Definição de casamento: o que se aprende com o islã?

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Brasil: Em reunião tumultuada, a comissão especial que discute o Estatuto da Família na Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (dia 24 de setembro de 2015) o texto principal do projeto, que define família como a união entre homem e mulher. A comissão aprovou o relatório por 17 votos favoráveis e 5 contrários. Vejam a opinião de uma ex-muçulmana egípcia sobre um assunto parecido, que nos Estados Unidos foi discutido em 2013.

Texto de Nonie Darwish (2013). Traduzido em 27-09-2015. Link para o original.

Antes de os americanos embarcarem na ideia de mudar a definição de casamento, eu espero que eles pelo menos concordem em examinar as culturas que não definem o casamento como união entre homem e mulher. Em sua ânsia de atingir suas metas, os entusiastas do casamento gay estão marchando pelo que eles consideram como progresso e modernidade, ao mesmo tempo em que ignoram as lições de outras culturas, a história, a natureza humana básica e as consequências indesejadas e negativas por se redefinir o conceito de “casamento”.

A definição de casamento para o islã é de um homem e até quatro mulheres onde a lealdade no casamento é requerida somente da mulher em relação ao homem, mas não necessariamente do homem para com a mulher. No contrato egípcio de casamento, do homem se pede que dê nome e endereço de uma segunda, terceira, ou quarta mulher, se houver. É tão fácil para um homem legalizar o casamento com uma quarta mulher como foi com somente a primeira. É verdade que a maioria dos muçulmanos escolhe ter apenas uma mulher, mas a mera existência dessa lei tem consequências devastadoras no funcionamento saudável da unidade familiar, equilíbrio de poder no casamento, direitos da mulher e autoestima, segurança dos filhos, segregação sexual na sociedade como um todo e a maneira como os sexos se relacionam.

Se nós desejamos ter uma discussão saudável sobre essa discussão acalorada sobre a redefinição do casamento, precisamos manter a discussão respeitosa e honesta sem lançar mão de xingamentos de “homofóbicos” ou “intolerantes” daqueles que querem preservar a palavra “casamento” como união de homem e mulher. É fato que legalmente, biologicamente, culturalmente e em muitos outros aspectos, a união entre um homem e uma mulher é muito diferente da união homossexual e não há nada que possamos fazer para mudar isso. Se nós insistimos em chamar a união homossexual de “casamento” nós estamos negando a diferença principal de que a união heterossexual é autossuficiente e não necessita de um terceiro para produzir filhos (ou necessidade de adoção N.T). Isto é legal e biologicamente diferente. Ponto final. Consequentemente, se ela é diferente, não devíamos dar o mesmo nome, mas podemos dar aos gays todos os benefícios legais e o respeito que merecem sem ferir o casamento tradicional.

Eu vivi os primeiros 30 anos da minha vida em uma sociedade com segregação sexual que permitia a poligamia onde o conceito de casamento não estava restrito a um homem e uma mulher. Uma das consequências de sociedades polígamas islâmicas é que não há comunicação e interação entre os sexos, exceto para a procriação.

O movimento feminista moderno dos anos 60 disse inverdades às mulheres que resultaram em uma quebra dos relacionamentos na América e uma geração de mulheres casadas com PhD mas que nunca casaram ou tiveram filhos. Os homens se sentiram inúteis e foram vexados por assédio sexual resultando em um declínio e deterioração da instituição do “namoro” na América.

Eu não tenho nada contra as pessoas, apenas amor e respeito, sejam elas “hétero” ou gays. Mas isso não significa que eu me permitirei ser enganada em pensar que não haverá consequências indesejadas se usarmos a palavra “casamento” para casais gays. A extrema esquerda na América está promovendo relacionamentos gays como se eles não diferissem em nada dos relacionamentos “hétero” e isso é uma inverdade que somente trará uma sociedade segregada em gênero que vai ferir a mulher muito mais do que ao homem.

Gostemos de admitir isso ou não, as mulheres irão sempre cuidar dos bebês e com a segregação dos sexos os homens se tornarão meros doadores de esperma. O papel dos homens na criação e apoio aos filhos será ainda mais prejudicado com o casamento gay, a menos que as sociedades com esse casamento desenvolvam leis obrigando os doadores de esperma a prover os filhos que eles geraram biologicamente sob pena de prisão. Outro fato que não podemos ignorar: o senso comum nos diz que uma mulher que se relaciona com outra mulher não tem obrigação de manter legalmente o filho da outra se foi gerado com um amante. Que bagunça estamos criando quando usamos o termo “casamento” para uniões gays!

Ao chamar uniões gays de “casamento”, a divisão de gênero e a alienação masculina na criação da família e da criança vão ficar ainda mais profundas. Quem vai se beneficiar se criarmos uma sociedade ocidental segregada por sexo? Estamos a caminho de criar bairros onde só há casais homossexuais? Será que haverá tabus para prevenir os sexos de se comunicarem ou se misturarem? Vocês acham mesmo que isso é imaginação louca de uma mulher que viveu e sofreu em uma sociedade segregada por gênero? A esquerda americana deveria ser cuidadosa naquilo que deseja pois… poderá conseguir mais do que aquilo que desejou.

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Sobre a autora:  Nonie Darwish nascida no Egito e naturalizada americana, é uma ex muçulmana ativista a favor dos direitos humanos e fundadora do Arabs for Israel e diretora do Former Muslims United. É autora de vários livros, entre eles, The Devil We Don’t Know: The Dark Side of Revolutions in the Middle East (O diabo que não conhecemos: o lado escuro da revolução no Oriente Médio).

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