A guerra dos terroristas na Europa

Texto de Ayaan Hirsi Ali. Tradução de Khadija kafir em 18-11-2015. Link para o original.

O presidente francês Hollande declarou que os atentados de 13 de novembro em Paris eram “atos de guerra” do Estado Islâmico, e ele estava certo, se não atrasado, em reconhecer que os jihadistas têm estado em guerra contra o Ocidente por anos. O Estado Islâmico, ou ISIS, está prometendo mais ataques na Europa, então a própria Europa – não apenas a França – deve ficar em pé de guerra, e se unir para fazer militarmente o que quer que seja para destruir o ISIS e o seu tão chamado califado na Síria e no Iraque. Não é simplesmente “conter”, não é “degradar” – é destruir e ponto final.

Porém mesmo que o ISIS seja completamente destruído, o extremismo islâmico em si não irá desaparecer. A destruição do ISIS só iria aumentar o fervor religioso daqueles dentro da Europa que almejam um califado.

Os líderes europeus precisam tomar uma grande decisão política, e talvez a França possa liderar o caminho. Uma mudança na mentalidade é necessária para evitar mais ataques terroristas ou, numa maior escala, evitar conflitos civis. Os extremistas islâmicos nunca vão conseguir transformar a Europa em um continente islâmico. O que eles podem bem fazer é provocar uma guerra civil de maneira que algumas partes da Europa se pareçam com os Bálcãs no início dos anos 90.

Aqui estão alguns passos que os líderes europeus poderiam tomar para erradicar o câncer do extremismo islâmico do meio deles.

Primeiro: aprender com Israel, que tem lidado com o terror islâmico desde o dia em que nasceu e que lidou com ameaças muito mais frequentes à segurança de seus cidadãos. É verdade que os extremistas islâmicos dentro de Israel hoje recorrem ao uso de facas e automóveis como arma de sua escolha, mas isso acontece porque ataques semelhantes àqueles em Paris na semana passada são agora impossíveis de os terroristas organizarem. Ao invés de demonizar Israel, tragam a experiência deles, e os especialistas deles para a Europa, para que se possa desenvolver uma estratégia contra o terror.

Segundo, incentive uma longa batalha de ideias. Os europeus terão que mirar nas estruturas de doutrinação: as mesquitas, as escolas islâmicas, os websites, as editoras gráficas e o material de proselitismo (panfletos, livros, tratados, sermões) que servem como correntes transportadoras da violência. Os extremistas islâmicos miram as populações muçulmanas através da “Dawa” (persuasão), convencendo-os de que seus fins são legítimos antes de lidar com a questão dos meios.

O governo europeu precisa fazer seu próprio proselitismo nas comunidades promovendo a superioridade das ideias liberais. Isto significa desafiar diretamente a teologia islâmica usada pelos predadores islâmicos que transformam cabeça e os corações dos muçulmanos em inimigos dos países que os acolheram.

Em terceiro lugar, os europeus precisam estabelecer uma nova política de imigração que admitam apenas imigrantes comprometidos com os valores ocidentais e que rejeitam a política islâmica que os fazem vulneráveis a atração de um califado.

Há muitas fraquezas diferentes na política de imigração europeia: é muito fácil ganhar cidadania sem ser necessariamente leal a constituição nacional; é muito fácil para os de fora entrar nos países da União Europeia sem motivos legítimos para o asilo, e, graças a política de fronteiras abertas conhecida como Schengen, é muito fácil para os estrangeiros, uma vez em solo europeu, viajar livremente de um país a outro. Esta situação se revelou insustentável para o fluxo migratório na Europa.

Será que é melhor uma Europa fortificada com uma cortina de ferro para o Leste e um cordon sanitaire naval no Mediterrâneo e no Mar Adriático? Sim. Pois nenhuma outra estratégia faz sentido, dada a ameaça como a que representa o extremismo islâmico. E se os líderes europeus persistirem – como a Chanceler Ângela Merkel – em louvar as virtudes da abertura de suas fronteiras, eles irão em breve ser perseguidos por populistas que melhor representam a opinião do povo.

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ayaan hirsi ali 2Sobre a autora: Ayaan Hirsi Ali é uma ex-muçulmana nascida na Somália que se tornou famosa ao publicar uma autobiografia intitulada Infiel- a história de uma mulher que desafiou o Islã. Também é autora de outros livros: A Virgem na Jaula e Nômade. Porém seu mais novo livro chama-se Herege – por que o Islã precisa de uma reforma imediata. Todos os seus livros são publicados no Brasil pela editora Companhia das Letras. Ayaan Hirsi Ali é a mais notória das pessoas que criticam o Islã e faz frequentes aparições na mídia em todo o mundo.

 

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