Apostasia no Islã

Texto de Ali Sina. Publicado por Khadija Kafir 31-07-2015 Para ler o original, clique aqui.

A apostasia no islã é punível com a morte. Esta sentença é praticada todas as vezes em que os muçulmanos estão no poder e podem praticá-la. No Irã, muito Baha’is foram executados porque eles mudaram de religião. As fátuas contra Salman Rushdie, Talisma Nasrin e Anwar Sheikh são exemplos disso.

Os muçulmanos são treinados para ter devoção fanática. Eles não hesitarão em cometer nenhum crime se for feito em nome de Alá. O Islã é uma religião de relativismo moral. Significa que roubar, mentir, fazer terrorismo e até assassinar são aceitáveis se forem praticados por Alá e sua causa.

Não vos escuseis, porque renegastes, depois de terdes acreditado! E se indultássemos uma parte de vós, puniríamos a outra, porque é pecadora.” (Alcorão 9:66)

“Quanto àqueles que descrerem, após terem acreditado, e continuarem na incredulidade, jamais lhes será aceito o arrependimento e serão os desviados”. (Alcorão 3:90)

“Ó crentes, aqueles dentre vós que renegarem a sua religião, saibam que Alá os suplantará por outras pessoas, às quais amará, as quais O amarão; serão compassivas para com os crentes e severas para com os incrédulos; combaterão pela causa de Alá e não temerão a censura de ninguém”. (Alcorão 5:54)

 “Ó profeta, combate os incrédulos e os hipócritas, e sê implacável para com eles! O inferno será sua morada. Que funesto destino! Juram por Alá nada terem dito (de errado); porém blasfemaram e descreram, depois de terem aceito o islã. Pretenderam o que foram incapazes de fazer, e não encontraram outro argumento, senão o de que Alá e Seu Mensageiro os enriqueceram de Sua graça. Mas se se arrependerem, será melhor para eles; ao contrário, se se recusarem, Alá os castigará dolorosamente neste mundo e no outro, e não terão na terra, amigos nem protetores” (Alcorão 9:73-74)

“Admoesta, pois, porque és somente um admoestador! Não és de maneira alguma guardião deles. E àquele que te for adverso e incrédulo, Alá infligirá o maior castigo.” (Alcorão 88: 22-24)

Parece que os versos acima se contradizem. De um lado a escolha da fé é deixada ao indivíduo e Deus diz a Maomé que não se deve forçar a fé neles; e imediatamente ele faz uma exceção para aqueles que escolhem rejeitar o islã depois de abraçá-lo. Esta é uma prova flagrante da natureza cúltica do Islã.

Os versos seguintes são sobre os mecanos que depois de aceitar o islã não quiseram imigrar a mando de Maomé ou quiseram voltar para Meca, a seus lares e vidas. Maomé ordena a seus seguidores que matassem quem deserdasse o acampamento. Esta foi uma sentença dura contra os muçulmanos que estavam de saco cheio e só queriam voltar para casa.

Anseiam (os hipócritas) que renegueis, como renegaram eles, para que sejais todos iguais. Não tomeis a nenhum deles por confidente, até que tenham migrado pela causa de Alá. Porém, caso se rebelem, capturai-os e matai-os, onde quer que os acheis, e não tomeis a nenhum deles por confidente nem por socorredor” (Alcorão 4:89)

Há também muitos hadiths que confirmam o que está no Alcorão sobre o duro tratamento aos apóstatas. Aqui estão alguns exemplos deles:

Relatou Ikrima: Ali queimou algumas pessoas (hipócritas) e esta notícia alcançou Ibn ‘Abbas, que disse: “Se eu tivesse no lugar dele eu não os teria queimado, como o profeta disse: ‘não puna ninguém com a punição de Alá’. Mas sem dúvida eu teria matado, pois o profeta disse: ‘se algum muçulmano descartar sua religião, mate-o”. (Sahih Bukhari 4.260. Outra maneira de achar essa parte é Volume 9, Livro 84, Número 57)

Relatou Abu Burda: “… O profeta enviou Mu’adh bin Jabal atrás dele e quando Mu’adh o alcançou, deitou uma almofada para ele e pediu que se abaixasse (e sentasse na almofada). Atenção: havia um homem acorrentado ao lado de Abu Muisa. Mu’adh perguntou: “quem é este homem?” Abu Muisa disse: “ele era um judeu e se tornou muçulmano e depois virou judeu de novo”. Então Abu Muisa pediu outra vez que Mu’adh se sentasse, mas ele disse: “não vou me sentar até que ele seja morto. Este é o julgamento de Alá e Seu apóstolo (para tais casos)” E repetiu três vezes. Daí Abu Musa ordenou que ele fosse morto e ele foi morto”. (Sahih Bukhari 9.58) Ver também Sahih Bukhari 9.271)

Obs.: O volume 9 Livro 84 de Sahih Bukhari se chama “Lidando com os apóstatas” onde trata da questão da pena de morte para eles. NT

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Sobre o autor: Ali Sina é o pseudônimo de um ex-muçulmano nascido no Irã, que atualmente mora no Canadá. É um dos críticos mais respeitáveis da religião islâmica e também um dos mais ferrenhos. Fundador do fórum FAITH FREEDOM INTERNATIONAL (http://www.faithfreedom.org), que ajuda ex-muçulmanos em todo o mundo, Ali Sina é autor de várias obras, entre elas Understanding Muhammad (Para entender Maomé), com tradução prevista para esse ano.

O Islã é a roupa nova do Imperador

Um conto de Hans Christian Andersen conta que um imperador muito exigente pediu a seu alfaiate que fizesse uma roupa especial e inigualável, que fosse uma novidade absoluta. O alfaiate mostrou as mãos vazias ao monarca e disse que a roupa apresentada era de um tecido especial que só as pessoas boas e de coração puro podiam ver. Como não podia enxergar nada, o rei imediatamente fingiu que conseguia ver e vestir a roupa, e saiu nu no meio da multidão, que, petrificada, não ousavam sequer criticá-lo. Até que a voz inocente de uma criança gritou a verdade: “Olha, mãe, o imperador está nu!”  O texto abaixo é de Ali Sina (2013), um dos mais respeitáveis críticos da religião islâmica. Para ler o original, clique aqui.

Publicado por Khadija Kafir em 31-07-2015

Leitor escreve:

Querido Ali Sina,

Eu concordo com você sobre o Alcorão e os Hadith. Maomé era um maléfico depravado (se é que existiu). Será que a razão pela qual os muçulmanos permanecem com esse mal é por causa da punição aos dissidentes? Eu sou britânico e no meu país mesmo que as pessoas desprezem o islã em segredo, ninguém está muito a fim de anunciar isso publicamente. Eles temem serem taxados de racistas ou fascistas. Qual é a sua sugestão para uma medida contra isso? Quando é que a elite política vai acordar? Qual será o ponto de inflexão? Finalmente, o islã está entrando em colapso ou é só boato?

Atenciosamente

A razão pela qual os muçulmanos permanecem atados a sua fé é pelo medo do inferno. Este medo paralisou a mente deles a tal extremo que eles estão sem vontade de considerar que Maomé pode ter sido um mentiroso. Eles não vão nem considerar ler um livro ou um artigo que possa abrir os olhos.

Você me pergunta o que fazer para conter o avanço do islã. Você diz que a maioria das pessoas despreza o islã em segredo, mas não estão com coragem anunciar isso publicamente, para não serem xingados de racistas ou fascistas. Bem, esse é o problema. As pessoas se encurralaram. A solução é simples. Saia do armário e anuncie publicamente que o islã é incompatível com os valores da liberdade e da democracia e que não tem lugar em seu país.

A crítica a uma religião não é racismo. Os maiores pensadores como Voltaire, Bertrand Russel, Thomas Paine e inúmeras outras mentes brilhantes eram críticos acirrados da religião. Por que é que ninguém os chama de racistas? Por que é sensato criticar o cristianismo, o judaísmo o hinduísmo e todas as outras religiões, mas é racismo criticar o islã?

Esta é a mentira islâmica em que muitos não muçulmanos, principalmente os esquerdistas, tomam parte. O Islã não é uma raça. Qual é a raça do Islã? Eles querem fazer bullying com você para silenciá-lo e você não deve ceder a esse bullying.

O islã é também fascismo. É o Islã que não acredita na democracia, igualdade, e irmandade para todas as pessoas. É o islã que promove a supremacia religiosa. É o Islã que é misógino. É o Islã que trama dominar o mundo como um único governo mundial. Estas ideias são fascistas.

Todas as vezes em que criticamos o islamismo, os muçulmanos e seus amigos fascistas vêm em sua defesa e dizem que existem pessoas moderadas entre os muçulmanos. Mas nós estamos falando do Islamismo, que é uma religião e uma ideologia política. O fato de que existam muçulmanos “moderados” que não obedecem a sua religião é conversa fiada e é irrelevante ao que o islã prega.

Qualquer pessoa que o impeça de falar contra qualquer ideologia é um fascista. Não hesite em chamar essa pessoa por esse nome. Não fique na defensiva. A melhor defesa é um bom ataque. Imediatamente chame-os de fascistas por serem eles aqueles que tentam suprimir sua liberdade de expressão e defendem uma ideologia misógina de ódio, violência e dominação. Temos que virar a mesa desses fascistas e expor os defensores do islã a vergonha. Não podemos vencer esta guerra “pisando em ovos”. Sem recorrer a violência física, seja agressivo em seu ataque verbal contra o islã.

Você não vai acreditar no e-mail que eu recebi uns dois dias atrás. Alguém escreveu:

Os ataques no Quênia pelos muçulmanos têm me incomodado pois eles separaram os muçulmanos dos não muçulmanos com a tática de fazer perguntas sobre o islã. Se eu for pego em uma situação similar, como é que eu e minha família podemos nos passar por muçulmanos? Você pode me dizer como eu me visto e quais fatos eu tenho que saber sobre o Islã e Maomé? Também pode me ensinar a fazer as orações e me ensinar dois ou três versos em Árabe que eu possa lembrar de cor? Eu ficaria grato pelo seu conselho pois me ajuda a sobreviver aos jihadistas”.

Mas é assim mesmo que os muçulmanos querem e foi assim que eles venceram. Eles intimidaram as pessoas poupando suas tristes vidas, pois eles timidamente fingiram serem muçulmanos. Em apenas duas gerações, os filhos desses covardes se tornaram muçulmanos fanáticos e agora estamos sofrendo sua perseguição. Por que salvar tal vida vivida na covardia? Não é melhor a morte do que viver esta vida sem vergonha?

Nós não vamos ganhar esta Guerra com covardia. O fascismo islâmico prospera pela covardia de suas vítimas. E daí se eles chamarem você de racista ou fascista? Insulte-os de volta usando os mesmos nomes e continue atacando o islã. Não os deixe intimidá-lo ao silêncio pelo bullying.

Você me pergunta quando é que a elite política vai acordar. Eles vão acordar quando o público acordar. Você diz que a maioria das pessoas sabe da verdade, mas eles estão com medo de falar publicamente. O mesmo acontece com os políticos. De fato, os políticos estão em uma pressão maior. Se um cidadão médio está com medo de falar o que pensa, e todos aceitam isso, e provavelmente ninguém faz nada, por que você espera que os políticos coloquem suas carreiras em risco? Eles têm mais a perder. Então se você não tem coragem de fazer a coisa certa, não culpe os outros. Como disse Jesus: quem não tiver pecado atire a primeira pedra.

Os políticos sabem o quanto sabe o povo, mas eles pensam que é politicamente melhor o apaziguamento e a mentira, e jogam o jogo do engano, até quando causam um escândalo e são forçados a pedirem desculpas ou renunciarem ao cargo. Eles terão coragem de falar quando o povo tiver essa coragem. O público é você. Você tem coragem de denunciar o islã publicamente ou em qualquer lugar fora de seu quarto? Se a resposta for não, então você não merece a liberdade.

 a roupa nova do imperador2

O islã é a roupa nova do imperador. Todo mundo com bom senso pode ver que é uma religião de terror, mas ninguém ousa dizer pelo medo de ser insultado de racista ou fascista. O engano das roupas invisíveis do imperador é exposto quando uma criança na multidão, muito jovem para entender a vantagem de manter a farsa, grita que o imperador está nu e o grito é dado por outros. Se você quer por termo nesta charada sobre o islamismo, você tem que agir como aquela criança e gritar que o islã é uma religião de ódio. Uma vez que você fizer isso, outros tomarão coragem e seu grito será levado em conta. Então os políticos tomarão coragem de fazer o que é de seu dever: proteger o país contra seus inimigos.

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Sobre o autor: Ali Sina é o pseudônimo de um ex-muçulmano nascido no Irã, que atualmente mora no Canadá. É um dos críticos mais respeitáveis da religião islâmica e também um dos mais ferrenhos. Fundador do fórum FAITH FREEDOM INTERNATIONAL (http://www.faithfreedom.org), que ajuda ex-muçulmanos em todo o mundo, ALI SINA é autor de várias obras, entre elas Understanding Muhammad (Para entender Maomé).

Defenda o direito de ficar ofendido

O texto a seguir é um excerto do artigo “Defend the right to be offended”. Salman Rushdie fala sobre o perigo de ser criarem leis limitantes à liberdade de expressão e que proíbem a crítica ao Islã sob a denominação “incitamento ao ódio por motivos religiosos”. Ele fala da Grã-Bretanha, onde vive, mas traça paralelos com outros países ocidentais.

Texto de Salman Rushdie (2005).

Tradução e adaptação: Khadija Kafir 30-07-2015

(…) O perigo que essa legislação acarreta para a liberdade de expressão, quando diminuída, permanece. Parece que precisamos lutar a batalha do Iluminismo toda de novo na Europa, bem como nos Estados Unidos.

Essa batalha foi sobre o desejo da Igreja de impor limites ao pensamento. O Iluminismo não foi uma batalha contra o Estado, mas contra a igreja. O romance de Diderot La Religieuse (1760), com seu retrato das freiras e seu comportamento, foi deliberadamente blasfemo: ele desafiou a autoridade religiosa, com seus índex e inquisições, dentro do que era possível dizer. A maioria de nossas ideias contemporâneas sobre a liberdade de expressão e imaginação vem do Iluminismo. Podemos ter pensado que a batalha já está vencida. Mas se não tivermos cuidado, ela está prestes a ser derrotada.

Ofensas e insulto são parte da vida cotidiana das pessoas na Grã-Bretanha. Tudo que você tem a fazer é abrir um jornal diário e há muito com que se ofender. Ou pode andar para a seção de livros religiosos de uma livraria e descobrir que você está condenado a vários tipos de torturas eternas no inferno, o que certamente é um insulto, para não dizer que é algo picante.

A ideia de que qualquer tipo de sociedade livre possa ser construída sem que as pessoas nunca sejam ofendidas ou insultadas é um absurdo. Absurda também é a noção de que as pessoas devem ter o direito de invocar a lei para protegê-las de se sentirem ofendidas ou insultadas. A decisão fundamental precisa ser feita: queremos viver em uma sociedade livre ou não? A democracia não é uma festa de chá, onde as pessoas se sentam em círculos para ter uma conversa educada. Nas democracias, as pessoas ficam extremamente chateadas umas com as outras. Argumentam veementemente contra as posições de cada um (mas sem atirar para matar).

Na Universidade de Cambridge me ensinaram um método louvável de argumento: você nunca levar nada para o lado pessoal, mas não é obrigado ter absolutamente nenhum respeito pelas opiniões das pessoas. Você nunca deve ser rude com a pessoa, mas você pode ser barbaramente rude sobre o que a pessoa pensa. Isso me parece uma distinção crucial: as pessoas devem ser protegidas contra a discriminação em virtude da sua raça, mas nada impede que você toque suas ideias. No momento em que você diz que qualquer sistema de ideia é sagrado, quer se trate de um sistema de crença religiosa ou de uma ideologia secular, no momento em que você declara que esse conjunto de ideias é imune à crítica, sátira, escárnio ou desprezo, a liberdade de pensamento se torna impossível.

Agora, com a proposta de lei “para evitar que o ódio seja despertado contra pessoas por causa de suas crenças religiosas”, o governo britânico atual tem a intenção de criar essa impossibilidade. Secretamente seus elaboradores irão lhe dizer que a lei foi concebida para agradar “os muçulmanos”. Mas que muçulmanos, quando e em que dia?

A capacidade desta lei de proteger “os muçulmanos” parece-me discutível. É perfeitamente possível que em vez disso, ela seja usada contra os muçulmanos antes de ser usada contra qualquer outra pessoa. Há grupos identificáveis de racistas e de extrema-direita neste país que argumentam que os muçulmanos são os que incitam o ódio religioso, e esses grupos vão usar (ou tentar usar) esta lei.

(…)

As pessoas têm o direito fundamental de levar um argumento até o ponto em que alguém se ofende com o que elas dizem. Não vale trapacear apoiando a liberdade de expressão só de quem concorda com você. A defesa da liberdade de expressão começa no ponto em que as pessoas dizem algo que você não quer ouvir. Se você não defende o direito de dizer, então você não acredita nessa liberdade. Friedrich Nietzsche chamou o Cristianismo de “a grande maldição” e “o único defeito imortal da humanidade”. Será que hoje ele seria processado?

(…)

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Sobre o autor: Salman Rushdie é um ex-muçulmano nascido na Índia, mas que vive no Ocidente (Grã-Bretanha e EUA). É um romancista autor de várias obras, porém a mais conhecida delas se chama “Versos Satânicos” (1988), que gerou uma enorme polêmica no mundo muçulmano. Depois que publicou esta obra, O aiatolá Khomeine, líder supremo do Irã nessa época, lançou uma fátua (punição islâmica) contra Rushdie, que exigia a sua morte. Desde então Rushdie precisou viver sob constante proteção de guarda-costas. O jornal britânico The Times o colocou em décimo terceiro lugar na lista dos melhores escritores da Grã-Bretanha desde 1945.

Como posso me divorciar de meu marido muçulmano?

Texto de Ali Sina (2011).

Publicado por Khadija Kafir em 29-07-2015

Leitora escreve para Ali Sina:

Olá,

Eu sou de Melbourne Austrália. Sou uma muçulmana Xiita e fui casada por 14 anos. Fique separada AGORA por quatro anos e estou achando difícil obter um divórcio muçulmano Xiita. Todos os Sheikhs aqui não vão me conceder porque a decisão deve partir do meu marido e o que ele disser vale. Eles já sabem como é que ele é. O Islam é uma religião masculina. Eu digo que não é justo. Eu tenho três filhos e eles moram comigo. Não tenho apoio financeiro e nem desejo. Ainda assim meu marido faz da minha vida um inferno.

Eu vivi no inferno por treze anos. Ele me diz que nunca irá se divorciar de mim de modo que possa me arruinar. Ele me diz que nunca vai me deixar casar de novo. Por que é tão difícil para uma mulher obter o divórcio? Eu o deixei porque eu não tinha nenhum apoio financeiro dele. Trabalhei a minha vida toda e ele era muito abusivo verbalmente até mesmo na frente das crianças. Minha filha sofria de depressão e visitava um terapeuta na idade de oito anos. E eu tenho 34 anos e estou determinada a achar o amor e a FELICIDADE. Por favor! Estou suplicando a você que me ajude a sair deste inferno e me ajude a obter meu divórcio.

Sara.

 Ali Sina responde:

Oi Sara,

Isto é estranho. Você concedeu todo o poder a seu marido e a um bando de mulás e está reclamando que vive no inferno. Isso é igual a um passarinho que reclama de viver engaiolado quando a porta da gaiola está aberta.

Você vive na Austrália. Por que é que tem que ir aos Sheikhs para obter um divórcio? Por que esse divórcio deve ser islâmico? Consulte um advogado especialista em divórcio na lei australiana. Declare-se não muçulmana e você automaticamente não será controlada por ninguém.

Se você estivesse vivendo em um país muçulmano onde todas as portas da gaiola estão fechadas e trancadas, eu entenderia seu pleito. Mas eu não entendo, porque na Austrália você tem que se sujeitar a lei islâmica?

Os Sheikhs não têm nenhum controle sobre você, a menos que você dê esse poder a eles. Em países islâmicos, onde os Sheikhs fazem as leis, a situação é diferente. Se você vive no Ocidente, tudo que você deve fazer é dizer adeus ao Islam e reivindicar sua independência e liberdade.

Se você teme seu marido abusivo, vá até a polícia e procure proteção. Talvez você tenha que mudar sua cidade ou até seu nome.

Comece a namorar. Visite sites de relacionamento. O mar está pra peixe. Certifique-se de não se relacionar com um muçulmano de novo. A vida é melhor quando é partilhada com um parceiro amoroso.

Boa sorte,

Ali Sina.

Leitora insiste:

Olá Ali Sina,

Desculpe, eu esqueci de mencionar que eu fui divorciada pela lei Australiana. Mas como consigo o divórcio islâmico, pois ele irá envergonhar a minha família espalhando rumores de que eu cometi adultério se eu arrumar alguém. Meu marido irá continuar fazendo da minha vida um inferno e arruinará meu nome para sempre, uma vez que eu sou muito conhecida e respeitada por todos pela minha honestidade e pureza; e como ser humano. Eu tenho muito amigos que sabem o tipo de homem que ele é e que tipo de vida eu sofri com ele por muitos anos. Meus filhos estão muito felizes e eu trabalho em tempo integral para me manter junto com meus filhos. Estou feliz fazendo isso. POR FAVOR PODE ME AJUDAR a obter um divórcio islâmico para que eu possa me livrar dele e dessa religião!

Sara.

Querida Sara,

Uma vez que você se divorcia na lei australiana, você é divorciada. Você está dando legitimidade a um culto que não merece nenhuma. O Islam é uma mentira. A menos que você também tenha se casado civilmente, o seu casamento islâmico era nulo, para inicio de conversa.

Eu não posso pedir aos Shiekhs para dar a você seu divórcio islâmico. O que eu posso fazer é persuadir você a não dar poder a eles e a seu marido para destruir sua vida. Você é divorciada pela lei e isso é o que importa. Se a sua comunidade não entende isso, deixe-a. Você vive na Austrália. Arrume novos amigos que sejam apoiadores e compreensivos.

Encontre uma boa igreja que tenha grupo de apoio. Alguns anos atrás eu encontrei uma igreja Menonita que não ficava muito longe de mim. Eu costumava ir lá encontrar pessoas e me socializar. Eu gostava dos corais e até dos sermões. Frequentei grupos de estudos bíblicos. Fiquei conhecendo a Bíblia mais do que qualquer um. Ninguém sabia que secretamente eu era um ateu.

Há grupos de apoio para pessoas divorciadas. Depois das palestras, costumávamos nos reunir em uma grande sala. A comida era simples. Mas era uma ocasião para sentar com outros seres humanos e interagir. Eu me mudei e não tentei achar outra igreja. Eu recomendo fortemente que você faça isso. Se você tem filhos pequenos, eles precisam ter essa experiência social que só é possível quando se é criança.

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Sobre o autor: Ali Sina é o pseudônimo de um ex-muçulmano nascido no Irã, que atualmente mora no Canadá. É um dos críticos mais respeitáveis da religião islâmica e também um dos mais ferrenhos. Fundador do fórum FAITH FREEDOM INTERNATIONAL (http://www.faithfreedom.org), que ajuda ex-muçulmanos em todo o mundo, ALI SINA é autor de várias obras, entre elas Understanding Muhammad (Para entender Maomé), com tradução em progresso.

Não tenho conexão com qualquer Deus, religião ou seita

Neste pequeno artigo, a médica e escritora bengali Talisma Nasrin diz o que é preciso fazer para melhorar a situação das mulheres do Oriente, bem como africanas e asiáticas.

Texto de Talisma Nasrin. Para ler o original, clique aqui.

Publicado por khadija Kafir em 21/07/2015

A maioria das pessoas confunde espiritualidade com alguma forma de crença religiosa. Todavia, por mais que se queira separar a ambos, uma pitada de religião sempre consegue aparecer na espiritualidade. É por essa razão que a palavra não significa nada para mim. Eu não tenho conexão com qualquer religião, qualquer Deus, qualquer seita.

Eu só acredito no humanismo secular. Eu era muito jovem quando comecei a argumentar e lutar por direitos iguais para homens e mulheres. Mesmo quando eu era uma menininha, eu nunca podia entender porque havia um conjunto de regras para meninos e outros para meninas. Eu acho que minha habilidade de questionar me fazia especial. Eu nunca obtive uma resposta satisfatória. E minha busca só continuava… Se eu puder fazer algo por aqueles que são oprimidos e explorados, se eu puder ajudar a melhorar seu destino, se eu puder criar consciência nas mulheres, eu poderia dizer que achei a felicidade.

Eu não chamaria isso de paz- nunca estou em paz – mas eu diria que uma distancia significativa foi percorrida. Não sou uma pessoa muito corajosa. Minha força vem quando eu vejo mulheres lutando. A luta delas me dá resiliência para continuar lutando pelos seus direitos.

Minha abordagem para lidar com toda problemática é a mesma – vá até a raiz e corte-a para sempre. Não existe utilidade nenhuma em achar soluções superficiais para problemas perenes. Creio que a resposta científica é o melhor caminho para resolver complicações. Fé cega não é meu forte. Não creio em baixar minha cabeça para ninguém ou para nada.

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Sobre a autora: Talisma Nasrin é uma ex-muçulmana lésbica nascida em Bangladesh. Formada em Medicina, Nasrin é mais conhecida no mundo por seus escritos e suas críticas à religião islâmica e sua nefasta influência na opressão das mulheres. Em sua autobiografia, intitulada Amar Meyebela, relata sua sofrida infância e faz críticas a Maomé, o que lhe valeu represálias e proibição de vender o livro.

Quanto mais difícil melhor

Excerto do livro Understanding Muhammad – Capítulo 5, de Ali Sina.

Publicado por Khadija Kafir em 18-07-2015

Os muçulmanos geralmente perguntam: se Maomé era tão mentiroso, por que ele criaria uma religião tão difícil e com tantas restrições? De fato, o Islã é uma das religiões mais difíceis de praticar. É muito exigente, com muitas proibições, rituais e obrigações. Não é triste seguir uma religião que é um estorvo?

O axioma básico da fé é também aquele que contém um paradoxo, e que pode ser estabelecido assim: quanto mais difícil de seguir é uma doutrina, mais intrinsecamente atrativa ela se torna. Faz parte de nossa psique que apreciemos coisas pelas quais lutamos mais ferrenhamente. Por outro lado, nós valorizamos menos e damos menos importância a coisas que obtemos de maneira fácil ou de graça. As seitas (ou cultos) prezam pela dificuldade e encaram com desdém a vida fácil. É precisamente a sua dificuldade que as tornam tão atraentes.

Todos os cultos ou seitas são, por natureza, difíceis de seguir. Os seguidores de Warren Jeffs, líder da seita polígama mórmon conhecida como A Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Fundamentalist Church of Jesus Christ of Latter Day Saints– FLDS), trabalhavam para ele de graça ou doavam para ele todos os seus ganhos, enquanto que seus seguidores dependiam dos programas sociais para sustento. Jeffs tinha controle absoluto sobre seus seguidores. Ele os proibia de assistir TV, escutar rádio ou quaisquer músicas, exceto as suas. Ele lhes designava uma casa para viver e dizia que não se misturassem com os infiéis. Ele escolhia para os seguidores um cônjuge. Se ele estivesse descontente com alguém, ele ordenava que as esposas daquela pessoa deixassem o marido e elas obedeciam. Os cultos ou as seitas exigem submissão total e com isso, grande sacrifício.

Olhemos para os outros cultos, como os de Jim Jones, Shoko Asahara, o dos “moonies” ou os da “Entrada para o Céu” (Heaven’s Gate). Essas seitas não eram fáceis de praticar. Os membros frequentemente tinham que entregar suas possessões mundanas ao líder, deixar para trás seus empregos, amigos e parentes para segui-lo. Eles eram forçados a viver uma vida austera e às vezes eram persuadidos a se absterem de sexo. Enquanto isso, o líder da seita tinha tudo que ele queria. David Koresh dizia a seus seguidores que as mulheres pertenciam a Deus; e uma vez que ele era o Messias, elas pertenciam a ele. Então ele dormia com as esposas e filhas adolescentes de seus seguidores, mas prescrevia o celibato para eles. Shoko Asahara, Jim Jones e geralmente todos os líderes de seitas puniam severamente aqueles que o desobedeciam. Apesar desses abusos e dificuldades, a pior punição era a excomunhão (ostracismo). Alguns seguidores cometiam suicídio depois de serem excomungados.

Os líderes dessas seitas impõem o ostracismo aos membros que parecem indisciplinados. As pessoas querem se integrar. Elas irão sucumbir se forem excomungadas ou deixadas de lado. Assim foi que os muçulmanos forçaram as minorias descrentes a conversão.

As seitas exigem sacrifícios. Através dos sacrifícios os crentes provam sua fé e lealdade. O cultista ou o guru é levado a acreditar que alguém pode ganhar os prazeres de Deus em sacrificar tudo, incluindo a própria vida. A lógica é que quanto mais se sacrifica, mais se dá valor. Nenhum sacrifício é demais quando a salvação está em jogo. Maomé ofereceu vida eterna no paraíso, um bando de “houris” celestiais e o vigor sexual de 80 homens para aqueles que se sacrificarem pela sua causa. Quanto mais a recompensa cresce, o sacrifício deve ser proporcionalmente maior. Para encorajar seus seguidores a fazerem mais, ele disse:

Não há igualdade entre os crentes que permanecem em casa, sem serem inválidos, e os que combatem e arriscam bens e a vida a serviço de Deus. Deus eleva os que lutam por Ele com seus bens e sua vida um grau acima dos outros. A todos, Deus promete excelente recompensa, mas conferirá aos combatentes paga superior à dos que permanecem em casa. (Alcorão 4: 95)

Em outras palavras, se você acredita, será recompensado, mas a sua recompensa não será igual à recompensa daqueles que empreendem a jihad, que sacrificam suas riquezas e as próprias vidas para se tornarem mártires pela causa.

Quanto mais perigoso um culto, mais difíceis são seus requisitos. Algumas seitas não vão nem mesmo aceitá-lo como membro integral até que se prove sua lealdade em fazer grandes sacrifícios. Maomé fez seus seguidores acreditarem que estes sacrifícios eram necessários e parte da fé. Gastar dinheiro na seita ou doar as posses para o líder é considerado ato de fé e comprometimento.

Os líderes de seitas são narcisistas psicopatas e mestres da manipulação. Eles amam ver as pessoas fazerem tarefas extenuantes para eles, para que possam sentir o poder e o sabor de sua própria onipotência. Seus seguidores engolfados irão fazer qualquer coisa, inclusive desencadear guerra, assassinar e dar a vida para obter aprovação deles. Esta atitude servil alimenta a fome narcisista do líder pela dominação e pelo controle. Eles curtem o poder e seus seguidores confundem sua intransigência com a veracidade de sua causa.

Por que a maioria dos profetas é se sexo masculino? Porque o narcisismo é uma desordem mais masculina. Embora as mulheres também possam se tornar narcisistas, há mais narcisistas homens que mulheres. Como resultado há mais profetas, mais líderes de seitas e mais ditadores do sexo masculino.

As seitas aplicam rituais rigorosos de maneira típica. Em observar esses rituais meticulosamente, os seguidores são levados a crer que atingirão a salvação. Eles se tornam obcecados com os rituais e consideram a falha em observá-los como um pecado. Estes rituais sem sentido precisam ser cumpridos, supostamente para agradarem a Deus ou para que fiquem “iluminados”. Todavia, o intento real deste ritual é manter os seguidores fisgados e no cabresto. Quanto mais curto for o cabresto, mais o líder consegue controlar seus seguidores. Na verdade nenhum desses rituais tem a ver com Deus. Eles servem para dar ao narcisista poder máximo sobre seus seguidores.

O ritual islâmico das preces obrigatórias e do jejum serve para dessensibilizar de pensamentos e emoções. Aos muçulmanos é pedido que se abstenham de certas comidas, escutar música ou se socializarem com o sexo oposto. Se do sexo feminino, elas precisam se cobrir em camadas de roupas folgadas, mesmo no escaldante calor do sol, e elas devem romper todos os laços com sua família não muçulmana e seus amigos. Essas são dificuldades e sacrifícios que fazem os crentes acreditarem que ele ou ela vai ganhar um prêmio em troca. O crente se torna obcecado com os rituais e os sacrifícios. Enquanto ele sofre, ele conta suas bênçãos e recompensas no outro mundo e assim, ele é preenchido com euforia e a glória. Paradoxalmente, a dor dá ao crente mais alegria e contentamento. Não é incomum que os crentes pratiquem a autoflagelação com o intento de serem eleitos dos prazeres divinos.

Nós humanos temos a tendência de acreditar na máxima “sem dor, sem ganho” (no pain no gain). Nossos ancestrais primitivos costumavam oferecer sacrifícios para apaziguar seus deuses. Para maiores recompensas eles faziam maiores sacrifícios. Esta crença estava tão enraizada que em algumas culturas as pessoas sacrificavam humanos e até os próprios filhos.

A dificuldade em praticar o Islã (bem como outras seitas ou cultos) e o intenso sacrifício que os muçulmanos devem fazer para serem subservientes e piedosos são de fato o charme e a atração do Islam. Quanto mais difícil de seguir, mais verdadeiro ele parece. Aqueles que não se sacrificam o suficiente são dominados pela culpa. E esta culpa é mais dolorosa do que o sacrifício em si.

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Sobre o autor: Ali Sina é o pseudônimo de um ex-muçulmano nascido no Irã, que atualmente mora no Canadá. É um dos críticos mais respeitáveis da religião islâmica e também um dos mais ferrenhos. Fundador do fórum FAITH FREEDOM INTERNATIONAL (http://www.faithfreedom.org), que ajuda ex-muçulmanos em todo o mundo, ALI SINA é autor de várias obras, entre elas Understanding Muhammad (Para entender Maomé), com tradução em progresso.

Quem ensinou Matemática para Alá?

Texto de Ali Sina (2010). Para ler o original clique aqui

Tradução Khadija Kafir 15/07/2015

Através de meus escritos, eu tenho demonstrado que Maomé era um mentiroso. Neste artigo, mostrarei que pelo menos em um dos casos ele disse a verdade: foi quando disse que era analfabeto.

O Alcorão é repleto de heresias científicas, fiascos históricos, absurdos lógicos, erros gramaticais e falácias éticas. Os mais óbvios são os erros matemáticos.

A lei Islâmica da herança é explicada em muitos versos. Pode-se achar a referência deles nos capítulos “A vaca” (nº 2), “A mesa servida” (nº 5), e “Os espólios” (nº 8). Mas os detalhes dessa lei estão explicitados no capítulo “As mulheres” (nº4).

“Eis o que Deus vos prescreve: Quando morre um de vós, deixando bens e filhos, o filho varão herdará o dobro da filha, e se houver somente filhas, receberão dois terços da herança, mas se houver uma filha só, receberá apenas a metade. Morrendo o filho, cada um dos pais receberá a sexta parte, caso o defunto tenha filhos. Se a herança couber exclusivamente aos pais, a mãe receberá um terço, e o pai, dois terços. Caso o defunto tiver também irmãos, a mãe receberá a sexta parte. Tudo isso depois de executados os legados e pagas as dívidas. Entre vossos pais e vossos filhos, não sabeis quem é mais benéfico para convosco. Tal é a lei de Deus. Deus é conhecedor e sábio. Alcorão 4: 11 (tradução Challita).

A vós, a metade da herança de vossas esposas se elas não tiverem filhos, e a quarta parte em caso contrário, depois de executados os legados e pagas as dívidas. E elas, um quarto de vossa herança, se não tiverdes filhos, e um oitavo em caso contrário, depois de executados os legados e pagas as dívidas. (…) Alcorão 4:12 (tradução Challita)

“(…) Se um homem morrer sem ter filhos, mas tendo uma irmã, ela herdará a metade da herança. E ele herdará todos os bens dela, se ela morrer primeiro sem deixar filhos. Se houver duas irmãs, herdarão os dois terços dos bens deixados. Se houver irmãos e irmãs, caberá a cada homem o dobro de cada mulher. Deus revela-vos Suas leis para que não erreis. Deus está a par de tudo”. Alcorão 4: 176 (tradução Challita).

 Apesar de dizer “para que não erreis”, estas leis estão longe de serem claras.

O verso 4:11 diz que se um homem tem apenas uma filha, ela obtém metade da herança, independentemente de outros herdeiros. Mas uma vez que os mesmos versos dizem que a partilha do filho deve ser o dobro, o filho deve então levar toda a herança. Não é uma discrepância? Há certamente um erro nesta lei.

O problema é agravado quando a partilha dos outros herdeiros – pais e esposas é levada em consideração.

Há casos onde o total das partilhas sinaladas aos herdeiros excede o patrimônio. Por exemplo:

De acordo com os versos acima, se um homem morrer deixando uma esposa, três filhas e dois pais, sua esposa recebe da herança 1/8 (E elas, um quarto de vossa herança, se não tiverdes filhos, e um oitavo em caso contrário. 4:12)

Suas filhas receberão 2/3 (se somente filhas, duas ou mais, a sua partilha é de 2/3 da herança).

E seus pais irão obter 1/6 de sua herança cada (para os pais, um sexto da herança para cada, se o falecido deixar filhos).

A soma dessas partes é mais do que o total da herança:

Esposa com filhos 1/8         = 3/24

Filhas 2/3                             = 16/24

Pai 1/6                                     = 4/24

Mãe 1/6                                 = 4/24

Total                                     27/ 24

Não há divisão suficiente para todos receberem suas respectivas partes. A carência é de 1/8.

Se a esposa não tem filho e as filhas pertencerem a uma ex-esposa do falecido, isto é o que acontece:

Esposa sem filho ¼           =6/24

Filhas 2/3                           =16/24

Pai 1/6                              =4/24

Mãe 1/6                           =4/24

Total                               = 30/24

Neste caso a escassez é de ¼.

A injustiça desta lei é óbvia. Digamos que uma mulher tenha sido casada com um homem por 25 anos e tenha dado filhos a ele. Ela fica com 1/8 da herança, mas se o mesmo homem se casou com uma nova esposa há apenas alguns dias antes de sua morte, a nova mulher irá receber o dobro do que a antiga receberá. Creio que até mesmo os muçulmanos, que são geralmente cegos, podem ver que esta lei é absurda. Os humanos nascem com senso de justiça. Não importa o quão sejam contaminados com falsas doutrinas e lavagem cerebral, certeza tenho de que algum resíduo disso tenha sido deixado para que pelo menos alguns muçulmanos percebam, não somente os erros nos cálculos, mas a injustiça dessas leis e se deem conta de que o Islam não é de Deus.

Tomemos outro exemplo. Digamos que um homem deixe uma esposa sem filho, sua mãe e suas irmãs.

A esposa recebe ¼ da herança (E elas, um quarto de vossa herança, se não tiverdes filhos,…)

A mãe fica com 1/3 (… mas se houver uma filha só, receberá apenas a metade. Morrendo o filho, cada um dos pais receberá a sexta parte, caso o defunto tenha filhos. Se a herança couber exclusivamente aos pais, a mãe receberá um terço, Alcorão 4: 11)

Esposa ¼     = 3/12

Mãe 1/3 =   4/12

Sister 2/3     = 8/18

Total   15/12

Nos exemplos acima, as proporções dos herdeiros excedem o total do patrimônio. Em ambos os casos o total da herança tem a soma de exatamente um antes da conta da partilha ANTES de levar em conta a parte da esposa.

O que deveria ser feito se um homem tiver duas esposas, uma com filhos e a outra sem filhos?

O que deveria ser feito se um homem tiver quatro esposas? Todas as esposas recebem um quarto da herança? Elas não podem, pois não haverá nada deixado para suas irmãs e pais. Será que isso significa dizer que esses ¼ é para todas as esposas, que ficariam cada uma com 1/16?

Esta lei não é só matematicamente errada, mas confusa e injusta.

Digamos que um homem morra deixando para trás seus pais, duas irmãs e quatro esposas. Ignoremos o erro matemático por agora. As duas irmãs irão receber 1/3 cada, mas as esposas ficarão com 1/16 da herança cada. Parece uma divisão justa?

E se o falecido for uma mulher?

O marido recebe metade (no que suas esposas deixam, sua partilha é a metade, se não deixarem filhos).

O irmão fica com tudo (se o falecido for uma mulher, que não deixou filho, seu irmão fica com a herança).

Se o irmão fica com tudo, como é que o marido fica com a metade?

Marido ½   = ½

Irmão   tudo     = 2/2

Total 3/2

Outra vez esta divisão é matematicamente errada e também injusta.

E o que se faz com os pais dela e irmãs? Elas herdam alguma coisa?

Este verso não especifica que os irmãos ficam com tudo somente se não houver outros herdeiros. Apenas diz que se não houver crianças ele fica com tudo. No mesmo caso, diz que se um homem morrer deixando irmãs, ela fica com a metade. O que acontece com as outras?

Aqui temos outro caso absurdo. Uma mulher falece e deixa o marido, uma irmã e a mãe:

Marido ½     = 3/6

Irmã ½   =   3/6

Mãe 1/3         =2/6

Total = 8/6

Os fundos são 1/3 menores!

Fica claro que em matéria de herança o Alcorão é muito obtuso. Esses erros são elementares. É difícil crer que Deus não saiba adicionar frações simples. São erros feitos por um homem muito iletrado.

As leis da herança são tão obtusas que os Xiitas e Sunitas as praticam diferentemente. Por exemplo: Se um homem deixar uma esposa e dois pais, os Xiitas darão à mulher ¼ da herança inteira primeiro, e daí distribuir o resto entre os outros herdeiros. Os xiitas fizeram uma hierarquia na herança. Os beneficiários da hierarquia mais alta recebem sua partilha primeiro e o que quer que seja deixado fica dividido na hierarquia mais baixa. De acordo com esta provisão, as partilhas recebidas pelos beneficiários não são as mesmas indicadas no Alcorão (ver #2741)

Os sunitas dão à esposa 1/4, à mãe, 1/3 e ao pai é contado como o parente masculino mais próximo e fica com o resto de 5/12.

Para resolver esses problemas os juristas islâmicos desenvolveram uma complexa ciência chamada “Al-Fara’id”. Ela contém regras do que são “Awl” e “Usbah”, e as leis do “Usool” e o “Fara’id”, as leis do “Hajb wa Hirman” e muitas outras leis relacionadas a essa matéria.

A lei de “Awl” (alojamento) trata de casos em que as partes do herdeiro excedem ou “superam” a soma da herança total. Nesses casos, as porções são ajustadas para acomodar todos. Veja como funciona:

Esposa 1/8 = 3/24   é mudado para 3/27

Filhas 2/3   16/24   é mudado para 16/27

Pai 1/6     4/24     é mudado para 4/27

Mãe 1/6     4/24   é mudado para 4/27

Total   27/24     é mudado para   27/27

Para o segundo caso:

Esposa 1/4 ou 3/12         é mudado para 3/15

Mãe 1/3 ou 4/12           é mudado para 4/15

Irmãs 2/3 ou 8/12                 é mudado para 8/15

Total 15/12               agora fica 15/15

O problema é resolvido graças ao engenho humano, mas não sem violar o Alcorão. Cada parte tem de renunciar ao seu direito na quota. É um caso claro em que as palavras de Alá precisaram de intervenção humana para serem aplicáveis. Os muçulmanos foram forçados a distorcer o Alcorão para conseguir fazê-lo funcionar.

Há também casos onde as partilhas dos herdeiros não somam um total de 100%, o que deixa uma sobra.

Por exemplo um homem que morra e deixe sua mulher e seus pais.

Pais 1/3   = 4/12

Esposa 1/4 = 3/12

Total 7/12

Quem vai receber o saldo de 5/12 da herança?

Os casos seguintes são outros exemplos onde haverá sobra de herança:

Cenário.                       Distribuição dos fundos.               Sobras

Somente a esposa                     1/4                                           3/4

Somente a mãe                          1/3                                          2/3

Somente a filha                           1/2                                        1/2

Duas filhas                                  2/3                                         1/3

Somente uma irmã                  1/2                                           1/2

Mãe e Irmã                                1/3 + 1/2=5/6                         1/6

Uma esposa e a mãe               1/3+ 1/2 =5/12                     7/12

Uma irmã e uma esposa        1/2+1/4=3/4                             1/4

Em todos esses casos e em muitas outras combinações há uma sobra. O que acontecerá a esta sobra? Quem vai herdar?

Para lidar com este problema a lei do “Usbah” foi concebida. Esta lei regula as partilhas não reivindicadas, em que não há pessoa para receber. É claro que se o Alcorão fosse claro e sem erros, não haveria necessidade de todas essas “ciências” e emendas.

A lei de Usbah é baseada no hadith seguinte:

Sahih Bukhari 8.80.724

Relatou Ibn ‘Abbas:

O profeta disse: “Entregue o Fara’id (a partilha da herança prescrita no Alcorão) para aqueles que devem recebê-las. O que quer que sobre, deve ser dado ao parente masculino mais próximo do falecido”.

De acordo com essa lei, um homem que morra e deixe somente sua filha e que não tenha parente masculino próximo a não ser um primo em segundo grau, sua filha herdará a metade da sua herança e a outra parte irá para o tal primo do homem. Parece bem injusto com a filha, mas seria particularmente injusto se o homem tivesse uma tia necessitada, ou uma prima em primeiro grau, que não receberia nada porque nasceu com o sexo errado.

Agora vamos supor que um homem não tenha herdeiros a não ser sua esposa e um parente masculino distante. A esposa receberá ¼ e o parente masculinos distante fica com o resto. Ele recebe três vezes mais do que a esposa. A esposa que sacrificou sua necessidade para guardar aquele dinheiro agora fica com ¼ daquilo que deveria ser só dela. Isso é justiça?

O que dizer se o falecido não tiver parentes do sexo masculino? O que irá acontecer com o resto de sua herança? O que acontece se o falecido for uma mulher sem parentes? O marido recebe a metade da herança, quem fica com a outra metade?

Percebam que no alcorão não existe prioridade para a distribuição da herança. O que os Xiitas fazem é chamado de bid’a – uma inovação que os torna heréticos. Em nenhuma parte do Alcorão está escrito “entregue primeiro a estes e do que sobrar entregue àqueles”. Mesmo se tivermos que reinterpretar essas leis e priorizá-las na ordem cronológica em que são mencionadas, mesmo assim não funciona porque nesses casos, cada herdeiro subsequente iria ter sua porção encolhida. Também na maioria dos casos o montante total nunca será usado.

Esses erros são claros e não podem ser negados. Todavia, os crentes são cegos. Numa tentativa de refutar este artigo, o muçulmano Sami Zaatari diz: “Se A (o/a falecido/a) deixar uma viúva ou viúvo, a porção da viúva ou do viúvo deverá ser calculada primeiro, como no verso 4:1”.

O senhor Zaatari deve nos mostrar a instrução no Alcorão. Não há referência no Alcorão para que priorizemos certos herdeiros e dividamos o resto entre os outros herdeiros. Esta é a heresia que os Xiitas comentem e Zaatari não é nem mesmo um Xiita. O fato permanece que o Alcorão, em matéria de partilha é errado matematicamente.

Agora vejam outro caso obtuso. Um homem tem apenas uma filha e dez filhos. De acordo com o Alcorão, a filha recebe a metade, enquanto os filhos irão partilhar a outra. Então cada um vai ficar com 1/20 da herança. E isso contradiz a outra parte da lei que diz que o homem deve receber o dobro de cada mulher.

Claro que os muçulmanos tem praticado o Islam por 1400 anos, e de alguma maneira eles conseguem fazer essas leis confusas funcionarem. Como? Eles reinterpretam e as ajustam.Os sunitas colocam toda a herança de lado e ajustam para cada homem o dobro de cada mulher. A solução, embora satisfaça de um lado, contradiz a outra.

Apesar de todas essas incongruências e erros o problema real com essas leis não é o fato de não se encaixarem. O problema é na injustiça que elas incorporam. Uma pessoa de mente justa não se exime de perguntar por que as filhas recebem a metade do que um filho recebe? Por que as filhas devem receber menos que os irmãos? E por que um viúvo tem que receber o dobro de uma viúva? Por que para o homem o dobro do que recebe a mulher? Todas as esposas devem compartilhar ¼ da herança se não têm filhos e 1/8 se têm. No primeiro caso cada esposa irá receber 1/16 da herança e no segundo caso 1/32. Por outro lado um homem que perca todas as quatro esposas irá herdar a metade do que elas tiverem. Não é a fórmula para enriquecer os homens e empobrecer as mulheres? É mais fácil esquecer os erros matemáticos do Alcorão do que esquecer a injustiça.

O verso (4:174) diz que “Homens, agora tendes uma prova enviada por vosso Senhor, e fizemos descer sobre vós uma luz manifesta. Como podemos ver, as leis podem ser tudo menos esclarecidas. Elas não se batem, as porções não estão bem definidas e nem distribuídas justamente. Depende dos muçulmanos decidirem se Alá não pode adicionar frações simples, é confuso e injusto; ou que o Alcorão é ditado por um apedeuta. Ou um ou outro! Você decide.

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Sobre o autor: Ali Sina é o pseudônimo de um ex-muçulmano nascido no Irã, que atualmente mora no Canadá. É um dos críticos mais respeitáveis da religião islâmica e também um dos mais ferrenhos. Fundador do fórum FAITH FREEDOM INTERNATIONAL (http://www.faithfreedom.org), que ajuda ex-muçulmanos em todo o mundo, ALI SINA também é autor de várias obras, entre elas Understanding Muhammad (Para entender Maomé), com tradução em progresso.

FILHO DO HAMAS – A Escada da Fé.

Nota de Khadija Kafir:

Durante trintas anos, o Egito foi governado por um ditador chamado Mubarak. Insatisfeito, o povo foi às ruas exigir que ele deixasse o poder. Acreditando nas boas intenções de um grupo político e religioso, chamado Irmandade Muçulmana, o povo o elegeu. Porém o que aconteceu foi que tal irmandade, que deveria pregar a “pureza” e a “caridade” do Islã com os pobres, se converteu em uma ditadura pior do que a anterior.

Excerto do Livro Filho do Hamas,  de Mosab Hassan Yousef.

O tempo é sequencial, como um fio que cobre a distância entre nascimento e morte. No entanto, os acontecimentos se parecem mais com um tapete persa – milhares de fios das mais lindas cores se entrelaçando para formar complexos padrões e imagens. Qualquer tentativa de colocar os acontecimentos em uma ordem puramente cronológica seria como soltar os fios e organizá-los em uma sequencia linear. Isso poderia ser mais simples, mas o desenho se perderia.

(…)

Entre 1517 e 1923, o Islã, personificado pelo califado otomano, se disseminou por três continentes a partir de sua base na Turquia. Entretanto, após alguns séculos de hegemonia econômica e política, o Império Otomano se tornou centralizado e corrupto, o que levou a seu próprio declínio.

Sob o comando dos turcos, aldeias muçulmanas em todo Oriente Médio ficaram sujeitas a perseguições e tributação opressiva. Istambul era simplesmente longe demais daquela região para que o califa protegesse os fiéis dos abusos dos soldados e das autoridades locais.

No século XX, muitos muçulmanos estavam cada vez mais desiludidos com os preceitos da religião e passaram a adotar um estilo de vida diferente. Alguns se entregaram ao ateísmo dos recém-chegados comunistas. Outros mergulharam seus problemas na bebida, no jogo e na pornografia, introduzidos em grande parte pelos ocidentais, que haviam sido atraídos para a região por causa das riquezas minerais e da crescente industrialização.

No Cairo, capital egípcia, um jovem devoto professor primário chamado Hassan al-Banna chorava por seus compatriotas, pobres, desempregados e ímpios. Ele, porém, culpava o Ocidente, não os turcos, e acreditava que a única esperança para seu povo, em especial para os jovens, era o retorno à pureza e à simplicidade do Islã.

Ele ia aos cafés, subia nas mesas e cadeiras e pregava a todos sobre Alá. Os bêbados zombavam dele. Os líderes religiosos o desafiavam. Mas a maioria das pessoas passou a amá-lo, porque ele lhes dava esperança.

Em março de 1928, Hassan al-Banna fundou a sociedade dos Irmãos muçulmanos, mais conhecida como Irmandade Muçulmana, cujo objetivo era reconstruir a sociedade de acordo com os princípios islâmicos. Num período de 10 anos, todas as províncias egípcias tinham uma filial da organização. Em 1935, o irmão de al-Banna fundou uma divisão da sociedade nos territórios palestinos. Vinte anos depois, a irmandade contava com cerca de meio milhão de adeptos apenas no Egito.

Os integrantes da Irmandade Muçulmana provinham em grande parte das classes mais pobres e menos influentes, mas eram ardorosamente leias à causa. Faziam doações do próprio bolso para ajudar outros muçulmanos, como prega o Alcorão.

No Ocidente, muitas pessoas que têm uma percepção estereotipada dos muçulmanos como terroristas desconhecem a face do Islã que reflete amor e piedade e que cuida dos pobres, das viúvas e dos órfãos. A que promove a educação e o bem estar. A que une e fortalece. Esse é o lado do islã que motivou os primeiros líderes da Irmandade Muçulmana e se reunirem em torno de uma causa comum. É claro que também existe o outro lado, que convoca todos os muçulmanos para a jihad a fim de lutar e enfrentar o mundo inteiro até que se estabeleça um califado global, liderado por um homem santo que governe e fale em nome de Alá. É importante que você entenda e se lembre desses fatos à medida em que este relato avançar.

Em 1948, a Irmandade Muçulmana tentou dar um golpe de Estado contra o governo egípcio, ao qual atribuía a culpa pela crescente secularização da nação. No entanto, o levante foi sufocado antes que pudesse ganhar força, quando o mandato britânico terminou e Israel declarou sua independência como Estado Judeu.

Os muçulmanos em todo o Oriente Médio ficaram indignados. De acordo com o Alcorão, quando um inimigo invade qualquer território muçulmano, todos os seguidores do islamismo são convocados a lutar e defender sua terra. Do ponto de vista do mundo árabe, os estrangeiros haviam invadido e, naquele momento, ocupavam a Palestina, onde está localizada a Mesquita de Al-Aqsa, o terceiro lugar mais sagrado da Terra para o Islã, depois de Meca e Medina. A mesquita foi construída no lugar do qual se acredita que Maomé tenha partido, na companhia do anjo Gabriel, para o céu, onde se encontrou com Abraão, Moisés e Jesus.

Egito, Líbano, Síria, Jordânia e Iraque imediatamente invadiram o novo Estado judeu. Entre dez mil soldados egípcios, havia milhares de voluntários da Irmandade Muçulmana. No entanto, a coalizão árabe estava em desvantagem tanto em efetivo quanto em armamento, e menos de um ano depois as tropas árabes foram rechaçadas.

Como consequência da guerra, cerca de 750 mil árabes palestinos fugiram ou foram expulsos de suas casas nos territórios que se tornaram o Estado de Israel.

Embora a Assembleia Geral das nações Unidas tenha aprovado a Resolução 194, que declarava em parte que “os refugiados que desejassem voltar a suas casas e viver em paz com seus vizinhos deveriam receber permissão para fazê-lo” e que “uma indenização pela propriedade deveria ser paga àqueles que optassem por não retornar”, tal recomendação nunca foi implementada. Dezenas de milhares de palestinos que fugiram de Israel durante a Guerra Árabe-Israelense nunca recuperaram suas casas e suas terras. Muitas dessas pessoas e seus descendentes vivem hoje em miseráveis campos de refugiados controlados pela ONU.

Quando os integrantes da Irmandade Muçulmana, então armados, voltaram do campo de batalha para o Egito, o golpe antes sufocado foi retomado. Entretanto, informações do plano para depor o governo vazaram e as autoridades egípcias baniram a Irmandade, confiscaram os bens e prenderam muitos dos seus integrantes. Aqueles que escaparam de ir para a prisão acabaram assassinando o primeiro-ministro do Egito semanas mais tarde.

Hassam al-Banna, por sua vez, foi assassinado em 12 de fevereiro de 1949, aparentemente pelo serviço secreto egípcio. A Irmandade, porém não foi esmagada. Em apenas 20 anos, Hassan al-Banna tirou o Islã de sua letargia e deu início a uma revolução com combatentes armados. Nos anos seguintes, a organização continuou a se expandir e a aumentar a sua influência entre o povo, não apenas no Egito, mas também na Jordânia e na Síria.

Quando meu pai chegou à Jordânia, em meados da década de 1970, para dar prosseguimento a seus estudos, a Irmandade Muçulmana já estava bem estabelecida por lá e era armada pelo povo. Seus integrantes estavam fazendo tudo que meu pai sempre sonhara em fazer: incentivavam a renovação da fé entre aqueles que haviam se afastado do modo de vida islâmico, cuidavam dos feridos e tentavam salvar as pessoas da influência corrupta da sociedade. Ele acreditava que aqueles homens eram os reformadores religiosos do Islã, como Martinho Lutero e William Tyndale haviam sido para o cristianismo. Eles só queriam salvar as pessoas e melhorar a vida delas, não matar e destruir. Ao conhecer alguns dos primeiros líderes da Irmandade, meu pai disse:

– É exatamente isso que eu estava procurando.

O que meu pai viu nos primeiros líderes da Irmandade Muçulmana foi a face do Islã que reflete o amor e a piedade. O que ele não viu – o que talvez nunca tenha se permitido ver – foi o lado negro do Islã.

A vida islâmica é como uma escada, com preces e louvores a Alá no primeiro degrau. Os degraus mais acima representam a ajuda aos pobres e necessitados, a criação de escolas e o apoio a instituições de caridade. O degrau mais alto é a Jihad.

A escada é comprida, e poucos olham para cima para ver o que está no topo. O progresso, em geral, é gradual, quase imperceptível, como o de um gato que persegue uma andorinha. Ela nunca tira os olhos do gato. Simplesmente fica lá, olhando o gato caminhar para frente e para trás. Mas a andorinha não tem noção de profundidade. Não percebe que o gato está um pouquinho mais perto a cada passo, até que, em um piscar de olhos, as garras do felino estão manchadas com o sangue do pássaro.

Os muçulmanos tradicionais ficam ao pé da escada, vivendo com culpa por não praticar de verdade o que prega o islã. No topo estão os fundamentalistas, aqueles que aparecem nos noticiários por terem matado mulheres e crianças em nome da glória do Deus do Alcorão. Os moderados estão em algum lugar intermediário.

Entretanto, um muçulmano moderado é, na verdade, mais perigoso do que um fundamentalista, porque parece ser inofensivo, porém nunca sabemos quando dará o próximo passo em direção ao topo. É assim, como moderados, que a maioria dos terroristas suicida começa.

No dia em que pôs os pés no degrau mais baixo da escada pela primeira vez, meu pai nunca poderia imaginar a que altura chegaria, se afastando de seus ideais mais genuínos. Trinta e cinco anos depois, eu gostaria de perguntar a ele: você se lembra de onde começou? Você sentiu o coração esmagado ao ver todas aquelas pessoas perdidas e quis que elas se voltassem para Alá em busca de segurança e proteção. E agora, terroristas suicidas e sangue inocente? Foi isso que você se propôs a fazer?

Em nossa cultura, porém, não falamos com o próprio pai a respeito de questões como essas. E assim ele continuou a trilhar aquele perigoso caminho.

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Sobre o autor: Mosab Hassan Yousef é um ex-muçulmano convertido ao Cristianismo. Nascido na região do conflito Árabe-Israelense, Yousef é filho de xeique Hassan Yousef, um dos sete fundadores do grupo terrorista Hamas, e viveu nos bastidores desta organização. A decepção com os objetivos políticos e religiosos do grupo o levou a apostasia e ele se tornou um aliado de Israel. Foi considerado um traidor, mas sua atuação como espião ajudou a evitar inúmero atentados terroristas. Tudo isso é contado em sua autobiografia, o livro Filho do Hamas. Yousef explica que Alá é um deus de ódio e que a única saída para seu povo é rever os seus próprios ensinamentos e começar a pregar o amor.