraria livros que sondava as verdades do Islã através de seus milagres científicos e códigos morais.

Minha família se mudou ao Reino Unido antes do 11 de setembro, e muitos muçulmanos vão entender o que quero dizer quando falo que a atmosfera mudou depois daquele dia. Na escola, os meninos me apelidavam “terrorista” e até os dias de hoje eu tenho uma camiseta onde alguns deles desenharam explosivos e bombas no meu último dia de aula no Ensino Médio. Aquela discriminação não afetava o que era então um profundo e duradouro amor pelo Islã – apenas o fortificava.

Então o que aconteceu? Se tudo estava planejado para que eu passasse minha vida como muçulmano praticante, por que eu deixaria de sê-lo? Um dos pilares chaves da ortodoxia islâmica é a sua natureza perfeita e a infalibilidade do Alcorão, afirmações essas firmemente sustentadas por duas décadas. Mas quando eu fiquei mais velho e meu senso crítico se desenvolveu, as verdades aceitas sobre moralidade das ações do Profeta e os milagres do Alcorão ficaram mais difíceis de digerir.

Eu parei de acreditar que as montanhas eram “estacas” ou “marcações” protegendo a Terra de terremotos. Ironicamente, as montanhas são mais comuns onde os terremotos acontecem mais plenamente: nas zonas tectônicas.

Eu não mais acreditava que o Islã tinha vindo para eliminar progressivamente a instituição repugnante da escravatura. Em vez disso, eu comecei a sentir que a institucionalização da escravatura nos textos islâmicos veio sob os auspícios dos “prisioneiros de guerra”, permitindo que milhões de africanos e não árabes fossem feitos escravos por vários Califados, em alguns lugares, excedendo o horrível comércio transatlântico de escravos.

Eu pensava que o Islã tinha dado às mulheres direitos iguais aos dos homens, e isso pode ou não ser verdade, se levarmos em conta que nos referimos a 1.400 anos atrás. Todavia, tomado literalmente, a mesma escritura pode ser usada para reduzir sua herança e seus direitos legais, reforçar vestimentas ritualísticas e outras práticas, bem como transformá-las em objetos de escolha ou invisíveis aos homens, bani-las de se casar com os não muçulmanos mas dar esse direito aos homens… a lista prosseguia na minha mente.

Apesar de tudo isso, eu não podia aceitar internamente que eu tinha deixado o Islã pois eu não sabia que podia.  Só a ideia de que alguém pudesse ser um muçulmano praticante e deixar o Islã era completamente alheia a mim. Eu finalmente fui forçado a aceitar que eu não mais acreditava no Islã no começo de 2012, mas eu não em que me espelhar, e ninguém que entendesse aquilo que eu ia falar. Minha amiga Aliyah descreveu esse estágio como ser “um alienígena em sua própria pele” e eu me senti completamente exilado.

Outro sentimento que permeava minha apostasia era o medo. O Islã se apresentava como um diagrama completo e objetivo para a minha vida, com a missão de ditar meu papel neste mundo e minhas relações com a morte e com a vida póstuma. Isso me fez crer que sem a religião, mesmo que eu vivesse fazendo a diferença neste mundo, eu não mais seria um abd Allah, um escravo de Alá, e assim minha vida seria sem lógica. Narrava-se que o dia do julgamento (Yawm al-Qiyamah) viria e eu seria julgado como apóstata, um dos piores pecados; e lançado ao Jahannum (inferno). A linguagem que gira em torno do inferno na escritura islâmica pode ser aterrorizante – será que é alguma surpresa que os ex-muçulmanos tenham que lidar com a ansiedade que isso cria?

Este período de isolamento e medo não durou muito tempo, pois eu rapidamente encontrei outros quando acabei indo parar em um grupo no Reddit que se chamava /r/ exmuslim. Subitamente, eu tive acesso a milhares de ex-muçulmanos ativos, suas histórias, conselhos e experiências de discriminação. Quase todos esses usuários eram anônimos porque herdavam riscos sociais e físicos por deixar o Islã, então eu comecei a me identificar. Eu cheguei com um protocolo de identificação, checando cuidadosamente as pessoas uma por uma. Compartilhar a história pela primeira vez com outro ex-muçulmano é emocionante, havia tantos de nós para partilhar. Claro que ainda nos sentíamos como aliens, mas havia muitos aliens então nos sentíamos mais confortáveis dentro de nossa própria pele.

Nessa época, eu tive a chance de conhecer dois advogados gays que me deram um conselho: o que realmente mudou para a comunidade GLBT na Grã-Bretanha não foi apenas ficar em comunidades organizadas, mas o fato de que eles vieram a público. Isso fez muito sentido para mim, então eu juntei forças com Aliyah Saleem, uma ex-muçulmana feminista e ativista, e nós começamos o que se tornaria o “faith to faithless”, uma organização que cria plataformas tanto dentro da internet quanto fora dela, para promover a voz dos apóstatas.

O primeiro evento do Faith to Faithless foi há um ano, na Universidade Londrina de Queen Mary (QMUL). Embora tivéssemos membros da sociedade islâmica e grupos de da’wah (pregação) panfletando no nosso evento, o sucesso foi massivo. Alguns dos ex-muçulmanos que conhecemos lá haviam palestrado em outros eventos. Recebemos apoio do público em geral (incluindo muçulmanos), também recebemos muitas cartas de ódio e abuso. Havia pessoas que cuspiam no chão e me chamavam de murtadd, enquanto que os insultos às mulheres do Faith to Faithless eram sempre recheados de termos asquerosamente sexistas. Pior ainda é que éramos rebaixados por aqueles que deviam estar nos ajudando, incluindo algumas feministas e ativistas de esquerda, que usavam termos raciais como “informantes nativos” para nos descrever, subestimando nossa agência como uma minoria dentro de uma minoria.

Como você pode imaginar, muitos ex-muçulmanos entram em contato com o Faith to Faithless por querer conselhos ou ajuda urgente e tem enfrentado abuso em diferentes formas. Alguns, embora aceitos como membros por suas famílias, são advertidos constantemente que vão “queimar no inferno” e deveriam se arrepender. Outros são jogados na rua sem nenhum tipo de ajuda financeira. Outros são fisicamente agredidos, tal como uma ex-muçulmana que levou um murro no estômago dado pelo irmão e depois foi trancada no quarto pelos pais.

É importante notar que nem todos os muçulmanos tem tratado os apóstatas desse jeito. Algumas das vozes mais importantes para mim foram a de meus amigos muçulmanos que me mandaram mensagens privadas mostrando seu apoio e amor. Nós precisamos ser capazes de ficar de pé e lutar contra ambas as discriminações: contra os muçulmanos e contra os apóstatas, o que frequentemente vem junto. Se você é um jovem ex-muçulmano que deixou sua fé e se sente só ou isolado, entre em contato. Você definitivamente não está sozinho.

Embriologia no Alcorão

Texto de Abdullah Sameer

Um dos “milagres” que dizem estar no Alcorão é o milagre da descrição da embriologia. Frequentemente se diz que o Alcorão descreve a embriologia de um modo que não era possível ser conhecido no sétimo século. Há dois problemas com essa afirmação. Quando eu comecei a ler mais sobre isso, eu fiquei muito desapontado de descobrir que, como tudo que se diz sobre os milagres científicos do Alcorão, este também não era verdadeiro.

Antes de que eu entre nos detalhes, deixe-me dizer que o proeminente pregador Hamza Tzortzis escreveu um livro chamado “Embriologia no Alcorão”, que foi refutado logicamente, ponto a ponto, por dois ateus online. Este livro se chama Embryology in the Quran, Much Ado About Nothing (Embriologia no Alcorão: Muito Alvoroço Para Nada) e eu recomendo muito que se leia. Disto, você vai aprender como os pregadores tentam distorcer e conformar o texto para que combine com o entendimento científico moderno, quando nunca foi escrito para isso. Eu devo agradecer a Hamza por ser honesto e admitir seu erro e retratar todo o seu livro. Ele chegou mesmo a ir além e dizer que “não há milagres científicos no Alcorão”(vídeo no YouTube) e eu agradeço a ele pela honestidade.

Vamos ao tópico.

  1. O Alcorão parece descrever a embriologia de um modo incorreto. Por exemplo, ele diz “osso, e daí carne”.

Depois, transformamos o esperma em coágulo, e o coágulo em óvulo, e o óvulo em osso, e revestimos o osso com carne. E era mais uma criatura. Louvado seja Deus, o melhor dos criadores. Alcorão 23: 14

Isto não parece ser correto. A maioria do que se diz sobre esse assunto é baseado nas afirmações do professor Keith Moore, que foi convidado para a Arábia Saudita para palestrar sobre ciência no Alcorão. Como nota paralela, a maioria dos palestrantes convidados para esta conferência disseram na verdade que suas palavras foram mal interpretadas e eles foram manipulados, ou levados a dizerem coisas que posteriormente foram citadas fora de contexto.  Uma pessoa até mesmo os procurou e teve uma conversa com eles pelo skype. Você pode achar essas entrevistas aqui.
Em relação ao professor Keith Moore, o que ele disse foi que a descrição no Alcorão é impressionante, e ainda assim se recusou a ser um muçulmano. Para mim, isso é o que vem primeiro na hora de aceitar sua afirmação. Alguém que realmente acredita vai se converter. Em segundo lugar, eu achei a referência em seu livro sobre o que ele realmente diz. Não parece ser algo impressionante que tudo que o Alcorão diz sobre Embriologia não é nem mesmo original – é uma paródia de Cláudio Galeno e do Talmud. Como se pode ver, muitos filósofos diferentes costumavam falar de embriologia e não há nada de divino nisso. É apenas o progresso natural do entendimento humano.
Quando se lê outras descrições feitas pelos outros na antiguidade, nota-se que até o Aristóteles em 300 antes de Cristo (e muito antes de Maomé) descrevia a embriologia. Isso faz dele um profeta também?
Quando se olha o Alcorão, ele continuamente se refere a mistura de líquidos masculinos e femininos, como se os fluidos femininos tivessem algo a ver com o bebê. Se o Alcorão fosse de Deus, só teria uma coisa a dizer: que a fêmea tem óvulo, pois ninguém sabia disso nessa época. Isso seria um milagre, pois o óvulo não é visível a olho nu.
E como pode Ele (Deus) desconhecer sua própria criatura? E  Ele é amável, onisciente” Alcorão 67:14
Em resumo, o Alcorão usa palavras altamente imprecisas para descrever o desenvolvimento do embrião, e também descreve a criação de modo incorreto baseado na ideia de “fluidos misturados” que é uma ideia de Galeno e não exclusiva do Alcorão.

Um pequeno hadith

Relatou Anas:

Quando a notícia da chegada do profeta (ﷺ) a Medina alcançou Abdullah bin Salam, ele se dirigiu até ele para perguntar algumas coisas. Ele disse: “vou perguntar três coisas que somente um profeta pode responder. Qual é o primeiro sinal da Hora (do fim dos tempos)? Qual a primeira comida que as pessoas do paraíso vão comer? Por que uma criança às vezes se parece com o pai e outras vezes com a mãe?” O profeta (ﷺ) replicou: “Gabriel (o anjo) acabou de me instruir sobre isso”. Ibn Salam disse: “Ele (Gabriel) é o inimigo dos judeus entre os anjos. O profeta (ﷺ) continuou: “Quanto ao sinal da Hora, será um fogo que colherá as pessoas do Oriente ao ocidente. Quanto a primeira refeição que as pessoas do paraíso vão fazer, será o lóbulo extra do fígado do peixe. Quanto à criança, se os fluídos masculinos precederem aos fluídos femininos, a criança será parecida com o pai. Se os fluidos da mulher precederem ao do homem, a criança parecerá com a mãe”.
Da citação acima, podemos notar que o profeta Maomé não entendia como o gênero de uma criança era determinado.  Maomé era um homem normal que dizia ser profeta mas não recebia nenhuma inspiração divina de Deus. Ele inventava isso tudo fazendo uso de qualquer conhecimento disponível a época.
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Abdullah-SameerSobre o autor: Abdullah Sameer nasceu no Quênia e mudou-se para o Canadá quando ainda era muito jovem. Pertencia a uma vertente xiita do Islã, mas durante a adolescência, converteu-se ao Sunismo graças a influência de um amigo. Virou um praticante muito fervoroso, usando a internet para pregar, e assim passou 16 anos de sua vida. Mas um dia, Abdullah conheceu um jovem que dizia que não iria se converter ao Islã porque achava que o Alcorão era apenas trechos mal citados do Talmud (escritura judaica). Abdullah então fez algo que quase nenhum muçulmano faz: começou a ler materiais críticos do Islã, e aos 33 anos abandonou a religião, considerando-se ateu. Hoje se dedica a iluminar outros contra os males dessa perniciosa crença.

A eterna condenação do inferno

Texto de Abdullah Sameer.

A crença em um fogo eterno preparado para punir os descrentes é uma pílula que eu sempre tive dificuldade para engolir. Vejam só essas lindas pessoas adorando a Deus em sua própria maneira. Todas elas irão para o inferno, de acordo com o Islã (e outras religiões por aí).

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Esses lindos seres humanos, por que atirá-los ao fogo para sempre? Não há algo que Deus possa fazer com eles em sua suprema sabedoria e juízo?

Toda essa gente, sinceramente rezando a Deus por felicidade, perdão, cura para suas doenças e outras coisas pelas quais se preocupam, irão no fim servir de combustível para o fogo. Não é um azar que eles tenham escolhido a religião errada? Por causa disso, vão pagar o irrevogável preço. A danação eterna, não apenas uma vida, mas uma vida eterna de miséria e tortura.

Deus amaldiçoou os descrentes e destina-lhes as chamas“. (Alcorão 33:64)

“Os que rejeitam nossos sinais, breve jogá-los-emos no fogo. Cada vez que suas peles forem queimadas, substituí-la-emos por outras para que continuem a experimentar o suplício. Deus é poderoso e sábio. ( Alcorão 4:56)

“Para os que descreem, serão confeccionadas roupas de fogo, e sobre suas cabeças será derramada água em ebulição. Que lhes derreterá a pele e o que tiverem nas entranhas”. ( Alcorão 22: 10-20)

“E hoje, são os crentes que riem dos pecadores”, (Alcorão 83:34)

E quando pedirem por água, receberão água escaldante que irá queimá-los por dentro:

“E nós preparamos para os iníquos um fogo que os circundará como as paredes de uma tenda. Quando implorarem por água, receberão água de metal fundido. A bebida horrível!” (Alcorão 18:29)

Eles ficarão lá para todo o sempre:

Quanto aos pecadores, no castigo da Geena estarão para todo o sempre, sem que lhes seja atenuado um dia sequer. E estarão na pior confusão. Não os oprimimos. Oprimiram-se a si mesmos. E gritarão: “Ó Malik, que teu Senhor acabe conosco”. Responderá: “Aqui permanecereis“.  (Alcorão 43: 74-77)

E Deus, ele sabia que toda essa gente iria acabar no inferno. 80% ou mais das populações mundiais nem são muçulmanos. Ele criou um ser que acabaria sendo torturado eternamente.

E permanecerão amaldiçoados para todo o sempre; seu castigo não será aliviado; e nenhuma trégua lhes será concedida“. (Alcorão 2:162)

Isto se aplica a todos os não muçulmanos que ouviram falar sobre o profeta Maomé.

Por Ele, em cujas mãos jaz a vida de Muhammead,  aquele que na comunidade dos judeus ou cristãos ouve falar de mim, mas não afirma sua crença naquilo que fui enviado para dizer e morre nesse estado (da descrença), ele será um dos habitantes do fogo“.  (Sahih Muslim)

Eu sempre tive muita dificuldade em digerir isso. Será que este é o mesmo Deus que criou este lindo universo? Este é o único e verdadeiro Deus? Por que ele está tão chateado pelas pessoas que não o adoram? Será que ele é assim insignificante? (perdão em dizer)

O Deus da Bíblia e do Alcorão é como um rei que pede às pessoas que o apoiem e um dos homens recusa. Então o rei ordena que um forno seja construído, e ordena que seja insuportavelmente quente, e que algumas pedras chamejantes sejam retiradas do fogo e o homem seja queimado vivo, mas não morra. Se o homem pedir perdão, não será concedido. Se ele pedir por água, receberá água fervente. Se pedir por comida, receberá carne estragada e comida putrefata que irá envenená-lo e fazê-lo ficar doente. Esta punição continuará até que o homem morra. A diferença é que no caso da punição divina Ele não deixará a pessoa morrer. Isso pode acontecer até com um homem que tinha família. Ele era um bom pai, um bom vizinho. Ele costumava cuidar dos pobres, ainda assim rejeitou o rei, e essa foi sua punição. Será que esse é um Deus perfeito?

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Abdullah-SameerSobre o autor: Abdullah Sameer nasceu no Quênia e mudou-se para o Canadá quando ainda era muito jovem. Pertencia a uma vertente xiita do Islã, mas durante a adolescência, converteu-se ao Sunismo graças a influência de um amigo. Virou um praticante muito fervoroso, usando a internet para pregar, e assim passou 16 anos de sua vida. Mas um dia, Abdullah conheceu um jovem que dizia que não iria se converter ao Islã porque achava que o Alcorão era apenas trechos mal citados do Talmud (escritura judaica). Abdullah então fez algo que quase nenhum muçulmano faz: começou a ler materiais críticos do Islã, e aos 33 anos abandonou a religião, considerando-se ateu. Hoje se dedica a iluminar outros contra os males dessa perniciosa crença.

O hijab é sexista, não antirracista

Texto de Aliaa Magda Elmahdy. Tradução de Khadija Kafir 16-03-2016.

Quando eu soube do evento intitulado Hijab som politiskt motstånd (o hijab como resistência política) e li sua descrição, percebi a importância de fazer protesto em frente ao local onde ele aconteceria, de modo que as outras vozes dos países de maioria islâmica fossem ouvidas, e que a propaganda apresentada pelo evento não é a única informação sobre o assunto.

O evento aconteceu dia 6 de março, dois dias antes do dia internacional da mulher, no centro Mångkulturellt (multicultural) em Fittja. Apresentava o hijab como algo feminista e antirracista. Eu acho que fazer o marketing do hijab desta maneira é danoso às mulheres de famílias islâmicas, ao status das mulheres em geral e às não muçulmanas que vivem em países de maioria islâmica.

O hijab é apresentado de maneira diferente nesses países. As mulheres são comparadas a objetos para serem consumidas e possuídas pelos homens. A elas se diz para serem como doces embalados ou diamantes preciosos escondidos, enquanto se pergunta aos homens como eles podem cobrir seus carros, mas deixarem suas mulheres andarem descobertas. Só que as mulheres são pessoas, não objetos.

Ordena-se às mulheres que se cubram para não excitarem os homens, não serem estupradas e não corromperem a sociedade. Quanto mais a ideologia sexista do hijab se espalha, menos segura se torna a sociedade para todas as mulheres, pois elas e seus corpos são vistos como objetos sexuais, ao contrário dos homens que são os usuários. E quanto mais se cobrem, mais são culpadas por serem abusadas e solicitadas a desistirem de seus direitos.

Quando eu falo do hijab, não falo de um pedaço de pano, mas sobretudo de um conjunto de regras sobre como as mulheres deviam se comportar e se esconderem. Uma mulher velada não teria, por exemplo, liberdade de movimento, ou liberdade sexual.

Uma vez que as mulheres são vistas como propriedades e honra dos homens, a família da mulher, os parentes, o marido e até a família do marido interferem em como ela se veste. As mulheres são até mesmo tratadas como propriedades públicas, então se a família de uma mulher falhar em controlá-la, estranhos vão fazer o serviço, corrigindo sua aparência e seu comportamento com violência sexual.

Conheci incontáveis mulheres que foram forçadas ou pressionadas a usarem o hijab, e que queriam tirá-lo, mas temiam o encarceramento, as surras e/ou a rejeição social. Minha melhor amiga foi trancada em uma instituição para doentes mentais depois que tirou o hijab que fora coagida a usar desde criança, e só foi considerada sã o bastante para sair de lá quando o usou outra vez contra a sua vontade. Também conheço uma mulher que foi trancada no apartamento dos pais e pulou da janela do segundo andar para escapar a ameaça de morte pela própria família depois de ter tirado o hijab. Afora outras incontáveis mulheres que foram aprisionadas, surradas, submetidas a testes de virgindades, tiveram seus cabelos raspados e seus livros rasgados por resistir a obrigação do véu.

Algumas mulheres só usam o hijab na frente de suas famílias, enquanto outras só usam quando vão pegar um transporte público. Em sociedades onde usar véu é a norma, uma mulher não velada não pode se desviar dessa regra sem correr certo risco. Some-se a isso o fato de serem vítimas de lavagem cerebral desde a infância para acreditarem que serão penduradas pelos cabelos no inferno se não usarem. Que escolha tem as mulheres que vivem nesses países, ou que escolha têm aquelas que vivem em famílias islâmicas no Ocidente?

A maioria das pessoas tende a se adaptar a normas sociais e sabem de seu lugar na sociedade. É por isso que existem mulheres defendendo o sexismo, e é por isso que há negros defendendo a servidão, ou pelo menos vivendo em condições humilhantes que tiram sua dignidade. E é especialmente verdadeiro o fato de as mulheres aceitarem o sexismo, uma vez que nunca existiu uma sociedade feita apenas por mulheres e a maioria das pessoas prefere ser aceita em um grupo a se defenderem sozinhas. O fato de algumas mulheres defenderem a opressão não significa que ela seja justa ou que não faça mal às mulheres.

Se muitas mulheres defenderem o hijab em vez de se oporem, especialmente em público, isso é devido aos riscos desta última atitude. As mulheres que tiram o hijab ou rejeitam viver sob o controle dos homens de seus países acabam vivendo em abrigos ou endereços protegidos e são ameaçadas pela família e pelos estranhos. Aquelas que escolhem falar e ajudar as outras ficam em um risco maior ainda.

Eu recebo mensagens de mulheres que se queixam a mim sobre a opressão que elas vivem diariamente, mas a maioria delas está muito assustada, ou estão preocupadas com o que as pessoas vão dizer, para falarem por si mesmas.

O hijab é uma versão estrita e extrema da cultura sexista contra a qual as feministas ocidentais lutam, mas muitas delas estão abrindo uma exceção para ele e até mesmo acham isso uma atitude feminista. As mulheres que exigem os mesmos direitos para todas são consideradas de um “feminismo ocidental”, mas eu não acho que tal divisão no feminismo seja necessária.

Em vez de se focarem em tópicos específicos das mulheres orientais, como os testes de virgindade, as tão chamadas “feministas islâmicas” se focam em questões que não são especificamente femininas, como o racismo, que também é um tópico importante, mas que não deveria ser priorizado em detrimento dos direitos da mulher, pois com isso elas preservam algumas formas de discriminação contra as orientais. Na visão de tais feministas, elas não precisam ter os mesmos direitos que suas irmãs ocidentais. O feminismo é um movimento para a mudança, mas as feministas são mais conservadoras do que progressistas.

Quando o Egito foi colonizado pela Grã-Bretanha, as mesmas mulheres que lutaram contra a ocupação britânica começaram a desafiar as regras do véu e iniciaram um movimento feminista do mesmo modo que as ocidentais exigiram seus direitos na Revolução Industrial. Ainda que o evento apresente o véu como um ato anticolonialista, tal argumento leva a estigmatizar quem está lutando pelos direitos das mulheres ou leva a pensar que as pessoas de crenças diferentes nos países islâmicos são traidoras, e isso torna difícil para tais sociedades se desenvolverem como o ocidente se desenvolveu e ainda se desenvolve.

Os indivíduos dentro de um grupo não deveriam ser pressionados para aceitar esse mesmo grupo. Há quem pense que os ocidentais estão apenas tolerando a diversidade, quando na realidade tais pessoas estão atrapalhando as que estão lutando para tornarem as sociedades conservadoras mais diversas e respeitadora do indivíduo.

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Aliaa Magda Elmahdy (2)Sobre a autora: Aliaan Magda Elmahdy é uma ex-muçulmana egípcia, e integrante do grupo feminista FEMEN, que ficou muito conhecida pela polêmica que causou ao postar fotos sem roupas no seu blog. Procurou asilo político na Suécia depois de ser ameaçada por suas visões feministas e anti-islâmicas. Uma de suas fotos mais polêmicas é uma em que ela aparece menstruando na bandeira do ISIS, junto com outra integrante do grupo FEMEN, que por sua vez faz pose de estar defecando em cima dessa bandeira.

Por que as leis islâmicas não são aplicáveis hoje

Se olharmos as injunções alcorânicas pertencentes a Sharia, ficará logo evidente para um homem racional e sem preconceito religioso que a época dos velhos ensinamentos do Alcorão não pode ser aplicada a época presente. As pessoas que aspiram a promulgação de leis islâmicas ao presente mundo muçulmano são alheias ao fato de que ambos, a época presente  e a Sharia são incompatíveis; e é desastroso lutar por essa causa profana. Nada a não ser um Estado falho será o resultado deste movimento irracional.

A religião é o resultado de perícia do homem. Ninguém no céu ousou inventar esta ferramenta, nem divisou este método para colocar as pessoas no labirinto da religiosidade. Todos pedem provas sólidas da minha tese, mas eles mesmos falham em me provar a existência de Deus. Se só as escrituras sagradas são apresentadas para falar de sua existência, então obviamente uma pessoa cética irá questionar sua autenticidade. Será falho para ele aceitar os sagrados livros como sendo palavra de Deus.

A religião é na verdade um resumo de códigos morais e éticos. O livro da ética (chamada sagrada escritura) tem emergido de épocas diferentes em áreas diferente. Essas mensagens tiveram, sem dúvida, um efeito de longo alcance. Os valores morais mudam com o tempo. O incesto, por exemplo, era muito praticado. Mas no mundo de hoje é um dos atos mais abomináveis. As mulheres tiveram um papel mais fraco em todas as esferas da sociedade até passado recente. Mas agora o mundo reconhece que para uma nação progredir, o papel das mulheres não pode ser negado.

Códigos morais, sociais e culturais mudaram conforme muda a época. Eles não podem ser estáticos pois é contra a lei da natureza. “Regras que mudam para tempos que mudam; regras que não mudam para tempos que não mudam” dizia Muhammad Abduh. Se os códigos morais não mostrarem flexibilidade conforme a necessidade, as pessoas enfrentarão sérios problemas. As decisões tomadas por uma época em particular para uma sociedade em particular nunca são aplicáveis para todas as épocas e todas as sociedades.

As religiões dizem que suas “sharias” são aplicáveis até o último dia do universo. Isso é bem infantil, e somente um tolo pode acreditar nisso. É tão absurdo quanto deixar cair uma grande pedra e dizer que a Terra não vai atraí-la. Desde o advento da era industrial e do mundo científico, não temos visto um só mundo islâmico de sucesso. No passado, o que quer que os guerreiros hajam conquistado ou obtido foi o resultado de invasões bárbaras e massacres cruéis. Qual é a razão principal para os países desenvolvidos nunca terem aplicado um sistema islâmico de governo em seus países, embora hajam aplicado os sistemas capitalistas e socialistas?

Um êxodo de pessoas que vem de países islâmico para outros mais desenvolvidos nos dá a grande prova de que não é o dogma, credo ou fé que molda o sistema estatal. É a sabedoria política, amor pela ciência e racionalidade, respeito pelo cidadão comum e a sinceridade com a causa primordial de construir a nação que garantem seu sucesso e seu crescimento, não os ensinamentos de um livro sagrado qualquer, ou os ditos de algum profeta. A ideologia islâmica é tão ultrapassada e obsoleta que não pode ser promulgada nem mesmo no mundo islâmico. As sociedades islâmicas atuais são a prova viva da morte de qualquer estado teocrático. As pessoas (os que fazem apologia ao Islã N.T.) dizem, com muito orgulho,  que as leis islâmicas não são aplicada corretamente em lugar nenhum. É um modo diplomático de aceitar descaradamente a derrota.

Desde o advento do Islã 1.400 anos atrás, não houve um Estado que fosse ícone de perfeição, progresso e bem estar. Karl Marx e Frederick Engels apresentaram um socialismo científico. Dizia-se que era quase impossível aplicar esta teoria no mundo. Mas em 1917, a Revolução Soviética, sob a liderança de Lênin, tornou isso possível. Não levou nem um século para que o sonho de Marx se tornasse realidade. Do mesmo modo, as ideologias capitalistas embalaram o mundo bem depressa. Mas até agora, as ideologias islâmicas falharam terrivelmente em inspirar as pessoas a lutarem e a aspirarem pela sua promulgação.

O Socialismo está se espalhando depressa e a América do Sul é exemplo vivo disso. Os países capitalistas como E.U.A e o Reino Unido também inspiraram o mundo muito tenazmente. Mas quando a gente olha para os muçulmanos, vemos a Al-Qaeda, o ISIS e outras organizações terroristas espalhando o medo, o terror e o barbarismo por toda parte. Se os muçulmanos dizem que o Islã não é praticado do jeito certo em lugar nenhum, como se pode esperar que uma pessoa de mente aberta e ajuizada creia que ele é aplicável? Obviamente uma pessoa de mente aberta vai ver que isso é só teoria de um livro.

Fica bem claro que a implementação prática das leis islâmicas nos países irá causar tremendo estrago. Será como viajar milênios até a idade da pedra. Agora as pessoas terão que decidir se querem dar as mãos àqueles que almejam uma sociedade mais segura, mais racional e mais científica; ou se querem dar as mãos àqueles cuja agenda é fazer deste lindo mundo um lugar infernal.

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ammar anwerSobre o autor: Ammar Anwer é um jovem de 17 anos, ex-muçulmano, ateu e humanista secular. Escreve como convidado para vários blogs e sites, incluindo o Atheist Republic. Interessado em política e história, Ammar Anwer diz: “Não se pode silenciar pensamentos. Pode-se silenciar a voz de um homem, mas seus pensamentos viverão para sempre, inspirarão as massas e não podem ser parados por acusações absurdas, armas ou medo. Aqui estou eu hoje, escrevendo para vocês, embora possa ser o próximo a ser morto por causa do que acredito e escrevo”.

Como o Islã desrespeita as mulheres

Texto de Amer Manasra.   Tradução de khadija kafir em 06-03-2016. Link para o original.

A propósito, o que me levou a escrever este artigo foram os pregadores islâmicos no mundo ocidental, suas afirmações falsas sobre o Islã, a fim de embelezarem sua imagem, se aproveitando da ignorância das comunidades ocidentais, e dizendo que o Islã é uma religião pacífica. Também dizem que o Islã aceita outras religiões e que dignifica a mulher. O problema é que gente com pouco conhecimento acaba acreditando nisso, e outros, que enxergam as ações dos muçulmanos, se recusam a aceitar este tipo de discurso emocional dos pregadores islâmicos, mas não sabem como responder a eles. Neste artigo, vou dar alguns argumentos que você pode usar em um debate com um muçulmano. É também útil para alguém que deseja aprender sobre o tópico Islã e mulheres.

Cada tópico será referenciado ao fim do artigo, com o número correspondente.

1- O Islã permite que o marido bata na mulher [1]; Os defensores da religião dizem que Deus não mandou bater com força, ainda que o verso não especifique isso, mas surra é surra, não importa se forte ou fraca. Que tipo de vida eu terei com minha mulher se eu bater nela?

2- Poligamia. Um muçulmano pode se casar com quatro mulheres [2]. Na verdade, o Islã olha o casamento sob o ponto de vista sexual e não espiritual. Isto se nota pelos procedimentos que se seguem ao casamento os quais explicarei abaixo.

3. Uma mulher não pode liderar no Islã. Quero dizer liderança política [3]. Maomé, o profeta do Islã, dizia que nenhuma nação iria prosperar se fosse liderada por uma mulher. Que grande respeito ele tinha pelas mulheres! Eu fico a pensar no que ele diria se voltasse a vida e visse como as mulheres lideram os países nos dias de hoje!

4. As mulheres possuem mente defeituosa e seu testemunho também é defeituosos [4] e [5].

5. Casamento. Uma mulher não pode se casar sem o consentimento de seu pai [6]. Na realidade, o consentimento dele é o que importa afinal.

6. O pai dela deve receber um dote [7], embora não seja claro quem deveria receber o dote, mas de qualquer forma é repulsivo. A ideia de pagar ao pai dela é na verdade a ideia de comprar a garota. Por que eu deveria pagar para casar com alguém? E o amor? Será que ela é uma prostituta para que eu pague por ela?

7. Divórcio. O muçulmano tem permissão para pôr fim ao casamento com apenas uma única palavra “Taleq” e é tudo. Ele na verdade tem três oportunidades, pois pode toma-la de volta na primeira vez (em que se divorcia), na segunda vez (dentro de três meses), mas não pode toma-la de volta na terceira vez. [8]

Mas a mulher não pode se divorciar do homem! Aliás, se ela pedir a ele para se divorciar dela sem uma razão, ela irá para o inferno, não para o céu [9].

8. Uma mulher muçulmana não pode se casar com um não muçulmano [10].

9. Se seu marido a chamar para ir para a cama, para fazer sexo, ela não tem direito a recusar. E se ela fizer isso, os anjos a amaldiçoarão até o amanhecer [11], além disso, é um dos motivos pelos quais o homem pode bater nela. Vide referência [1].

Chamamos a isso de estupro hoje em dia, mas os homens muçulmanos chamam isso de direito. É apenas uma relação sexual de fato.

10. Véu ou burca. Ela deve cobrir seu corpo e seu cabelo [12], pois seu corpo é tentador aos homens.

Então: ela não tem direito a se divorciar, será comprada em casamento, não pode recusar a fazer sexo e o homem ainda pode ter mais três mulheres, deve cobrir o corpo e o cabelo. Que tipo de casamento é esse? É um casamento ou uma escravidão?

11. Mulheres escravas. Um homem pode comprar e vender escravas. Uma mulher é considerada escrava se for pega em uma batalha, ou se ela nasceu de uma mãe escrava. Mas o homem tem direito ao intercurso sexual com ela [13], uma vez que a comprou com seu dinheiro! Também pode mandá-la como presente a outro homem. Que maneira respeitosa de tratar as mulheres!

A escrava deve ser cristã ou judia.

Maomé não tinha qualquer respeito pelas mulheres. Ele teve doze esposas durante sua vida, onze de uma só vez, além de uma delas ter 9 anos [14] quando ele consumou o matrimônio!

FONTES:

[1] Os homens têm autoridades sobre as mulheres pelo que Deus os fez superiores a elas e por que gastam de suas posses para sustentá-las. As boas esposas são obedientes e guardam a virtude na ausência de seu marido conforme Deus estabeleceu. Aquelas de quem temeis a rebelião, exortai-as, bani-as de vossas camas e batei nelas. Se vos obedecerem, não mais as molesteis. Deus é elevado e grande.  Alcorão 4: 34

[2] E se receardes não poder tratar os órfãos com equidade, desposai tantas mulheres quantas quiserdes: duas, três ou quatro. Contudo, se não puderdes manter igualdade entre elas, então desposai uma só ou limitai-vos às cativas que por direito possuís. Alcorão 4:3

Muitos muçulmanos na época de Maomé casaram com mais de uma esposa.

[3] “Um povo que faz de uma mulher sua governante nunca será próspero”- relatado por Al-Bukhari, o Livro do Julgamento.

[4] “Eu nunca vi ninguém mais defeituoso na razão e na religião do que vós, as mulheres”. Uma mulher perguntou: “Qual é o defeito na razão e na religião?” Ele disse: “O defeito na razão é que o testemunho de duas mulheres equivale ao de um homem; e o defeito na fé é que vocês não jejuam completamente durante o Ramadã”*. Sunan Abi Dawud, o Livro do Comportamento Modelo do Profeta.

* Durante o Ramadã, as muçulmanas deixam de jejuar nos dias de sua menstruação, podendo jejuar depois do Ramadã, compensar.

[5] (…) Acrescentai o testemunho de duas testemunhas dentre vossos homens, e, na falta de dois homens, de um homem e de duas mulheres; pois se uma delas se equivocar, a outra a ajudará. Alcorão 4: 282

[6] “O casamento de uma mulher que se casa sem o consentimento de seu guardião é nulo. (Ele disse essas palavras) três vezes. Se há coabitação, ela toma seu dote pelo intercurso que o marido teve. Se houver uma disputa, o sultão (homem no comando) é o guardião daquela que não tem nenhum”. Narrado por Aisha, o Livro de Nikah (casamento).

[7] (…) Às mulheres de que gozastes, dai as pensões devidas. E não sereis censurados pelo que for livremente convencionado entre vós, além das prescrições legais. Alcorão 4: 24

[8] O divórcio revogável é permitido até duas vezes. Depois, tereis que vos conciliar com elas conforme os bons costumes ou repudiá-las com benevolência. Alcorão 2: 229

Como podemos ver, o homem é quem tem a escolha aqui.

[9] “Se uma mulher pedir ao marido o divórcio sem uma boa razão, o odor do paraíso será proibido para ela”. O livro do talaq*, da Sunan Abi Dawud.   * Obs.: Talaq significa “divórcio”.

[10] (…) E não deis vossas filhas em casamento a idólatras até que se convertam (…)  Alcorão 2: 221

[11] “Se um homem chamar sua mulher para a cama e ela recusar, e fazendo com que ele passe a noite zangado, os anjos a amaldiçoarão até o amanhecer”. Al-Bukhari e Muslim, o livro das ações proibidas.

[12] Asma, filha de Abu Bakr, apareceu na frente do mensageiro de Alá (saw) usando roupas de tecido fino. O mensageiro de Alá (saw) desviou a atenção dela. Ele disse: “Ó Asma, quando uma mulher alcança a menstruação, não fica bem para ela mostrar as partes do corpo, exceto esta e esta” – ele então apontou para o rosto e para as mãos.  Narrado por Aisha, o Livro das roupas.

[13] E refreiam sua concupiscência, exceto com suas esposas e servas – e neste caso não sereis censurados. Alcorão 23: 5-6

[14] “O mensageiro de Alá casou comigo quando eu tinha seis anos; e consumou o matrimônio comigo quando eu tinha nove anos. Eu costumava brincar com bonecas”. Narrado por Aisha, o Livro do Nikah (casamento).  Mais informações e fontes sobre Maomé e Aisha, clique aqui.

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amer manasra 2Sobre o autor: Amer Manasra é um estudante de Gestão de Riscos e Seguros, no Jordão. É um ex-muçulmano interessado em problemática social, psicologia e está tentando fazer sua parte em prol de um iluminismo no mundo árabe. Ele é defensor do Estado secular e dos direitos das mulheres. Amer Manasra diz que ama a humanidade e considera a todos como seus irmãos e irmãs.