Pensando por si mesmo: apostasia

O texto abaixo constitui o capítulo 18 do livro Leaving Islam- apostates speak out (Deixando o Islã- os apóstatas desabafam) de autoria de Ibn Warraq. O livro é um resumo de várias biografias de ex-muçulmanos. Hoje contaremos a história de Faisal Muhammad, do Paquistão.

Texto de Faisal Muhammad.  Tradução de khadija kafir (28-10-2015).

Eu nasci em 1947 em Lahore. Sendo eu uma criança reflexiva desde o início de minha vida, eu sempre quis descobrir sozinho a verdade sobre a existência humana. Embora meu pai fosse uma pessoa religiosa, ele não era muito devoto. Meus pais eram divorciados e minha mãe tomou a decisão sábia de me deixar ficar com meu pai. Ela acreditava que em uma sociedade paquistanesa de classe média uma mulher divorciada não podia providenciar proteção e o apoio necessário a uma criança a fim de educá-la. Com dor no coração, ela tomou a decisão de me deixar viver com meu pai e com minha madrasta.

Meu pai tinha desenvolvido uma afeição por uma mulher que beirava os 18 anos quando ele tinha mais de 40. Ele pronunciou o “talak” divórcio rapidamente para se livrar da minha mãe e trazer sua nova esposa. Eu tinha apenas três anos na época. Cresci sem amor nem afeição, mas meu pai cuidou para que eu fosse para a melhor escola da cidade. Eu não podia aceitar as respostas superficiais do islã que eram oferecidas como resposta às minhas perguntas. Por um tempo, fiquei interessado no Sufismo mas em breve descobri que meu mestre sufista era um mentiroso e um intolerante, que não condizia com suas pretensões de ser um especialista e um professor de misticismo. Todas as vezes que ele falava sobre os hindus que tinham vivido em Lahore antes de 1947 ele esquecia sua mensagem de amor humano e o lado fanático nele aparecia. Durante momentos de distração ele admitia que muitos hindus e sikhs eram boas pessoas, mas todas as vezes em que eu tocava no assunto, ele me dava a explicação padrão de que todos os hindus eram “kafirs” (infiéis) e assim sendo matá-los ou expulsá-los de Lahore era correto.

Às vezes eu dava voltas por Lahore em minha bicicleta e, sem qualquer planejamento ou objetivo, ia através de diferentes partes da cidade. Isto incluiria Krishan Nagar e Sant Nagar, que não eram longe de onde eu morava. Tais locais eram de classe média e classe média baixa e de religião hindu antes da partição. Aqui ainda se podia ler nomes hindus e sikhs inscritos na pedra na entrada. Às vezes a casa se chamava “Sunder Nivas” ou “Bharat Nivas”. Eu sempre quis saber quem eram as pessoas que moravam lá e porque elas foram expulsas com a partição. Por acaso eu consegui adquirir romances e contos escritos por Krishan Chander, Rajinder Singh Bedi, Saadat Hasan Manto e outros autores.

O maravilhoso trabalho deles sobre a partição histórica do Paquistão (e da Índia) abriu novos horizontes diante de mim. Comecei a ver o papel crucial perpetrado pela religião e pelo fanatismo na sociedade. Eu acho que naquela época eu me tornei um cético em relação às crenças religiosas. Em 1968 eu comecei a estudar na Universidade de Punjab. Foi o ano em que o movimento estudantil no Paquistão se tornou radical. Muitos de meus novos amigos eram esquerdistas e alguns dos professores eram marxistas. Assim começava um interesse meu pela política marxista e eu li todas as grandes obras do Marxismo.

Naquela época eu tinha percebido que o islã, como muitas outras religiões, era um código moral primitivo que tinha sobrevivido a sua inutilidade na época presente. As sociedades muçulmanas que existem são corruptas, repressivas, opressoras de não muçulmanos e com tendência ao chauvinismo masculino e a dominação. A classe governante sempre invocava os escritos mais reacionários do Alcorão para se opor ao progresso e a reforma.

Eu li uma boa parcela da literatura islâmica e estudei a vida de Maomé e seus vários sucessores com profundidade. Ficou bastante claro que ele tinha estabelecido um sistema totalitário no qual não havia escopo para a inovação e o livre pensamento. Nada disso me impressionou, mas eu nunca consegui entender como tantos milhões de pessoas continuavam a seguir seus ensinamentos às cegas e de maneira fanática. Talvez a falta de educação e o medo da morte se combinem para torná-los vítimas de ameaças sobre punições e fogo do inferno. Embora o deus islâmico seja apresentado como o mais misericordioso, o Alcorão está repleto de referências a punições severas.

O sistema totalitário do Marxismo e as práticas não democráticas dos grupos e partidos comunistas no Paquistão também se mostraram frustrantes. Eu então me tornei um humanista e um racionalista. Eu acho que somente uma democracia secular pode providenciar liberdade de escolha e crença. Eu acho que o islã é atualmente a ideologia mais retrógrada e atrasada da Terra. É de fato uma ameaça a paz mundial porém o mais crucial é que seu veneno é dirigido aos livre pensadores de origem muçulmana.

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