Sete camadas de céus.

Texto de Ali Sina. Artigo original: Seven Layers of Heavens.

Tradução: Khadija Kafir 15/06/2015

(…) Há sites islâmicos que falam assim:

As camadas da atmosfera.

atmospher1

Um fato sobre o universo revelado no Alcorão é que o céu é feito de sete camadas.

Alcorão 2:29: “Foi Ele quem criou para vós tudo o que existe na Terra; depois, subiu às alturas e formou os sete céus. Ele sabe de tudo”.

Alcorão 41: 12: “E em dois dias criou sete céus e determinou a cada um deles sua função”.      

A palavra “céu”, que aparece em muitos versos no Alcorão, é usada para se referir ao céu acima da Terra, bem como a todo o universo. Dado o significado da palavra, vê-se que o céu terreno, ou atmosfera, é feita de sete camadas.

A terra tem todos os atributos necessários para a vida. Um deles é a atmosfera, que serve de escudo protegendo as criaturas. Hoje é um fato estabelecido que a atmosfera é feita de diferentes camadas uma sobre a outra. E como descrito no Alcorão, a atmosfera é feita de exatamente sete camadas. Isto é certamente um dos milagres do livro. Nas fontes científicas, esse assunto é descrito assim:

1- Troposfera 2-Ozonosfera 3- Estratosfera 4-Mesosfera 5-Termosfera 6- Ionosfera 7- Exosfera.

atmosfera

Quatorze séculos atrás, quando se pensava que o céu era um corpo único, o Alcorão miraculosamente afirmou que ele consistia de camadas, e não só isso, mas afirmou serem sete tais camadas. A ciência moderna, por outro lado, descobriu esse fato apenas recentemente.

A verdade sobre as sete camadas.

A concepção pré-copérnica do universo era geocêntrica. Eles pensavam que a Terra era plana e localizada no centro do universo. Acreditavam que o sol e a lua – bem como Saturno, Júpiter, Marte, Vênus e Mercúrio, que consistiam nos objetos do paraíso – eram deidades. Eram os únicos corpos celestes que podiam ser observados a olho nu se movendo no céu, enquanto as estrelas pareciam ser fixas.

terra fixa
A Terra é onde se lê “Earth”. O Sol é “Sun”; e a lua, “Moon”.   

Camadas do paraíso.

Eles acreditavam que estes planetas ou “deuses” tinham cada um sua própria esfera. Essas camadas não orbitavam ao redor do sol como nós sabemos, mas eles todos giravam ao redor da terra nessa ordem:

1- Lua    2- Mercúrio   3- Vênus      4-Sol     5- Marte       6- Júpiter   7- Saturno.

O mais próximo da Terra era a lua e o mais distante Saturno. Assim, o conceito de sete camadas de céu é baseado em astronomia arcaica, onde cada corpo celestial ocupava uma esfera de cristal uma sobre a outra como as camadas de uma cebola.

Tanto o Judaísmo quanto o Cristianismo fazem referências a essas camadas. Por exemplo, Dante em sua Divina Comédia, se refere a isso e o apóstolo Paulo em 2Cor 12:2 diz: “Conheço um homem em Cristo que, há quatorze anos, foi arrebatado ao terceiro céu- se em seu corpo, não sei: se fora do corpo não sei; Deus o sabe“.

O Paraíso era um mundo físico acima. O conceito de um céu espiritual é novo. Na mente do homem arcaico a distinção entre o céu físico e o céu espiritual era confusa. Por exemplo, a palavra “cielo” em Espanhol é usada tanto para o céu físico como para referir-se ao paraíso (como “céu” em Português).

Não somente o Céu tinha sete camadas, mas a Terra também tinha, e representava o submundo do Inferno. Dante, ao visitar as camadas mais profundas do Inferno, encontra dois homens com os corpos mutilados e conclui que eram Maomé e Ali. Ele descreve graficamente seu encontro com esses dois homens miseráveis:

Qual tonel, que aduelas perde ao fundo,
Estava um pecador, que roto eu via
Das faces ao lugar que é menos mundo.

As entranhas pendiam-lhe; trazia
Patentes os pulmões e o saco feio,
Onde o alimento de feição varia.

A contemplá-lo estava de horror cheio,
Eis me encara e me diz, abrindo o peito:
“Vê como eu tenho lacerado o seio!

Maomé sou, quase pedaços feito;
Antecede-me Ali, que se lamenta:
Do queixo à testa o rosto lhe é desfeito.

“Todos, que a dor aqui tanto atormenta,
De escândalos, de cismas inventores,
Pendidos têm, qual vês, pena cruenta.     (Canto XXVIII)

O número sete estava tão engrenado na mente dos antigos que podemos achá-lo em toda parte. Sete planetas (ou deuses) têm sido identificados e as fases da lua mudavam a cada sete dias. A Bíblia afirma que Deus descansou no sétimo dia após completar a criação. E cada sétimo ano era sabático e o Jubileu é o ano seguinte a uma “semana de semana” de anos.

Os pagãos dividiam sua semana em sete dias, cada um representando uma deidade:

  1. Sábado, que era o primeiro dia da semana (ainda é nos países islâmicos), era dedicado a Saturno. Em Inglês a palavra “Saturday” (sábado) lembra em Latim Saturni (Saturno).
  2. Em Inglês “Sunday” que lembra a palavra sun (sol) e era dedicado ao sol. (Latim Solis),
  3. Segunda-feira, em Inglês “Monday” que lembra a palavra “moon” (lua). Em Espanhol “lunes”. Dedicado à lua.
  4. Terça-feira. Em Francês “mardi”. Espanhol, “martes” que lembra em Latim Martis. Dedicado a Marte.
  5. Quarta-feira. Em Francês “mercredi”. Espanhol, “miércoles”. Dedicado a Mercúrio (Mercurii).
  6. Quinta-feira. Em Francês, “Jeudi”. Espanhol, “Jueves”. (Jovis).
  7. Sexta-feira. Francês, “vendredi”. Espanhol, “viernes” dedicado a Vênus (Veneris). [1]

Afora isso, vêm os sete arcanjos já conhecidos, que incluem Miguel, Gabriel, Rafael, Uriel, Sariel, Samuel e o anjo caído Lúcifer. O conceito pagão de sete camadas de céus rastejou até o Judaísmo e o número sete pode ser achado aí mais do que em qualquer outra religião. Por quê? Porque os textos judaicos (Midrash) ensinam: há sete camadas de céus, obviamente uma influência do paganismo no Judaísmo.

Quando Adão pecou, os Shekinah partiram para o primeiro céu. O pecado de Caim os forçou ao segundo céu. A geração de Enoque, ao terceiro. A geração do diluvio, ao quarto. A geração da dispersão, ao quinto. Os sodomitas, aos sexto. Os egípcios dos dias de Abraão, ao sétimo. (Bereishis Rabbah 19:7)”

De acordo com as escrituras judaicas, a criação levou sete dias. Naamã teve que se lavar sete vezes no Jordão para ser curado da lepra. Os israelitas tinham que marchar em volta de Jericó sete dias, durante sete vezes, no sétimo dia; e tinham que tirar o sétimo dia da semana para o descanso. Havia um candelabro de sete braços no Templo, etc. No último livro, Apocalipse, encontramos a menção a sete espíritos, sete candelabros, sete igrejas, sete selos, sete trombetas, sete vasos, sete trovões, sete pragas, sete montanhas e sete reis. O período da tribulação é de sete anos sendo o último da “semana de anos”.

Maomé não inventou o conceito de sete céus. Ele apenas o parodiou sem entender a origem pagã dessa ideia: “E decoramos o céu mais próximo com lâmpadas e protegemo-lo” (Alcorão 41 verso 12).

Este verso não tem nada a ver com as sete camadas da atmosfera, como reivindicaram charlatões tal Harun Yahya. Tem a ver com o conceito geocêntrico do Universo que era prevalecente na época de Maomé. Observe que de acordo com ele, as estrelas são lâmpadas afixadas no teto do céu mais próximo para adorno. Obviamente as estrelas não estão no mesmo plano onde está a lua, tampouco a lua e as estrelas estão na camada mais baixa da atmosfera da Terra. De fato, o conceito corânico de camadas do céu é tão em desacordo com as camadas da atmosfera que os sites islâmicos tentam dar um significado completamente místico ao verso e diz que o verso fala sobre um “paraíso místico” que a alma irá encontrar depois da morte:

A referência ao fato de que Deus criou os sete céus tem sido dada no Alcorão em réplica ao ceticismo mostrado pelos descrentes com relação à vida após a morte. Refere-se à vastidão de sua criação. Diz que Deus não criou apenas um céu, um universo, sete de tais céus, ou sete universos. Ao que parece, o gigantesco universo em que nós vivemos, esse cujas fronteiras são ainda ignoradas pelo homem, é apenas um desses céus (universos), há outros sete, sobre os quais nós – com todo nosso desenvolvimento científico – não sabemos nada a respeito. Certos versos do Alcorão claramente indicam que a gigantesca massa de espaço em nossa volta seja apenas um desses universos…”

E mencionam Maududi, o renomado especialista muçulmano e exegeta do Alcorão que diz:

“É difícil explicar precisamente o que significam esses sete céus. Em todas as épocas, o homem tentou com a ajuda da observação e especulação dar um conceito de ‘céu’ que se situa além e acima da terra. Como sabemos, os conceitos desenvolvidos têm mudado constantemente. Daí que seria impróprio amarrar o significado dessas palavras do Alcorão a qualquer um desses outros. O que podemos dizer é que, ou Alá dividiu o universo além da Terra em sete esferas distintas, ou que esta Terra está localizada naquela parte do universo que possui sete esferas diferentes”.

Maududi está basicamente dizendo que o claro Alcorão não é tão claro assim. Dos Hadith (especialmente os Hadith de Mi’raj), nós lemos que o primeiro céu é aquele mais próximo à Terra. Então a ordem começa da Terra e o céu mais alto é o sétimo.

Como se pode ver, os verdadeiros especialistas do Islam são incapazes de explicar o significado de sete céus mencionados no Alcorão e tentam dar significado exotérico. Se tivéssemos que crer que tais céus são uma alusão às sete camadas da atmosfera, então temos que presumir que as estrelas devem estar a não mais de onze quilômetros acima da Terra.

 Não apenas Maomé, como seus contemporâneos, acreditava que a Terra tivesse sete céus, mas ele também pensou que a Terra era feita de sete camadas também.

Alá é Ele quem criou sete firmamentos e a Terra em número similar...”

Neste verso, o número de terras não está em questão. Presume que todo mundo concorda que haja sete terras. A ênfase é no fato de que foi Alá o criador dessas sete terras. A razão para isso é que, assim como os sete céus, os antigos concordavam que havia sete camadas na Terra. Maomé só fazia afirmar o que era óbvio ao povo de seu tempo, mas absurdo para a ciência moderna.

Que sete terras são essas de que Maomé estava falando? Se houvesse sete continentes no planeta, os apologistas muçulmanos não hesitariam em reivindicar que o verso é um milagre. Mas não temos sete continentes. Maomé está falando sobre as camadas da Terra, as mesmas camadas que foram descritas no Inferno de Dante. Inúmeros Hadith deixam claro.

O apóstolo de Alá disse: “Quem quer que usurpe a terra de alguém injustamente, seu pescoço será cercado com ela nas profundezas das sete terras (no Dia da Ressurreição)”.

As profundezas das sete terras é uma alusão ao fundo do Inferno, onde Dante encontrou Maomé e Ali com seus corpos dilacerados. É interessante notar que ambos assaltaram e mataram pessoas inocentes, ou as exilou e usurpou sua propriedade injustamente. Fadak era uma linda vila com muitos jardins que Maomé usurpou dos judeus de Khaibar depois de aniquilá-los e dar a sua filha Fátima, esposa de Ali. Fico surpreso que Dante não tenha visto Fadak envolta no pescoço de Maomé e Ali quando os viu no Inferno. Não é uma prova de que a descrição que faziam do inferno também estava errada?

A descrição dessas sete terras é dada por Muhammad ibn ‘Abd Allah al-Kisa’i:

… Há sete terras. A primeira é chamada Ramaka, abaixo da qual fica o Vendo Estéril, que pode ser freado por nada menos que setenta mil anjos. Com este vento Deus destruiu o povo de Ad. Os habitantes de Ramaka são uma nação chamada Muwashshim, sobre quem fica o tormento eterno e castigo divino. A segunda Terra é chamada Khalada, em jazem os instrumentos de tortura para os habitantes do Inferno. Lá reside uma nação chamada Tamis, cujo alimento é a sua própria carne e cuja bebida é o seu próprio sangue. A terceira terra é chamada Arqa, em que habitam águias parecidas com mulas e com caudas semelhante a lanças. Em cada cauda há trezentos e sessenta espinhos venenosos. Se uma lança fosse colocada na face da terra, todo o universo se destruiria. Os seus habitantes são uma nação chamada Qais, que comem terra e bebem leite materno. A quarta terra é chamada Haraba, em que habitam as cobras do Inferno, que são tão grandes como montanhas. Cada serpente tem dentes afiados como palmeiras altas, e se elas atacassem a montanha mais alta com suas presas, ela seria nivelada à terra. Os habitantes desta terra, são uma nação chamada Jilla, e eles não têm olhos, mãos ou pés, mas têm asas como morcegos e morrem apenas em idade avançada. A quinta terra é chamada Maltham, em que as pedras de enxofre são penduradas em torno do pescoço dos infiéis. Quando o fogo se acende, o combustível é colocado em seu seio, e as chamas saltam para seus rostos, como ele disse: “O fogo cujo combustível são homens e pedras (02:24), e fogo deve cobrir os seus rostos (14:50). Os habitantes são uma nação chamada Hajla, que são numerosos e que comem uns aos outros. A sexta terra é chamada Sijjin. Estes são os registros das pessoas do Inferno, e as suas obras são vis, como ele disse: Em verdade o registro das ações dos ímpios é certamente Sijjin (83: 7). Aqui reside uma nação chamada Qatat, que é em forma de pássaros e adoram a Deus verdadeiramente. A sétima terra é chamada Ajiba e é a morada de Iblis. Lá reside uma nação chamada Khasum, que são pretos e curtos, com garras como leões. Para eles será dado o domínio sobre Gog e Magog, que serão destruídos por eles …”

Não é difícil ver que essas lendas são baboseira. São contos de fadas que até fazem rir as crianças de hoje.

E fica provado mais uma vez que o Alcorão está errado em quase todas suas assertivas. Apenas um erro é suficiente para demonstrar que Maomé não era um mensageiro de Deus, mas um mentiroso. Mostramos que há centenas de erros no Alcorão. Ainda assim, os muçulmanos ficam procurando desesperadamente por “milagres” para enganarem-se a si mesmos e acharem validade em sua crença.

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Sobre o autor: Ali Sina é o pseudônimo de um ex-muçulmano nascido no Irã, que atualmente mora no Canadá. É um dos críticos mais respeitáveis da religião islâmica e também um dos mais ferrenhos. Fundador do fórum FAITH FREEDOM INTERNATIONAL (http://www.faithfreedom.org), que ajuda ex-muçulmanos em todo o mundo, ALI SINA também é autor de várias obras, entre elas Understanding Muhammad (Para entender Maomé), com tradução em progresso.

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