Quanto mais difícil melhor

mulher tomando banho de burca

Excerto do livro Understanding Muhammad – Capítulo 5, de Ali Sina.

Publicado por Khadija Kafir em 18-07-2015

Os muçulmanos geralmente perguntam: se Maomé era tão mentiroso, por que ele criaria uma religião tão difícil e com tantas restrições? De fato, o Islã é uma das religiões mais difíceis de praticar. É muito exigente, com muitas proibições, rituais e obrigações. Não é triste seguir uma religião que é um estorvo?

O axioma básico da fé é também aquele que contém um paradoxo, e que pode ser estabelecido assim: quanto mais difícil de seguir é uma doutrina, mais intrinsecamente atrativa ela se torna. Faz parte de nossa psique que apreciemos coisas pelas quais lutamos mais ferrenhamente. Por outro lado, nós valorizamos menos e damos menos importância a coisas que obtemos de maneira fácil ou de graça. As seitas (ou cultos) prezam pela dificuldade e encaram com desdém a vida fácil. É precisamente a sua dificuldade que as tornam tão atraentes.

Todos os cultos ou seitas são, por natureza, difíceis de seguir. Os seguidores de Warren Jeffs, líder da seita polígama mórmon conhecida como A Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Fundamentalist Church of Jesus Christ of Latter Day Saints– FLDS), trabalhavam para ele de graça ou doavam para ele todos os seus ganhos, enquanto que seus seguidores dependiam dos programas sociais para sustento. Jeffs tinha controle absoluto sobre seus seguidores. Ele os proibia de assistir TV, escutar rádio ou quaisquer músicas, exceto as suas. Ele lhes designava uma casa para viver e dizia que não se misturassem com os infiéis. Ele escolhia para os seguidores um cônjuge. Se ele estivesse descontente com alguém, ele ordenava que as esposas daquela pessoa deixassem o marido e elas obedeciam. Os cultos ou as seitas exigem submissão total e com isso, grande sacrifício.

Olhemos para os outros cultos, como os de Jim Jones, Shoko Asahara, o dos “moonies” ou os da “Entrada para o Céu” (Heaven’s Gate). Essas seitas não eram fáceis de praticar. Os membros frequentemente tinham que entregar suas possessões mundanas ao líder, deixar para trás seus empregos, amigos e parentes para segui-lo. Eles eram forçados a viver uma vida austera e às vezes eram persuadidos a se absterem de sexo. Enquanto isso, o líder da seita tinha tudo que ele queria. David Koresh dizia a seus seguidores que as mulheres pertenciam a Deus; e uma vez que ele era o Messias, elas pertenciam a ele. Então ele dormia com as esposas e filhas adolescentes de seus seguidores, mas prescrevia o celibato para eles. Shoko Asahara, Jim Jones e geralmente todos os líderes de seitas puniam severamente aqueles que o desobedeciam. Apesar desses abusos e dificuldades, a pior punição era a excomunhão (ostracismo). Alguns seguidores cometiam suicídio depois de serem excomungados.

Os líderes dessas seitas impõem o ostracismo aos membros que parecem indisciplinados. As pessoas querem se integrar. Elas irão sucumbir se forem excomungadas ou deixadas de lado. Assim foi que os muçulmanos forçaram as minorias descrentes a conversão.

As seitas exigem sacrifícios. Através dos sacrifícios os crentes provam sua fé e lealdade. O cultista ou o guru é levado a acreditar que alguém pode ganhar os prazeres de Deus em sacrificar tudo, incluindo a própria vida. A lógica é que quanto mais se sacrifica, mais se dá valor. Nenhum sacrifício é demais quando a salvação está em jogo. Maomé ofereceu vida eterna no paraíso, um bando de “houris” celestiais e o vigor sexual de 80 homens para aqueles que se sacrificarem pela sua causa. Quanto mais a recompensa cresce, o sacrifício deve ser proporcionalmente maior. Para encorajar seus seguidores a fazerem mais, ele disse:

Não há igualdade entre os crentes que permanecem em casa, sem serem inválidos, e os que combatem e arriscam bens e a vida a serviço de Deus. Deus eleva os que lutam por Ele com seus bens e sua vida um grau acima dos outros. A todos, Deus promete excelente recompensa, mas conferirá aos combatentes paga superior à dos que permanecem em casa. (Alcorão 4: 95)

Em outras palavras, se você acredita, será recompensado, mas a sua recompensa não será igual à recompensa daqueles que empreendem a jihad, que sacrificam suas riquezas e as próprias vidas para se tornarem mártires pela causa.

Quanto mais perigoso um culto, mais difíceis são seus requisitos. Algumas seitas não vão nem mesmo aceitá-lo como membro integral até que se prove sua lealdade em fazer grandes sacrifícios. Maomé fez seus seguidores acreditarem que estes sacrifícios eram necessários e parte da fé. Gastar dinheiro na seita ou doar as posses para o líder é considerado ato de fé e comprometimento.

Os líderes de seitas são narcisistas psicopatas e mestres da manipulação. Eles amam ver as pessoas fazerem tarefas extenuantes para eles, para que possam sentir o poder e o sabor de sua própria onipotência. Seus seguidores engolfados irão fazer qualquer coisa, inclusive desencadear guerra, assassinar e dar a vida para obter aprovação deles. Esta atitude servil alimenta a fome narcisista do líder pela dominação e pelo controle. Eles curtem o poder e seus seguidores confundem sua intransigência com a veracidade de sua causa.

Por que a maioria dos profetas é se sexo masculino? Porque o narcisismo é uma desordem mais masculina. Embora as mulheres também possam se tornar narcisistas, há mais narcisistas homens que mulheres. Como resultado há mais profetas, mais líderes de seitas e mais ditadores do sexo masculino.

As seitas aplicam rituais rigorosos de maneira típica. Em observar esses rituais meticulosamente, os seguidores são levados a crer que atingirão a salvação. Eles se tornam obcecados com os rituais e consideram a falha em observá-los como um pecado. Estes rituais sem sentido precisam ser cumpridos, supostamente para agradarem a Deus ou para que fiquem “iluminados”. Todavia, o intento real deste ritual é manter os seguidores fisgados e no cabresto. Quanto mais curto for o cabresto, mais o líder consegue controlar seus seguidores. Na verdade nenhum desses rituais tem a ver com Deus. Eles servem para dar ao narcisista poder máximo sobre seus seguidores.

O ritual islâmico das preces obrigatórias e do jejum serve para dessensibilizar de pensamentos e emoções. Aos muçulmanos é pedido que se abstenham de certas comidas, escutar música ou se socializarem com o sexo oposto. Se do sexo feminino, elas precisam se cobrir em camadas de roupas folgadas, mesmo no escaldante calor do sol, e elas devem romper todos os laços com sua família não muçulmana e seus amigos. Essas são dificuldades e sacrifícios que fazem os crentes acreditarem que ele ou ela vai ganhar um prêmio em troca. O crente se torna obcecado com os rituais e os sacrifícios. Enquanto ele sofre, ele conta suas bênçãos e recompensas no outro mundo e assim, ele é preenchido com euforia e a glória. Paradoxalmente, a dor dá ao crente mais alegria e contentamento. Não é incomum que os crentes pratiquem a autoflagelação com o intento de serem eleitos dos prazeres divinos.

Nós humanos temos a tendência de acreditar na máxima “sem dor, sem ganho” (no pain no gain). Nossos ancestrais primitivos costumavam oferecer sacrifícios para apaziguar seus deuses. Para maiores recompensas eles faziam maiores sacrifícios. Esta crença estava tão enraizada que em algumas culturas as pessoas sacrificavam humanos e até os próprios filhos.

A dificuldade em praticar o Islã (bem como outras seitas ou cultos) e o intenso sacrifício que os muçulmanos devem fazer para serem subservientes e piedosos são de fato o charme e a atração do Islam. Quanto mais difícil de seguir, mais verdadeiro ele parece. Aqueles que não se sacrificam o suficiente são dominados pela culpa. E esta culpa é mais dolorosa do que o sacrifício em si.

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Sobre o autor: Ali Sina é o pseudônimo de um ex-muçulmano nascido no Irã, que atualmente mora no Canadá. É um dos críticos mais respeitáveis da religião islâmica e também um dos mais ferrenhos. Fundador do fórum FAITH FREEDOM INTERNATIONAL (http://www.faithfreedom.org), que ajuda ex-muçulmanos em todo o mundo, ALI SINA é autor de várias obras, entre elas Understanding Muhammad (Para entender Maomé), com tradução em progresso.

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