Como posso me divorciar de meu marido muçulmano?

Texto de Ali Sina (2011).

Publicado por Khadija Kafir em 29-07-2015

Leitora escreve para Ali Sina:

Olá,

Eu sou de Melbourne Austrália. Sou uma muçulmana Xiita e fui casada por 14 anos. Fique separada AGORA por quatro anos e estou achando difícil obter um divórcio muçulmano Xiita. Todos os Sheikhs aqui não vão me conceder porque a decisão deve partir do meu marido e o que ele disser vale. Eles já sabem como é que ele é. O Islam é uma religião masculina. Eu digo que não é justo. Eu tenho três filhos e eles moram comigo. Não tenho apoio financeiro e nem desejo. Ainda assim meu marido faz da minha vida um inferno.

Eu vivi no inferno por treze anos. Ele me diz que nunca irá se divorciar de mim de modo que possa me arruinar. Ele me diz que nunca vai me deixar casar de novo. Por que é tão difícil para uma mulher obter o divórcio? Eu o deixei porque eu não tinha nenhum apoio financeiro dele. Trabalhei a minha vida toda e ele era muito abusivo verbalmente até mesmo na frente das crianças. Minha filha sofria de depressão e visitava um terapeuta na idade de oito anos. E eu tenho 34 anos e estou determinada a achar o amor e a FELICIDADE. Por favor! Estou suplicando a você que me ajude a sair deste inferno e me ajude a obter meu divórcio.

Sara.

 Ali Sina responde:

Oi Sara,

Isto é estranho. Você concedeu todo o poder a seu marido e a um bando de mulás e está reclamando que vive no inferno. Isso é igual a um passarinho que reclama de viver engaiolado quando a porta da gaiola está aberta.

Você vive na Austrália. Por que é que tem que ir aos Sheikhs para obter um divórcio? Por que esse divórcio deve ser islâmico? Consulte um advogado especialista em divórcio na lei australiana. Declare-se não muçulmana e você automaticamente não será controlada por ninguém.

Se você estivesse vivendo em um país muçulmano onde todas as portas da gaiola estão fechadas e trancadas, eu entenderia seu pleito. Mas eu não entendo, porque na Austrália você tem que se sujeitar a lei islâmica?

Os Sheikhs não têm nenhum controle sobre você, a menos que você dê esse poder a eles. Em países islâmicos, onde os Sheikhs fazem as leis, a situação é diferente. Se você vive no Ocidente, tudo que você deve fazer é dizer adeus ao Islam e reivindicar sua independência e liberdade.

Se você teme seu marido abusivo, vá até a polícia e procure proteção. Talvez você tenha que mudar sua cidade ou até seu nome.

Comece a namorar. Visite sites de relacionamento. O mar está pra peixe. Certifique-se de não se relacionar com um muçulmano de novo. A vida é melhor quando é partilhada com um parceiro amoroso.

Boa sorte,

Ali Sina.

Leitora insiste:

Olá Ali Sina,

Desculpe, eu esqueci de mencionar que eu fui divorciada pela lei Australiana. Mas como consigo o divórcio islâmico, pois ele irá envergonhar a minha família espalhando rumores de que eu cometi adultério se eu arrumar alguém. Meu marido irá continuar fazendo da minha vida um inferno e arruinará meu nome para sempre, uma vez que eu sou muito conhecida e respeitada por todos pela minha honestidade e pureza; e como ser humano. Eu tenho muito amigos que sabem o tipo de homem que ele é e que tipo de vida eu sofri com ele por muitos anos. Meus filhos estão muito felizes e eu trabalho em tempo integral para me manter junto com meus filhos. Estou feliz fazendo isso. POR FAVOR PODE ME AJUDAR a obter um divórcio islâmico para que eu possa me livrar dele e dessa religião!

Sara.

Querida Sara,

Uma vez que você se divorcia na lei australiana, você é divorciada. Você está dando legitimidade a um culto que não merece nenhuma. O Islam é uma mentira. A menos que você também tenha se casado civilmente, o seu casamento islâmico era nulo, para inicio de conversa.

Eu não posso pedir aos Shiekhs para dar a você seu divórcio islâmico. O que eu posso fazer é persuadir você a não dar poder a eles e a seu marido para destruir sua vida. Você é divorciada pela lei e isso é o que importa. Se a sua comunidade não entende isso, deixe-a. Você vive na Austrália. Arrume novos amigos que sejam apoiadores e compreensivos.

Encontre uma boa igreja que tenha grupo de apoio. Alguns anos atrás eu encontrei uma igreja Menonita que não ficava muito longe de mim. Eu costumava ir lá encontrar pessoas e me socializar. Eu gostava dos corais e até dos sermões. Frequentei grupos de estudos bíblicos. Fiquei conhecendo a Bíblia mais do que qualquer um. Ninguém sabia que secretamente eu era um ateu.

Há grupos de apoio para pessoas divorciadas. Depois das palestras, costumávamos nos reunir em uma grande sala. A comida era simples. Mas era uma ocasião para sentar com outros seres humanos e interagir. Eu me mudei e não tentei achar outra igreja. Eu recomendo fortemente que você faça isso. Se você tem filhos pequenos, eles precisam ter essa experiência social que só é possível quando se é criança.

____________________________

Sobre o autor: Ali Sina é o pseudônimo de um ex-muçulmano nascido no Irã, que atualmente mora no Canadá. É um dos críticos mais respeitáveis da religião islâmica e também um dos mais ferrenhos. Fundador do fórum FAITH FREEDOM INTERNATIONAL (http://www.faithfreedom.org), que ajuda ex-muçulmanos em todo o mundo, ALI SINA é autor de várias obras, entre elas Understanding Muhammad (Para entender Maomé), com tradução em progresso.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s