A superioridade dos valores ocidentais em oito minutos.

ocidental versus muçulmano

Texto de Ibn Warraq* (2011)

Tradução de Khadija Kafir (10/06/2015)

Em um debate público com Tariq Ramadan em Londres, em novembro de 2007, a mim foram concedidos oito minutos para argumentar a favor da superioridade dos valores ocidentais. Aqui vai minha defesa:

 As grandes ideias do Ocidente – racionalismo, auto criticismo, a busca desinteressada pela verdade, a separação entre Igreja e Estado, a força da lei e a igualdade de todos perante ela, a liberdade de consciência e expressão, os direitos humanos, a democracia liberal – tudo isso junto constitui uma grande conquista, certamente, para qualquer civilização. Este conjunto de princípios permanece o melhor e talvez a única maneira para que todas as pessoas – não importa a raça ou credo – vivam em liberdade e alcancem seu potencial. Os valores ocidentais- que são base para seu visível sucesso político, científico, econômico e cultural – são claramente superiores a quaisquer outros valores inventados pela humanidade. Quando tais valores foram adotados por outras sociedades, tais como a Japonesa ou a da Coreia do Sul, seus cidadãos hauriram benefícios.

A vida, a liberdade e a busca pela felicidade. Esta trilogia sucintamente define a atratividade e a superioridade da civilização ocidental. No Ocidente nós somos livres para pensar o que queremos, ler o que queremos, praticar nossa religião, viver como escolhemos. A liberdade está codificada nos direitos humanos, outra magnifica criação sua, mas também, creio, um bem universal. Os direitos humanos transcendem valores locais ou étnicos, conferindo igual dignidade para todos, independentemente do gênero, etnia, preferencia sexual, ou religião. Ao mesmo tempo, é no Ocidente que os direitos humanos são mais respeitados.

É no Ocidente que existe a emancipação das mulheres, e das minorias raciais e religiosas; dos gays e lésbicas que defendem seus direitos. A noção de liberdade e direitos humanos foi apresentada na aurora da civilização ocidental, os ideais pelo menos, mas têm sido usufruídos através de atos de supremo auto criticismo. Por causa dessa excepcional capacidade autocrítica, o Ocidente tomou a iniciativa em abolir a escravidão. O grito por liberdade não ecoou nem mesmo entre os negros da África, onde tribos africanas pegavam prisioneiros negros rivais para serem vendidos no Ocidente. Hoje, muitas outras culturas seguem os costumes e práticas que são uma violação expressa da Declaração de Direitos Humanos (1948). Em muitos países – principalmente nos que são islâmicos – você não é livre para ler o que quiser. Sob a Sharia, ou lei islâmica, as mulheres não são livres para casar com quem elas quiserem, e seus direitos de herança são reduzidos. A Sharia deriva do Alcorão e das práticas e ditos de Maomé, e prescreve punições bárbaras tais como apedrejamento por adultério. Ela diz que homossexuais e apóstatas sejam executados. Na Arábia Saudita, entre outros países, os muçulmanos não são livres para se converterem ao Cristianismo e os cristãos não são livres para praticarem a sua fé. O Corão não é um documento que respeita direitos.

Sob o Islam, a vida é um livro fechado. Tudo já foi decidido para você: as ditaduras da Sharia e os caprichos de Alá traçam severos limites da possível agenda de sua vida. No Ocidente, nós temos a escolha de ir em busca de nossos sonhos e ambições. Somos livres enquanto indivíduos para estabelecer nossas metas e determinar o que vai preencher nossa vida e que sentido dar a ela. Como Roger Scruton sublinha: “a glória do Ocidente é que a vida é um livro aberto”. O Ocidente nos tem dado o milagre dos direitos individuais, a responsabilidade e o mérito, ao invés das cadeias do status herdado e oferece a mobilidade social sem paralelos. “O Ocidente” – escreve Alan Kors – “é a sociedade das vidas mais produtivas, mais auto definidas, e mais satisfatórias”.

Ao invés das certezas mentalmente entorpecentes e dos ditames do Islam, a civilização ocidental oferece o que Bertrand Russel chamava de dúvida libertadora. Até mesmo o processo da política no Ocidente envolve julgamento e erro, discussão aberta, criticismo e auto correção. A busca pelo conhecimento não importa aonde leve, um desejo herdado dos gregos, tem produzido uma instituição raramente igualada: a universidade. E o mundo lá fora reconhece a superioridade das universidades ocidentais. Os orientais vêm ao Ocidente para aprender – não somente a ciência que progrediu nos últimos quinhentos anos, mas também a própria cultura, o Oriente e as línguas. Eles vêm a Oxford e Cambridge, a Harvard e a Yale, a Heidelberg e a Sorbonne para adquirir seus doutorados, pois esses graus acadêmicos conferem prestígio sem rivalidades no Terceiro Mundo.

As Universidades ocidentais, os institutos de pesquisa e as bibliotecas são criadas para serem instituições independentes, onde a busca pela verdade é conduzida por um espírito de inquérito, livre de pressões políticas. A diferença básica entre o Ocidente e o “Resto” do mundo pode ser resumida pela diferença em princípios epistemológicos. Atrás do sucesso dessa sociedade, com sua ciência e tecnologia, e suas instituições abertas, jaz um distinto modo de contemplar o mundo, interpretá-lo e corrigir seus problemas: tirando-os da esfera religiosa e os considerando empiricamente, encontrando soluções com procedimentos racionais. Todo o corpo da ciência moderna é um dos maiores presentes do Ocidente para o mundo. O Ocidente é responsável por quase toda descoberta científica dos últimos quinhentos anos, do Heliocentrismo ao telescópio, da eletricidade aos computadores.

O Ocidente deu ao mundo a sinfonia e o romance. Uma cultura que engendrou o espírito criativo de Mozart e Beethoven; Wagner e Schubert; Rafael e Michelangelo; Leonardo da Vinci e Rembrandt não precisa de lições em espiritualidade vindas de sociedades cuja visão do céu se assemelha a um puteiro cósmico abastecido com virgens para os prazeres dos homens.

O Ocidente nos deu a Cruz Vermelha, os Médicos Sem Fronteiras, a “Human Rights Watch”, a Anistia Internacional e as muitas outras manifestações de impulso humanitário. É o Ocidente que providencia a maior parte da ajuda humanitária à sitiada Darfur (Suldão- África), enquanto que os países islâmicos são conspícuos pela sua ausência.

O Ocidente não precisa de palestras sobre as virtudes de sociedades onde as mulheres são mantidas em sujeição, aguentam a mutilação genital, são obrigadas a casar contra a vontade na idade de nove anos, têm ácido jogado no rosto ou são apedrejadas até a morte por alegado adultério ou onde os direitos humanos são negados aos que pertencem a uma casta inferior. O Ocidente não precisa de homilias hipócritas de sociedades que não são nem capazes de providenciar água limpa ou rede de esgoto para as suas populações, que não conseguem educar seus cidadãos, mas deixa que 40% ou 50% fiquem analfabetos, que não traz melhorias para os deficientes, que não têm noção de bem comum ou responsabilidade civil e que estão crivados pela corrupção.

Nenhum político ocidental se safaria se praticasse o tipo de observações racistas que são toleradas no Terceiro Mundo, tais como as diatribes antissemitas do líder malaio Mahathir Mohamad. Ao invés disso, houve pedidos de resignação tanto por parte dos líderes do Terceiro Mundo quanto da mídia ocidental. Dois pesos e duas medidas? Sim, mas também um tácito reconhecimento de que nós esperamos um padrão moral superior do Ocidente.

O Aiatolá Khomeini uma vez disse a célebre frase: “Não há diversão no Islam”. O ocidente é capaz de olhar paras suas próprias manias e rir, e até fazer piada de seus princípios fundamentais. Não existe um equivalente islâmico para o filme “A Vida de Brian” (1979). Será que podemos esperar que no futuro tenhamos A vida de “Maomerda”?

O resto do mundo reconhece as virtudes do Ocidente por meios concretos. Como Arthur Schlesinger salienta: “quando os chineses clamaram por democracia na praça Tianamen, trouxeram com eles não estátuas de Confúcio ou de Buda, mas um modelo da estátua da Liberdade. Milhões de pessoas arriscam suas vidas tentando chegar ao Ocidente – não à Arábia Saudita ou ao irã ou ao Paquistão. Eles fogem de regimes totalitários e teocráticos para encontrarem a tolerância e a liberdade no Ocidente, onde a vida é um livro aberto.

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* Este artigo constitui a primeira parte do livro “Why the West is the Best” (Porque o Ocidente é melhor), sem tradução em Português.

ibn_warraq

Sobre o autor: Ibn Warraq é o pseudônimo de um ex-muçulmano nascido na Índia e criado no Paquistão e na Inglaterra. Famoso pelas suas críticas ao Alcorão e às sociedades islâmicas, Warraq também é fundador do Institute for the Secularisation of Islamic Society (ISIS) que é um instituto que promove a secularização dessas sociedades.

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